Mostra “20 Anos de Takashi Miike”, de 17/08 a 28/08

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Começa hoje na cidade de São Paulo a mostra “20 Anos de Takashi Miike”, no Centro Cultural Banco do Brasil, com a exibição de 20 obras do cineasta.

Oportunidade perfeita para quem deseja ver ou rever os filmes deste excelente diretor em cópias de 35mm (com exceção do média metragem IMPRINT, que será exibido em Beta Digital), a preços módicos.

Acessem o site da mostra e vejam a programação, não percam esta oportunidade de conferir os delírios visuais de Miike com a melhor imagem possível! Veja o site da mostra AQUI.

OBS: Dia 27 de Agosto ocorrerá a pré-estréia nacional do mais novo filme do cineasta, ICHIMEI, com exibição em 3D no Cinemark do Shopping Metrô Santa Cruz (somente esta sessão terá cobrança de ingresso convencional com a tabela de preços do local). Após a sessão, ocorrerá uma vídeo conferência via Skype com Miike.

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Cinema de Bordas – 3ª edição

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Começa hoje a 3ª edição da mostra Cinema de Bordas no Itaú Cultural, uma ótima oportunidade para os cinéfilos paulistas prestigiarem o trabalho de realizadores independentes brasileiros. Este ano teremos a exibição de 18 obras, entre curtas e médias, contando tanto com filmes recentes quanto com alguns mais antigos.

Na noite de abertura da mostra será apresentada uma prévia de A NOITE DO CHUPACABRAS, o tão aguardado novo filme de Rodrigo Aragão, diretor do já clássico MANGUE NEGRO (apresentado na 1ª edição da mostra, em 2009) e os novos curtas de Joel Caetano e Coffin Souza, ESTRANHA e A PAIXÃO DOS MORTOS, respectivamente; este último estrelado pela nova musa do underground nacional, Gisele Ferran.

Serão exibidos também EXTREMA UNÇÃO, novo curta de Felipe M. Guerra, e o mais recente  filme de Petter Baiestorf , O DOCE AVANÇO DA FACA. Como já é de costume, haverá palestra com os curadores Bernadette Lyra, Gelson Santana e Laura Cánepa no primeiro dia do evento, e também bate-papos com alguns dos diretores ao longo da mostra.

Destaco também na seleção os filmes ROQUÍ – O BOXEADOR DA AMAZÔNIA, de Renato Dib, estrelando Aldenir Coti, mais conhecido como “Rambo da Amazônia”, astro da série de filmes RAMBÚ, e os mais antigos MUSEU DE CERA, de Pedro Daldegan e O LOBISOMEM DA PEDRA BRANCA, de José Denísio Pereira, ambos da década de 80, que parecem muito interessantes.

Enfim, diversão garantida para quem gosta de fugir do lugar comum e aprecia o ótimo cinema independente brasileiro.

O Itaú Cultural fica situado na Av. Paulista, 149 (próximo à estação Brigadeiro do metrô). Entrada franca. Vejam a programação completa AQUI.

Entrevista com Petter Baiestorf

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É com grande prazer que publico agora no blog nossa primeira entrevista, feita neste fim de semana com o gênio do cinema trash/exploitation nacional, o catarinense Petter Baiestorf. Apesar de muitos de seus filmes terem se tornado verdadeiros clássicos do cinema underground ao longo de quase duas décadas de trabalho na Canibal Filmes, suas obras até hoje são produzidas e distribuídas de forma totalmente independente.

Para os que ainda não conhecem o diretor, recomendo a leitura do blog Canibuk, atualizado por Baiestorf e Leyla Buk constantemente, com notícias sobre seus novos projetos e uma tonelada de informações sobre os mais diversos assuntos ligados à arte, música, literatura e cinema. Leiam também uma ótima matéria sobre a história da Canibal Filmes AQUI, e claro, comprem seus filmes no site da Bulhorgia Produções!

Agora vamos à entrevista:

Como você definiria seu trabalho como diretor?

Baiestorf: Nunca paro prá pensar nisso na verdade. Faço vários estilos de filmes porque não gosto de ficar preso em um único gênero na verdade. Faço vídeo poesia, filmes surrealistas, projetos experimentais, trash-movies, gore movies e filmes mais eróticos, quando não misturo tudo isso numa mesma produção! Sempre acredito em evoluir no que tu quer dizer ao público, então se pegar meus filmes de 18 anos atrás, tu vai ver que continuo desenvolvendo uma temática anarquista. É uma espécie de cinema autoral sem levar à sério a palavra autoral, porque quando cara começa a se levar à sério é o começo do fim!

Quais são suas maiores influências cinematográficas?

Baiestorf: Comecei a fazer por causa do cinema vagabundo mundial que me foi bombardeado na infância, produções brasileiras, mexicanas, italianas, chinesas e americanas. Dois filmes foram diretamente responsáveis por eu querer começar a fazer filmes: “The Incredible Melting Man” e “Ultimo Mondo Cannibale”. Um diretor também foi responsável por eu querer fazer filmes, isso já lá pelos 14 anos de idade, 1988, quando tomei conhecimento das idéias de John Waters. Logo depois que comecei a fazer filmes no ano de 1992, na seqüência, comecei a tomar contato com diretores interessantes como George Kuchar, Koji Wakamatsu, Dusan Makavejev, Jodorowsky. Não faço filmes na linha deles, mas suas idéias de cinema tem muita influência quando realizo minhas produções caseiras com amigos. Acho que cinema/vídeo não podem ser apenas diversão, tem que ser diversão mas também trazer alguma pergunta (trazer perguntas, não respostas) e fazer o expectador pensar. Tenho consigo isso com minhas produções.

Qual, dentre os filmes que você já fez, é o seu preferido? Em qual deles você acha que se saiu melhor como diretor?

Baiestorf: Não tenho filme preferido, todos os meus filmes representam uma pequena parte da minha vida, são coisas que tinham que sair de dentro de mim, depois que saiu é do mundo, ficam rodando por tudo que é lugar que aceite exibi-los. E as vezes me surpreende filmes que fiz lá por 1996, sendo exibidos ainda em mostras junto de filmes recentes, acho que são filmes caseiros que permaneceram na mente das pessoas, talvez justamente por serem filmes que fazem as pessoas pensarem. Filmo rápido demais, são tantos projetos por ano que nem rola tempo de me apegar à um filme!

Você diz que não gosta de ZOMBIO, pois ele não tem sua “marca”, porém este é justamente um dos filmes de maior repercussão da Canibal Filmes. A que você atribui isso?

Baiestorf: Porque “Zombio” é um dos únicos filme que fiz que é sessão livre e mais adolescente, ele não ofende e é fácil de ser compreendido. Por isso que 13 anos após ter sido lançado continua sendo visto, continua “popular” entre o pessoal que gosta de filmes de baixo orçamento. Em 2007 eu re-lancei “Zombio” em alguns cinemas aqui do sul prá fazer Double feature com o recém lançado “Arrombada” e pessoal continua curtindo ele. É gratificante um filme continuar sendo assistido, mas acho ele tão bobinho!

Fale um pouco de seus projetos futuros. Como serão estas filmagens com o Felipe M. Guerra na Páscoa?

Baiestorf: O projeto “Páscoa Sarnenta” é o seguinte: Felipe Guerra me procurou querendo fazer um documentário sobre “como fazer um filme de baixo orçamento filmado em 3 dias” e aceitei no ato. Só que como sou um sem noção completo, resolvi aumentar o desafio e fazer 4 filmes em 3 noites e 2 dias de filmagens, enquanto ele documenta todo esse processo de filmagens alucinantes, vou fazer 3 curtas, “Pampa’Migo”, “O Monstro Espacial” e “Filme Político Número Um” e num ato de metalinguagem total, vou fazer um documentário do Felipe Guerra documentando tudo, Se eu falhar estará tudo registrado num documentário para todos aprenderem como Não Fazer um filme de baixo orçamento.

Você escreveu em seu blog que tem vontade de refilmar alguns de seus trabalhos antigos. Dentre os filmes que você mencionou, NINGUÉM DEVE MORRER é o mais recente. O que você sente que precisa ser mudado nele?

Baiestorf: Pretendo sim refilmar de maneira profissional o “Ninguém Deve Morrer”. Quando comecei a escrever este filme eu tinha uma idéia prá um filme de longa-metragem, desenvolvendo melhor as personagens todas, era muito mais insano e surreal do que aquilo apresentado na tela. Minha idéia é refazê-lo com um orçamento maior, equipe técnica profissional e várias outras mudanças. Primeiro que nas minhas pesquisas musicais para a trilha sonora deste filme, encontrei muitas músicas que eu gostaria de ter usado nele e não foi possível quando comecei a cortar idéias para adequá-lo nos 30 minutos que ele e quero comprar essas músicas que usei para não ter problemas de direitos autorais, só com grana minha é impossível isso. Muita idéia boa ficou de fora, várias personagens que eu queria desenvolver ficaram de fora. Todo um bordel com putas dançarinas ficou de fora. Sem contar que eu tinha apenas 6 mil reais de orçamento e apenas 5 dias para filmá-lo. Foi insano as filmagens, filmar uma média de 8 seqüências completas por dia é tarefa ingrata, precisava de mais tempo para filmar tudo como deveria ter sido filmado, para mim o “Ninguém Deve Morrer” que fiz em 2009 é um esboço de um projeto muito maior. Mas não tinha dinheiro para manter a equipe reunida por mais do que 5 dias, então, por enquanto, é este o filme que consegui fazer com o material que tinha nas mãos.

(Assistam ao filme NINGUÉM DEVE MORRER completo no Youtube – Partes 01, 02 e 03)

A meu ver, ARROMBADA – VOU MIJAR NA PORRA DO SEU TÚMULO!!!!, VADIAS DO SEXO SANGRENTO e O DOCE AVANÇO DA FACA formam a mais nova trilogia do cinema de gênero no Brasil. Pretende continuar nesta veia Sexploitation com suas novas produções?

Baiestorf: Sim, eu faço sexploitations alternados por filmes experimentais desde 1996 (meus projetos entre 1992 e 1995 foram filmes que pertencem mais ao universo trash das Sci-Fi americanas) e esses 3 títulos que tu mencionou são parte de uma série que vai ter mais de 20 filmes carregados de violência e sexo que pretendo desenvolver nesta próxima década. Acredite, vários outros filmes extremamente exagerados estão por vir, tenho uns 8 filmes já escritos prá essa série e a cada novo título a coisa vai ficar mais divertida e insana.

Li em seu blog que ZOMBIO deveria ter sido um filme totalmente diferente (ainda mais insano do que é), ainda pretende levar o roteiro original às telas?

Baiestorf: Porra, “Zombio” eu vou refilmar também qualquer dia desses prá filmar a idéia original que eu tinha na época das filmagens. Ele foi uma sucessão de problemas de orçamento e de dias para filmar. “Zombio” a gente filmou todo ele em 4 dias e com menos de mil reais. Eu dormia 2 horas por dia, re-escrevia todo material que ia filmar poucas horas antes de filmar. Tive que cortar todas as ações que se passariam numa aldeia de pescadores porque nosso orçamento não permitiu construir a aldeia. Rolou várias discussões entre pessoal da equipe-técnica por causa do stress e cansaço, as condições de filmagem não eram as ideais. O interessante do “Zombio” é que saíram inúmeras produções de temática zumbis aqui no Brasil nos últimos anos e ele foi exibido em todas as mostras que exibiam essas novas produções. Achei isso bem legal!

Sente vontade de filmar novamente com VHS?  Desconsiderando o preço absurdo, já teve vontade de filmar com película?

Baiestorf: Não prá duas perguntas. Filmei em VHS porque quando comecei era o que tinha. E filmar em película não é viável para produtores independentes, não há essa necessidade.

O que você acha da censura em alguns de seus filmes para exibição em mostras e festivais?

Baiestorf: Quanto a censura, vejo que não preciso de ditadura militar prá ser censurado em quase tudo que é lugar. Nem quero falar sobre isso, mas ser censurado, ter cenas cortadas dos filmes para que possam ser exibidos em alguns lugares é algo deprimente. Acho que o público adulto deve escolher o que quer ver e que os filmes passem inteiros, sem cortes. Se o filme é uma merda o espectador abandona a sala de exibição, não precisa de censura!

Eu particularmente gosto muito de média-metragens. Qual o formato que você acredita que funciona melhor para seus filmes e para produções independentes/experimentais em geral?

Baiestorf: Acho que cada filme, cada produção, cada projeto acaba definindo seu tamanho. Gosto bastante de fazer curta-metragens e média-metragens (apesar de já ter feito 13 longas). Para a Canibal Filmes o formato que melhor funciona são os médias, filmes entre 30 e 50 minutos. O último longa que fiz foi em 2006, estou querendo voltar ao formato longa-metragem com algum projeto mais profissional e com orçamento maior. Se essas tentativas de filmar mais profissionais darem em nada vou trazer de volta umas idéias antigas prá um longa-metragem existencial que eu ia fazer nos anos 90 e acabei deixando de lado. Este longa existencial vai ser em ritmo lento, mais haver com filmes que fiz nos anos 90 do que os filmes que estou fazendo agora.

Você aceitaria trabalhar com um grande estúdio, sem restrições no orçamento, porém sem exageros na violência, gore e nudez, para poder se adequar a uma classificação etária mais branda?

Baiestorf: Não vou responder isso. É uma pergunta hipotética demais. Sei que vou filmar uma série de sexploitations com grana do meu bolso e temáticas ofensivas e exageradas. Isso é fato!

Qual a posição que você acredita que a Canibal Filmes possui em relação ao cenário cinematográfico nacional? Você sente que tem o reconhecimento que merece?

Baiestorf: Nunca pensei nisso, qual seria a posição da Canibal Filmes no cenário cinematográfico brasileiro. Acho que isso apenas o tempo vai responder, ainda é cedo demais prá pensar nisso. Eu tento dar continuidade ao tipo de cinema ofensivo que era feito na Boca do Lixo paulista misturando os anos 60 do cinema Marginal com os anos 80 do cinema mais pornográfico sem limites que se fazia lá. Talvez o papel da Canibal Filmes seja influenciar o surgimento de jovens cineastas independentes e desses jovens cineastas independentes pode surgir várias cabeças com idéias realmente novas. Talvez minha maior contribuição ao cinema nacional foi de acabar com essa idéia que cineasta brasileiro é um ser especial, intocável. Fodam-se os mitos, qualquer imbecil com uma filmadora faz um filme e sou um exemplo perfeito disso!

Qual o conselho que você daria para quem começa agora a fazer cinema independente?

Baiestorf: Seguinte: Menos teoria e mais filmes. Menos ego e mais apoio-mútuo. E sejam agressivos, façam filmes sujos, filmes que tenham o que dizer, filmes suados que desagradem, que causem estranheza no espectador, não tenham medo de ofender.

Deixe uma mensagem para quem acompanha seus filmes:

Baiestorf: Estudem prá caralho, estudem tudo que vocês conseguirem colocar as mãos. Precisamos de uma nova geração menos preguiçosa. Não tenham preguiça de aprender. Exercitem a mente e duvidem de tudo, Não existem mestres, não existem deuses, você é capaz de fazer tudo que quiser. Persiga seus sonhos!!!

Assistam abaixo ao trailer de ZOMBIO, e ao documentário BAIESTORF: FILMES DE SANGUEIRA E MULHER PELADA de 2004, filmado em Porto Alegre por Christian Caselli, durante o festival CineEsquemaNovo:

BRAINDEAD (Peter Jackson – 1992)

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Capinando na net nesta madrugada, achei um texto que escrevi no início de 2003, para um blog que desisti de atualizar por falta de paciência para escrever. Nem me lembro o nome que esse blog tinha, creio que só teve mesmo este post… Encontrei esta resenha no campo de comentários de um antigo fotolog do Batata (vai saber o que eu queria colocando uma resenha inteira em uma área destinada a comentários de fotos…)

Não alterei o texto, e algumas opiniões mudaram ao longo dos anos; o que não muda é o fato de que o filme BRAINDEAD de Peter Jackson continua sendo um dos melhores e mais carniceiros filmes de zumbis já feitos, e é sem dúvida o que conseguiu o melhor resultado misturando comédia, horror e mortos-vivos.

Segue a resenha feita em 2003. Vejam o filme e divirtam-se:

Sou suspeito pra falar deste filme, pois na minha opinião é o melhor filme de horror já feito. Claro que, você que já conhece o filme, pode discordar se este é ou não é um autêntico filme de horror, pois ao longo da produção se multiplicam as situações mais ridículas e imprevisíveis, tornando o mesmo hilário.

Classificações à parte, este é um filme que tem roteiro muito cativante e direção habilidosa, a cargo do genial Peter Jackson (mais conhecido agora por seus últimos e milionários filmes, a trilogia O SENHOR DOS ANÉIS) que no início de carreira tinha muita criatividade para driblar a falta de orçamento em suas produções.

A história começa na Ilha da Caveira, sudoeste de Sumatra, no final dos anos cinquenta, com dois idiotas capturando uma criatura conhecida como Macaco Roedor, que tem sua origem rodeada por lendas e superstições dos nativos. Os dois homens pretendem levar o animal a um zoológico neozelandês, sem ter a menor idéia do que acabariam causando com isso.

Logo nos primeiros minutos do filme, já temos cenas gore muito bem feitas, dando uma pequena idéia do ritmo insano de mutilações e desmembramentos que seguem no decorrer da produção.

Sem nenhum conhecimento deste fato, em uma pequena cidade da Nova Zelândia, vive Lionel (Timothy Balme) um nerd dominado pela mãe autoritária e superprotetora (Elizabeth Moody). Num pequeno armazém perto da casa de Lionel, trabalha Paquita (Diana Peñalver) uma jovem de origem latina que espera encontrar o amor de sua vida.

Lionel e Paquita se apaixonam, e quando as coisas parecem estar muito bem para os dois, durante um calmo passeio pelo zoológico, surge a mãe de Lionel, que segue os dois compulsivamente, por discordar da relação de seu filho com a jovem.

É nesse ponto do filme que começa a ação, quando a mãe de Lionel recebe uma mordida do tal Macaco Roedor, e da noite para o dia começa a se transformar em um horrendo zumbi.

A partir daí o filme toma um rumo incessante de bizarrices, com a mãe de Lionel fixando um pedaço do próprio rosto com supercola, comendo a própria orelha em um jantar e até engolindo um pastor-alemão inteiro.

O filme conta com efeitos especiais muito competentes (mérito de Richard Taylor) que inclui até um filhote de zumbi, que aparece correndo pra lá e pra cá, em tomadas que lembram o saudoso Chuck da franquia BRINQUEDO ASSASSINO.

O próprio Peter Jackson faz uma ponta no filme, como um esdrúxulo auxiliar de enfermagem, na cena em que a mãe de Lionel quase explode ao ser embalsamada. Como vemos em seu primeiro filme, BAD TASTE, o diretor até que convence como ator, sendo suas interpretações no mínimo engraçadas. Em BRAINDEAD, outra coisa que chama a atenção é a ótima atuação do elenco, coisa rara em filmes gore ou trash, mas que, juntamente com o enredo, fazem do filme um clássico do gênero.

O que realmente faz diferença neste filme são os últimos vinte minutos da produção, simplesmente a maior carnificina gore já filmada, com mais de cem zumbis sendo destroçados, mutilados, esfolados, desmembrados e até queimados. A cena em que Lionel entra pela porta da frente de sua casa empunhando um cortador de grama como se fosse uma serra elétrica, pronto para acabar com todos os mortos-vivos que vê pela frente, é uma das melhores cenas já filmadas. É inacreditável a quantidade de sangue usada nas cenas: no final do filme, tanto os personagens quanto a mobília e as paredes da casa de Lionel não possuem nenhuma cor senão vermelho.

Existem muitas outras cenas memoráveis neste filme, que conta com mais alguns personagens pitorescos, como o padre que luta Kung Fu e os zumbis rockabilly, mas nada melhor do que assisti-lo. Não é muito difícil de achá-lo nas locadoras que possuem VHS mais antigos, pois o mesmo teve lançamento nacional pela Alpha Filmes com o título de FOME ANIMAL, e até ganhou certa notoriedade após ter sido exibido repetidas vezes no extinto Cine Trash, programa com apresentação de Zé do Caixão que passava todas as tardes de segunda à sexta-feira na TV Bandeirantes, na década de 90.

Este filme também é conhecido como DEAD ALIVE nos países de língua inglesa, e é curioso o fato de que muitas das imagens usadas na divulgação do mesmo nos anos 90, seja em cartazes, pôsteres ou em capas de VHS (que época boa…) eram um tanto quanto enganosas, com fotos ou ilustrações que não tinham relação direta com a trama…

VERSUS (Ryuhei Kitamura – 2000)

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Inaugurando a participação dos colaboradores no blog, estou postando a resenha do insano e descontrolado filme VERSUS, de Ryuhei Kitamura, feita por meu grande amigo Renato Batarce, outro aficionado por cinema absurdo e extremo em geral.  Este filme (lançado no Brasil como O PORTAL DA RESSUREIÇÃO pela Europa Filmes) é responsável por grande parte da fama do diretor fora do Japão, e para quem gosta de armas e pancadaria sem limites, fica a dica!

Sinopse

Há 666 portais que conectam este mundo com o outro lado. Eles estão escondidos dentro dos seres humanos. Em algum lugar no Japão existe o portal de número 444. Quem o atravessar voltará da morte. Um grupo de homens se encontra na Floresta da Ressurreição para resgatar um perigoso prisioneiro que acaba de fugir da cadeia. Ele já matou mais de 40 pessoas. Inicia-se uma luta muito curiosa. Aqueles que são atingidos fatalmente caem, mas logo voltam ao combate. O Prisioneiro sobrevive ao chumbo grosso das pistolas e terá que duelar com O Homem, que está sedento pelo sangue da Garota, o único líquido capaz de abrir o portal. Será um festival de porradas, golpes de artes marciais fantásticos e de sangue. Apenas um sobreviverá.

Quando assisti a este filme pela primeira vez, minha bagagem de cinema oriental de horror era quase nula, e o que aconteceu foi uma atração imediata, achei ele muito foda. Nunca tinha imaginado zumbis samurais; as lutas são muito bem coreografadas, dá a impressão que querem realmente um acertar a cara do outro; e o nonsense das tretas contra os zumbis eram de tirar o fôlego.

Capa do DVD

Sim, tudo isso ainda é verdade, mas, ao ver o filme pela segunda vez, a animação cai consideravelmente, porque afinal o grande atrativo dele é o nonsense, a sangueira, e algumas situações e diálogos inusitadas e inesperadas. Quando o assistimos de novo, já vimos todas aquelas situações antes, então toda aquela empolgação some um pouco, e sentimos falta de pelo menos um pouco mais de história.

A história… Bom, na verdade não existe uma história, só uma desculpa para o diretor realizar cenas de violência, muito legais por sinal. Arrisco até a dizer, que se o filme for visto sem legendas por alguém que não entende nada de japonês, ele pode ser curtido numa boa.

Existem 666 portais para o inferno… Não existe coisa mais batida do que usar o número 666 para qualquer coisa. O portal em questão no filme é o 444, o que pelo menos no Japão parece ser também uma referência óbvia, já que o número 4 por lá representa a morte.  Então, a falta de cuidado com a história é clara.

Mas quer saber? Não importa, o filme é ótimo de assistir, bem daquelas diversões de assistir, dar risada, e falar, “noooossa, que legal”, junto com uma galera que curta produções despretensiosas. E não passa disso, delírio visual empolgante, um filme para ver, se divertir, mas é uma empolgação que só é totalmente efetiva quando o assistimos pela primeira vez. Tentar arriscar uma trama mais complexa tiraria todo o charme do filme.

Pois o filme tem estilo, um estilo que na verdade é a mistura (muitas vezes beirando ao plágio na cara dura) de muitos outros elementos tanto de cinema quanto de games, para criar personagens cool típicos da era pós-Matrix. Os zumbis muitas vezes aparecem como um simples incômodo, já que os personagens lidam com eles como se estivessem enfrentando uma gangue rival, sem nem ligar muito para o fato que são pessoas mortas saindo da terra diante dos seus olhos.

O protagonista de VERSUS

O personagem principal (Tak Sakaguchi) tenta ser uma espécie de clone do Neo de MATRIX, é o cara superfodão que pode arrebentar todo mundo. A mocinha tá lá, mas praticamente só porque o roteiro obriga, ela não faz falta nenhuma. O grande vilão da história é um espírito que busca vingança, mas pra falar a verdade, os personagens coadjuvantes (bandidos, policiais, e etc.) são os que melhor funcionam no filme. Um dos bandidos em especial, por ser cheio de trejeitos e comportamento claramente narcisista, rouba todas as cenas em que aparece. Muitas pessoas podem torcer o nariz para sua atuação exagerada, mas na minha opinião caiu muito bem no contexto do filme.

Vale ressaltar que, nenhum dos personagens tem nome no filme, mas não é por nenhum motivo artístico como, por exemplo, os personagens dos livros do José Saramago, e sim porque isso não faria diferença nenhuma. Apenas o ator principal é que é chamado algumas vezes de prisioneiro KSC2-303.

Os zumbis têm algumas particularidades interessantes, desde o começo, onde eram zumbis samurais, até o resto do filme, todos eles conseguem usar armas, sejam espadas ou revólveres, o que neste filme, de certa forma contribui para que as lutas sejam mais divertidas.

Sim, porque, se o filme for visto sem pretensões, ele se torna uma diversão até, de certa forma, surpreendente, pois é uma história bizarra executada de forma bizarra. Mas numa segunda olhada, quando já conhecemos toda a condução, pode se tornar até de certa forma monótono.

Em 2003 foi lançando ULTIMATE VERSUS, versão estendida do filme com mais 10 minutos de pancadaria.

O diretor Ryuhei Kitamura é conhecido por filmes como ARAGAMI, AZUMI, GODZILLA: FINAL WARS, e em 2008, já contratado pela indústria americana, dirigiu o filme MIDNIGHT MEAT TRAIN (no Brasil, O ÚLTIMO TREM), competente adaptação de um conto de Clive Barker de mesmo nome, encontrado em um dos volumes dos seus Livros de Sangue.

                                                                  Escrito por Renato Batarce.

COLIN (Marc Price – 2008)

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Acho que todos concordam que a grande maioria dos filmes de zumbis caiu na mesmice já faz muito tempo… Os roteiros são os mais previsíveis do mundo, e me parece que a única diferença entre eles é se os zumbis vão ser inteligentes ou não, se vão correr ou tropeçar por aí, se comem apenas o cérebro ou o corpo todo das suas vítimas e mais um punhado de clichês que já encheu o saco até do fã mais carniceiro, ávido por tripas cenográficas e sangue de xarope de milho…

Mas vira e mexe aparece um filme inusitado, com um pouco mais de originalidade, provando que basta criatividade para salvar um filão tão explorado como o dos filmes de zumbis. Foi assim com a ótima comédia inglesa SHAUN OF THE DEAD de Edgar Wright (conhecido por aqui com o título ridículo e oportunista TODO MUNDO QUASE MORTO), um filme feito para homenagear o gênero, justamente debochando de todos os absurdos clichês destas produções, mas sem perder o ritmo ou errar a mão na palhaçada, mantendo sempre um bom nível de matança e diversão inteligente. Mais do que recomendado para os fãs de mortos-vivos.

Poster do filme

Mas o assunto aqui é outro, e tem nome: COLIN. Este filme teve muita repercussão na mídia ano passado, graças ao seu baixíssimo orçamento, algo em torno de $ 70,00 (£ 45,00), e também por ter sido selecionado para exibição no Festival de Cannes. Barulho feito, o filme vem sendo exibido em vários festivais pelo mundo, sempre com uma boa cobertura da imprensa, que não cansa de alardear sobre o orçamento do mesmo.

E eis que COLIN e seu diretor, Marc Price, aportaram aqui no Brasil, para uma exibição seguida de bate-papo, integrando a mostra não-competitiva de longas do 4º CineFantasy – Festival Curta Fantástico, ocorrido em novembro de 2009. Eu estava por lá para conferir, e posso dizer que o filme é realmente muito bom, inovador e interessante, e que Marc Price é um cara legal, que parece ainda não reconhecer o valor de sua obra, seja por humildade ou simplesmente porque caiu de pára-quedas na rota da indústria cinematográfica e dos festivais.

Ele mesmo endossa essa opinião, pois falou para todos os presentes na sessão que nunca teve a pretensão de ser cineasta, e que fez o filme por diversão, de forma totalmente independente e amadora. Se bem me lembro, Marc Price disse ser formado em artes plásticas, e gravou o filme ao longo de mais de dois anos, apenas nos fins de semana, com pessoas que se inscreveram como voluntários para o projeto através do Facebook e Myspace. Alguém perguntou a ele qual câmera havia utilizado para fazer o filme, e o mesmo confirmou o que se pode ler em alguns sites por aí, uma Panasonic mini-dv camcorder antiga, tendo usado o Adobe Premiere em um PC comum para a edição, durante todo o processo.

A história é bem simples: o protagonista, um jovem chamado Colin, está em desesperada luta pela vida durante uma infestação de zumbis. Já ferido e tentando se refugiar na casa de um amigo, acaba sendo mordido logo nos primeiros minutos da trama. É aí que está a grande sacada do filme. Depois de passar mal e desmaiar, Colin já “acorda” como um zumbi, e a partir daí o personagem vaga pelas ruas destruídas de um subúrbio da Inglaterra…

Acompanhando seus passos à procura de comida, o diretor capta nuances de sentimentos nas expressões de Colin; é realmente muito interessante ver que o morto-vivo sente medo e fome, e por vezes tem dificuldade para estabelecer relação entre seus semelhantes, até mesmo por ser um indivíduo novo no “grupo”, e é hostilizado por aqueles que são mais vorazes e violentos. Assim como no reino animal, onde é preciso confiar nos instintos para sobreviver, Colin vai aprendendo a se aproveitar de certas situações para poder se alimentar, e aos poucos vai se tornando mais persistente e selvagem.

O ritmo do filme é um pouco lento, principalmente na primeira metade da história, mas não chega a comprometer o resultado. Por ser filmado com equipamento amador, muitas vezes com a câmera à mão, o longa acaba passando uma sensação de proximidade com o espectador, e muito do que é mostrado na tela vem à nós pela ótica do protagonista. Nas cenas de ação, lembra muito os registros de reportagens policiais, durante manifestações turbulentas ou quando irrompe um tiroteio durante a matéria… Um verdadeiro pandemônio.

Duas cenas merecem destaque: uma delas é extremamente claustrofóbica, se passa numa casa lotada de zumbis, onde poucas pessoas tentam desesperadamente se defender do ataque deles. Outra é no fim de uma grande e sangrenta batalha, em que um grupo de pessoas que caçam os mortos-vivos faz o balanço da carnificina, e basta dizer que não há possibilidade de feridos voltarem para casa.

Este filme merece ser visto por quem gosta de cinema independente, filmes de horror e por todos aqueles que apreciam cinema não só como entretenimento escapista,  mas também como forma de expressão artística. É muito bom ver até onde um cineasta pode chegar com um orçamento tão limitado, mas com muita vontade de inovar. Fica a torcida para que Marc Price resolva nos presentear com mais um grande filme em breve; incentivo da mídia e dos fãs ao redor do mundo é o que não vai faltar.