Mostra “20 Anos de Takashi Miike”, de 17/08 a 28/08

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Começa hoje na cidade de São Paulo a mostra “20 Anos de Takashi Miike”, no Centro Cultural Banco do Brasil, com a exibição de 20 obras do cineasta.

Oportunidade perfeita para quem deseja ver ou rever os filmes deste excelente diretor em cópias de 35mm (com exceção do média metragem IMPRINT, que será exibido em Beta Digital), a preços módicos.

Acessem o site da mostra e vejam a programação, não percam esta oportunidade de conferir os delírios visuais de Miike com a melhor imagem possível! Veja o site da mostra AQUI.

OBS: Dia 27 de Agosto ocorrerá a pré-estréia nacional do mais novo filme do cineasta, ICHIMEI, com exibição em 3D no Cinemark do Shopping Metrô Santa Cruz (somente esta sessão terá cobrança de ingresso convencional com a tabela de preços do local). Após a sessão, ocorrerá uma vídeo conferência via Skype com Miike.

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I DRINK YOUR BLOOD (David E. Durston – 1970)

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Mais uma pedrada que o Batata coloca aqui no blog! A década de 70 foi realmente uma maravilha!

I DRINK YOUR BLOOD é um horror exploitation daqueles que nos deixa felizes pelos anos 70 terem existido. Sangue, satanismo, sexo, drogas, sadismo, tudo bem explícito e da maneira mais chocante que os responsáveis conseguiram exibir na época.

Sem piadinhas ou humor negro, I DRINK YOUR BLOOD foi planejado pra chocar e incomodar, principalmente na época em que foi feito, com temas que incomodavam muitos americanos.

Lançado em 1970, o filme mostra uma caravana de hippies satanistas, cujo líder se autoproclamava filho do Demo. Eles chegam nas proximidades da pequena cidade de Valley Hills, com apenas 40 habitantes e, durante um de seus cultos, são observados por uma garota local. Quando se dão conta da presença da menina, ela é perseguida, espancada e violentada (apesar de não falarem diretamente em estupro, fica claro que foi isso que ocorreu).

Quando o grupo chega à cidade, ocupam uma das muitas casas abandonadas. Em uma cidade quase abandonada, claro que um grupo de pessoas de fora chama atenção, principalmente por seu comportamento incomum. O avô da garota atacada vai tirar satisfações com o bando, e os encontra torturando um de seus membros. O velho é subjugado e dopado com LSD, e seu neto de 10 anos observa tudo.

O filme já prende a atenção desde o começo, mas a partir desse ponto que ele realmente começa. Decidido a se vingar, o garoto injeta sangue de um cão raivoso que ele matou em tortas de carne da padaria local. Ele vende as tortas para o grupo de hippies, e começa uma epidemia incontrolável.

Não são zumbis, são pessoas com o vírus da raiva. Nervos descontrolados, ataques de violência, boca espumante e hidrofobia. Essa doença age de formas e intensidades distintas em cada um do grupo. A raiva é praticamente incurável, com um pequeno número de casos resolvidos. O infectado se torna cada vez mais hostil, mas está consciente de todo o processo. Ao aparecer a hidrofobia, medo intenso de líquidos (e uma das principais armas contra os infectados no filme), a morte é praticamente certa. A raiva mata em cerca de 04 dias.

Claro que o filme tenta explorar a doença da forma mais exagerada possível. Mas é uma ótima desculpa para jogar de forma intensa na tela variadas formas de violência e sadismo. A música que é repetida em vários momentos do filme contribui também para o clima perturbador e enlouquecedor.

O filme foi dirigido por David Edward Durston, e foi seu filme de maior expressão. Ele também atua no filme em participação não creditada, como Dr. Oakes. Não conheço praticamente nenhum trabalho do resto do elenco, mas o grande destaque vai para o líder hippie satanista Horace Bones, interpretado pelo ator indiano Bhaskar Roy Chowdhury, que faleceu em agosto de 2003.

I DRINK YOUR BLOOD se tornou um sucesso em sessões Grindhouse, principalmente ao lado do filme I EAT YOUR SKIN (do diretor Del Tenney), filme de 1964 lançado apenas em 1970. O distribuidor Jerry Gross juntou os dois filmes e deu o nome de I EAT YOUR SKIN ao segundo, que originalmente se chamava apenas ZOMBIES, e também já chegou a ter títulos como ZOMBIE BLOODBATH e VOODOO BLOOD BATH.

I DRINK YOUR BLOOD é um filme para aqueles que gostam da boa e velha ultraviolência dos anos 70, aquela violência que não é apenas tripas e gore (apesar de ter muito disso também), mas é algo feito pra incomodar e mostrar o tanto que o cinema pode ser cruel e divertido.

OBS: apesar de o trailer abaixo citar I EAT YOUR SKIN, ele contém apenas cenas de I DRINK YOUR BLOOD.

Escrito por Renato Ramos Batarce.

A SERBIAN FILM (Srdjan Spasojevic – 2010)

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Quando li a primeira notícia sobre A SERBIAN FILM na internet, fiquei com um pé atrás. Anos de experiência assistindo todo tipo de bizarrice cinematográfica já me ensinaram que a maioria dos filmes que causam polêmica na mídia não me agradam muito. Na minha opinião, polêmica em excesso é sinal de picaretagem. Mas isso não é unanimidade, pois sempre existem exceções para qualquer regra. Foi assim com o excelente IRRÉVERSIBLE, dirigido por Gaspar Noé em 2002. Um dos filmes mais tensos e brutais que já tive notícia, contendo uma longuíssima cena em que a protagonista (interpretada de forma visceral pela musa Monica Bellucci) é estuprada e espancada dentro de um túnel em Paris por aproximadamente 10 minutos, em um plano-sequência angustiante, feito com a intenção de chocar o mais sádico dos espectadores. IRRÉVERSIBLE ganhou notoriedade na mídia após ter sido um dos filmes integrantes da seleção oficial do Festival de Cannes de 2002, esvaziando as sessões em que foi exibido (algumas pessoas inclusive paravam de ver o filme bem antes, durante a cena com o extintor de incêndio na casa noturna).

Tendo isto em mente, comecei a buscar mais informações sobre o filme, e vi que o roteiro tinha algo a ver com filmes snuff, pornografia e até pedofilia. E é tratando sobre estes singelos assuntos que o diretor sérvio Srdjan Spasojevic fez barulho na mídia, arrebatando uma legião de fãs ao redor do mundo, assim como opositores enfurecidos.

O filme mostra a vida do ex-astro pornô Milos (Srdjan Todorovic, mediano), que já estando com certa idade, tenta levar uma vida pacata com sua esposa e seu filho pequeno. Após se encontrar com uma antiga amiga, recebe uma proposta para trabalhar novamente em um filme pornográfico, que promete ser um projeto diferente de tudo que ele havia feito anteriormente. O protagonista se encontra com o diretor do filme, Vukmir (Sergej Trifunovic, em atuação inspirada), aparentemente um excêntrico milionário fissurado pela figura de Milos. A quantia oferecida ao ex-ator é muito alta, fazendo com que ele resolva estrelar o filme. Vukmir faz apenas duas ressalvas a Milos: informa que ele não ficará sabendo do roteiro do filme até o exato momento das filmagens e pede para que o mesmo aja sempre naturalmente, como se as situações encenadas pelo resto do elenco estivessem ocorrendo na vida real.

Como vocês podem ver, o roteiro é simples, mas interessante. E poderia ter sido bem melhor aproveitado pelo diretor. Digo isso porque a partir do momento que o protagonista visita o primeiro set de filmagem, começa a se dissipar o clima de suspense da película, e a inaptidão de Spasojevic começa a ficar aparente.

Uma coisa precisa ficar clara neste momento: não sou de forma alguma defensor dos bons costumes e da moral quando o assunto é cinema. Posso citar inúmeras obras que considero verdadeiros clássicos, mas que possuem cenas repulsivas, imorais, pornográficas e afins. Que fã de cinema extremo não gosta de CANNIBAL HOLOCAUST, obra-prima de Ruggero Deodato, que possui cenas reais de animais sendo mortos? Ou PINK FLAMINGOS, de John Waters, em que a drag queen Divine saboreia um petisco que acaba de ser “servido” por um cachorro na calçada? Poderia citar diversos filmes aqui, cada qual com seu quinhão de nojeiras, violência, nudez e sexo gratuitos, porém o que salva estas obras, e em muitos casos até as torna indispensáveis, é a habilidade do diretor ao conduzir a história, seja ela qual for.

E é isso que acabei sentindo falta em A SERBIAN FILM. Com uma premissa dessas, Srdjan Spasojevic poderia ter realizado um filme excelente, mesclando suspense, tensão e violência na trama, e mesmo que o intuito fosse chocar o espectador, não faltariam oportunidades de fazê-lo. Porém me parece que o diretor simplesmente se limitou a imaginar o que seria a coisa mais ofensiva que poderia colocar na tela, e depois tentar superá-la com algo ainda mais infame.

Muito da polêmica que acompanha o filme mundo afora se deve ao uso de crianças em algumas cenas mais pesadas, de caráter sexual. A cargo disso, o diretor vem recebendo acusações de promover a pedofilia com sua obra.

Não concordo com estas acusações, pois em momento nenhum o filme se presta a enaltecer este tipo de crime hediondo; muito pelo contrário, o protagonista desde o princípio da trama se mostra avesso às imagens de uma pré-adolescente exibidas em um telão durante uma das cenas pornográficas que ele grava, mesmo que nas imagens a jovem não faça nada mais do que se maquiar e chupar um picolé. O desconforto gerado pelas imagens é grande, pois apesar de mostrarem ações inocentes por parte da garota, ganham uma conotação erótica ao serem exibidas no momento em que Milos está em ação.

Uma das idéias mais interessantes de A SERBIAN FILM é a forma como trabalha o diretor que contrata Milos. O protagonista sempre é chamado para sua mansão momentos antes do início das gravações, é escoltado de olhos vendados por seguranças até as locações e ganha um ponto eletrônico para receber instruções de Vukmir sobre como proceder durante as cenas nas quais atuará. Todo o elenco já se encontra no local, encarnando seus personagens, e vários operadores de câmera estão devidamente posicionados nas dependências. Tudo para que Milos possa ter a reação mais natural possível ao que irá ocorrer.

A partir daí Milos é colocado em situações cada vez mais desagradáveis durante as gravações, que envolvem mulheres sendo espancadas, sexo violento e a presença da suposta filha de uma das atrizes durante as cenas, a mesma garota dos vídeos exibidos no telão. E no momento em que o ator, atormentado por sua consciência, decide sair da produção, seu mundo se torna um verdadeiro inferno. É chegada a hora da cena mais polêmica do longa, que envolve o abuso de um recém nascido (é preciso dizer que, apesar de ser uma cena de extremo mau gosto, o diretor teve a decência de utilizar um boneco animatrônico para executá-la, e que o abuso não é mostrado explicitamente, tendo sido filmada de um ângulo indireto).

A violência cresce exponencialmente nos próximos minutos do longa, e a meu ver é banalizada a ponto de tirar o interesse do espectador na trama. Mutilações, torturas e estupros acontecem em meio à confusão mental de Milos, que acaba drogado e desorientado, tentando solucionar um mistério do qual ele agora faz parte.

Por mais apelativo que seja, o final do filme reserva uma surpresa ao espectador. Não sei como foi feita a última sequência, mas esta sim me pareceu a única cena a utilizar a imagem de uma criança de forma inapropriada. Um verdadeiro soco no estômago dos que não estão acostumados a assistir filmes com violência extrema como este.

Recomendo àqueles que quiserem assistir ao filme, que procurem pela cópia feita a partir do arquivo de divulgação (screener copy) disponível para download na rede, que embora tenha marcas d’água constantes na imagem, e outra ainda maior que aparece de vez em quando durante o filme, tem uma boa imagem e não possuí cortes ou qualquer tipo de censura. AQUI vocês podem ter uma idéia da censura imposta no filme para o lançamento do DVD no Reino Unido.

Srdjan Spasojevic já vem enfrentando grandes problemas com o governo da Sérvia, que o acusou de uso imoral de crianças num filme, e também em outros países onde A SERBIAN FILM tem sido exibido, pois embora o filme tenha ganhado o Prêmio Especial do Júri no Fantasporto 2011, acabou sendo retirado de alguns festivais como o British Horror Film Festival e a mostra Film 4 Frightfest. Agora pesa sobre o tradicional Festival de Sitges e seu diretor, Angel Sala, a acusação de promoção à pornografia infantil, após a exibição do filme.

Na última Sessão do Comodoro, que ocorreu nesta quarta-feira dia 09/03 no CineSESC, como sempre capitaneada pelo cineasta Carlos Reichenbach, houve o anúncio de que talvez o filme seja exibido na próxima edição do evento, que acontecerá em Maio.

A SERBIAN FILM é apenas mais um exemplar de shock film, que se utiliza de cenas extremamente repulsivas ou violentas para chamar a atenção do público e mídia. Pelo visto a fórmula ainda funciona. Só espero que o diretor estreante Srdjan Spasojevic realize obras mais relevantes do que os igualmente superestimados O ALBERGUE e CABANA DO INFERNO, ambos do picareta de mão cheia Eli Roth, pois tudo o que menos precisamos é de um clone dele fazendo filmes nos Balcãs.

Mostra “Satoshi Kon – O Mestre dos Sonhos”, de 25/01 a 30/01

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Satoshi Kon

Em 24 de Agosto de 2010 o mundo perdeu um dos maiores artistas da indústria de animação japonesa contemporânea, Satoshi Kon, vítima de um câncer no pâncreas aos 46 anos de idade. O visionário diretor deixou uma obra pequena em quantidade, mas imensa no que se refere à qualidade, competência e relevância artística.

Tendo dirigido apenas 04 longas e uma série de TV com 13 episódios ao longo dos últimos 12 anos, Satoshi Kon conseguiu atrair a atenção do público e da crítica, ao criar belas histórias que se valiam de tramas muito bem engendradas e inteligentes, tendo predileção por roteiros de apelo fantástico e onírico, contendo críticas à sociedade japonesa atual, com personagens complexos, dotados de fraquezas e defeitos.

Começa a partir de amanhã no Centro Cultural São Paulo a Mostra “Satoshi Kon – O Mestre dos Sonhos”, que conta com a exibição de todos os filmes do diretor e a série Paranoia Agent na íntegra, assim como o média metragem MAGNETIC ROSE, escrito por Satoshi Kon em conjunto com Katsuhiro Otomo (o gênio por trás da obra-prima AKIRA) e ROUJIN Z, no qual ele foi responsável pela animação.

Não percam a oportunidade de prestar homenagem à memória do mestre Satoshi Kon, assistindo na telona obras máximas como PAPRIKA e TOKYO GODFATHERS!

Segue abaixo a relação de filmes e suas sinopses, a programação no site do Centro Cultural São Paulo pode ser vista AQUI. Recado dado!

Mestre Satoshi (1963 - 2010)

 

PERFECT BLUE

(Pafekuto Buru, Japão, 1998, 80min)
direção: Satoshi Kon
Mimi deixou sua carreira de cantora para se tornar atriz, mas seus fervorosos fãs não gostam da mudança. Estressada e em dúvida, ela começa a ter lapsos de memória e, além disso, seus amigos começam a ser assassinados.

Perfect Blue

MILLENIUM ACTRESS

(Sennen Joyu, Japão, 2001, 87min)
direção: Satoshi Kon
Vida e carreira da atriz Chiyoko Fujiwara. O filme revela a partir de flashbacks dos filmes que estrelou o verdadeiro motivo que levou a artista a seguir carreira nos cinemas.

Millenium Actress

TOKYO GODFATHERS

(idem, Japão, 2003, 92min)
direção: Satoshi Kon
As vidas de três mendigos são transformadas para sempre quando eles encontram um bebê abandonado no lixo na véspera de Natal em Tóquio. Com o Ano Novo se aproximando, os três se unem para desvendar o mistério.

 

PAPRIKA

(Papurika, Japão, 2006, 90min)
direção: Satoshi Kon
Num futuro próximo, Dr. Tokita inventa um poderoso aparelho chamado DC-Mini, que torna possível o acesso aos sonhos das pessoas. Antes de seu uso ser sancionado pelo governo, o aparelho é roubado.

Paprika

MAGNETIC ROSE

(idem, Japão, 1995, 45min)
direção: Koji Morimoto
Curta-metragem escrito por Satoshi Kon que faz parte do longa-metragem MEMORIES. Na animação, três astronautas vão parar em uma nave abandonada no espaço que contém um mundo inteiro dentro dela, criado pelas memórias de uma mulher.

 

ROUJIN Z

(Rojin Zetto, Japão, 1991, 80min)
direção: Hiroyuki Kitakubo
A população do Japão está envelhecendo rapidamente e o governo propõe uma solução para diminuir os gastos com saúde: uma cama eletrônica que forneça ao paciente o mesmo que uma enfermeira de verdade possa oferecer. O senhor Takazawa é escolhido como cobaia, mas uma enfermeira, ao perceber seu sofrimento, tenta salvá-lo. Escrito por Katsuhiro Otomo. Satoshi Kon foi responsável pela animação.

 

PARANOIA AGENT

(idem, Japão, 2004, 120min)
direção: Satoshi Kon
Série de 13 capítulos, criada pelo diretor Satoshi Kon. Produzido pelo famoso estúdio de animação japonesa MadHouse, a série é centrada num assassino serial e no fenômeno social causado pela agressividade de seus ataques. Casa episódio é centrado em personagens diferentes e em como esses eventos influem em suas vidas.

DAS EXPERIMENT (Oliver Hirschbiegel – 2001)

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Este filme que o Batata recomendou parece ser bem tenso… Ia assistir o americano, pois não sabia que se tratava de regravação, mas com certeza esse deve ser mais interessante. Leiam a resenha dele, assistam e tirem suas conclusões!

Em grande parte, o cinema alemão foi marcado pelas duas grandes guerras. Com o fim da primeira guerra mundial, surge o cinema expressionista alemão; filmes de temática pessimista, fotografia sombreada, e personagens sofridos, deprimidos, em uma realidade desesperadora de cenários distorcidos como pesadelos, que era o clima pós-guerra. Grandes obras desse gênero são DAS KABINETT VON DR. CALIGARI (1920 – Robert Wiene), SCHLOß VOGELÖD (1921 – F.W. Murnau), NOSFERATU (1922 – F.W. Murnau), FAUST – EINE DEUTSCHE VOLKSSAGE (1926 – F.W. Murnau), METROPOLIS (1926 – Fritz Lang), entre outras. Mas maior ainda foi o impacto da segunda guerra mundial.

Se o cinema de horror alemão antes era simbolizado pelo expressionismo, atualmente seu grande forte é o horror psicológico que, direta ou indiretamente, quase sempre aborda o nazismo.  Não é raro assistir a um filme alemão que tenha a frase “Seu maldito nazista”.

E é com essa introdução que começo a falar sobre esse filme, DAS EXPERIMENT, lançado no Brasil pela Europa Filmes com o nome de A EXPERIÊNCIA (por favor não confundir com o outro filme A EXPERIÊNCIA, THE SPECIES de 1995), e baseado no romance Black Box de Mario Giordano; um dos roteiristas do filme, e dirigido por Oliver Hirschbiegel.

DAS EXPERIMENT trata de uma experiência de duas semanas em um presídio, com voluntários escolhidos aleatoriamente através de um anúncio no jornal. As únicas informações que possuem, além da quantia que irão receber, é que alguns serão guardas, alguns serão prisioneiros, serão monitorados 24 horas, e poderão passar por situações extremas.

Os papéis de cada um são definidos através de entrevistas, daí o jogo começa. Os guardas são informados que devem manter a ordem, porém sem usar de violência. Os prisioneiros são levados até suas celas, tudo num clima de brincadeira, pois sabem que tudo não passa de um jogo. Entre os prisioneiros, encontra-se Tarek Fahd (Moritz Bleibtreu), um taxista, ex-jornalista, que vê na experiência uma oportunidade de escrever a matéria que poderá representar seu retorno à antiga profissão.

Basta um dos prisioneiros recusar-se a tomar leite para que a bomba relógio seja ligada. Os guardas tentam se impor, os prisioneiros se tornam insubordinados e provocam caos na prisão. Após um breve momento de desnorteio, os guardas passam a utilizar a arma da qual eles dispõe já que não podem ser violentos: humilhação.

A partir daí, o filme torna-se cada vez mais tenso, agressivo, o clima no presídio torna-se de desespero e medo, e tudo acontece tão rápido e de forma tão intensa, que até mesmo alguns dos cientistas passam a se questionar sobre a experiência. Tarek, com sede de escrever uma grande história, provoca os guardas como pode, o que poderia para alguns soar até heróico, mas na minha opinião são atos totalmente egoístas que apenas prejudicam seu próprio grupo. Justamente devido a esse comportamento, os cientistas consideram Tarek uma das peças chave da experiência, juntamente com Berus (Justus Von Dohnányi), que se torna uma espécie de líder dos guardas megalomaníacos.

O filme prende a atenção, mas confesso que acho totalmente desnecessária a presença da personagem Dora (Margen Eggert), o interesse amoroso (não sei por que, já que se viram apenas uma noite e ela é realmente chata) do protagonista. As cenas em que ela aparece são extremamente excessivas e quebram totalmente o ritmo do filme. Pra falar a verdade, se ela tivesse apenas uma cena já seria um excesso. Mesmo ao final, ela não faz diferença nenhuma no filme.

Tarek

 Um detalhe um pouco exagerado (que, diga-se de passagem, não existe no livro) são os óculos de espião que Tarek usa. Quando ele vai até um amigo que os entrega, parecia James Bond recebendo um acessório, e achei que não combinava muito com o clima mais realista que o filme tentava levar. Apesar disso, até que os óculos proporcionam momentos interessantes. Reparem que, sempre que Tarek tenta ter uma conversa mais amigável com alguém, ele tira os óculos, como que para proteger sua intimidade.

Como eu havia comentado anteriormente, as referências ao nazismo são praticamente explícitas, com guardas tratando da forma que entendem os prisioneiros, se sentindo a própria raça superior. E como eu havia citado antes, não falta o grito de “nazista nojento!”.

O ator Moritz Bleibtreu é um dos maiores astros da Alemanha, e como pode ser visto no filme, o cara realmente não é nada mal na atuação. No Brasil ele é mais conhecido por seu papel como o namorado de Lola em CORRA LOLA CORRA (LOLA RENNT de 1998). Já Justus Von Dohnányi pode ser visto interpretando o General Wilhelm Burgdorf no filme A QUEDA: AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER (DER UNTERGANG de 2004), também dirigido por Oliver Hirschbiegel. Aliás, é difícil de acreditar que o mesmo diretor de dois filmes tão bons, tenha dirigido também A INVASÃO (THE INVASION de 2007), pavorosa refilmagem de VAMPIROS DE ALMAS (INVASION OF THE BODY SNATCHERS de 1956), com Nicole Kidman e Daniel Craig.

Entre os prêmios que DAS EXPERIMENT recebeu, estão o de Melhor Diretor no Festival de Montreal, de Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Direção de Arte (Andrea Kessler, Uli Hanisch), todos esses prêmios da Academia de Cinema da Alemanha (The Golden Lola). Além de tudo foi a seleção oficial da Alemanha na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2002.

Como já é de praxe com os bons filmes de língua não-inglesa, DAS EXPERIMENT ganhou uma refilmagem em 2010, chamada THE EXPERIMENT (no Brasil, DETENÇÃO), com Adrian Brody e Forest Whitaker. Ainda não assisti, mas é difícil imaginar um resultado positivo em um filme hollywoodiano em uma história que tem a essência tão cravada na Alemanha quanto esta.

Bom, apenas para finalizar, vale citar que a história foi baseada no “Experimento da Prisão de Stanford”, que foi um experimento real realizado em 1971. E fica a dica, mesmo para quem viu ou pretende ver a refilmagem, não deixem de dar uma olhada no original.

Escrito por Renato Batarce.

THE UNTOLD STORY (Herman Yau – 1993)

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Deve fazer uns 10 anos que assisti THE UNTOLD STORY pela primeira vez. Na época, assim que acabou de rodar, rebobinei o VHS e vi de novo. Sempre que revejo este filme, tenho a mesma sensação: é um dos filmes mais insanos e divertidos que já vi. Hong Kong realmente não costuma decepcionar.

Os primeiros dois ou três minutos do filme são preenchidos com o passado do protagonista Wong Chi Hang, interpretado de forma brilhante por Anthony Wong, que inclusive recebeu o prêmio de Melhor Ator no Hong Kong Film Awards de 1993 por esta atuação. Na cena vemos uma briga ocorrida em Hong Kong por razão de uma dívida criada em um jogo de Mahjong, e ao ser informado de que não receberá mais dinheiro emprestado de seu amigo, Wong Chi Hang se enfurece, e não só agride seu credor como começa a destruir a casa do pobre homem, que espancado e subjugado, é queimado vivo por ele.

Foragido, Wong Chi Hang se muda para Macau (é nesta ocasião que ele tira outros documentos e troca sua identidade para a atual), e passa a viver aparentemente de forma tranqüila nos próximos anos.

Em uma calma manhã, duas crianças brincam na praia e encontram um saco com membros humanos dentro. A polícia é chamada, e o que parecia ser um filme de gênero policial sério, descamba para um pastelão com humor típico chinês. Os policiais encarregados da investigação são os maiores fanfarrões, preguiçosos e burros que a polícia poderia dispor, e o chefe deles, o oficial Lee, é um superior displicente, que se preocupa mais com as prostitutas que vive contratando e exibindo na delegacia do que com o rumo das investigações.

O foco retorna para Wong Chi Hang, agora gerenciando seu recém adquirido restaurante, especializado em tradicionais bolinhos chineses de carne de porco. Nesse ponto alguns espectadores podem achar que foram enganados pela premissa do filme, mas aí começa a loucura. Como disse antes, Anthony Wong é um ótimo ator, e ele se esforça para convencer o espectador de que é um verdadeiro demente, tamanha é a expressão de insanidade no rosto do personagem.

Wong Chi Hang maltrata os empregados e clientes do restaurante, e passa a maior parte do tempo na cozinha desossando porcos para fazer os bolinhos. Algumas cartas chegam para o antigo dono do restaurante, que desapareceu misteriosamente com toda sua família, e são recebidas pela recepcionista, que começa a desconfiar desta situação.

Mesmo com toda a incompetência dos policiais (que são uma diversão à parte no longa, cada um mais imbecil que o outro), algumas cartas reportando o desaparecimento da família são recebidas na delegacia, e após uma breve averiguação no restaurante, o protagonista passa a ser suspeito de tê-los assassinado, e não demora muito para ligarem o saco com os membros humanos ao desaparecimento da família.

Dito isso, vamos ao que interessa. Este é um dos filmes mais violentos que já vi, com cenas que apesar de simples, e até mesmo toscas, impressionam pela morbidez das ações e pela forma crua como são filmadas e interpretadas. Há uma quantidade enorme de sangue espirrando, tripas sendo arrancadas, carne dilacerada e desmembramentos durante o filme. Esqueçam estes filmecos de hoje em dia, em que a cada 05 minutos uma cabeça explode, ou uma colegial seminua é esfaqueada, ou algum tipo de tortura “super criativa” é executada em alguém, sem que ninguém atente para o fato de que é necessário o mínimo de história para que o espectador de fato fique chocado com o que é mostrado na tela. A falta de cérebro, os orçamentos gigantescos e o CGI estão matando o cinema!

Os efeitos do filme são em sua maioria muito bem feitos, apenas um braço ou uma perna eventualmente filmados em close-up tem uma aparência emborrachada e tosca, mas estamos falando de uma produção de Hong Kong… O que mais chama atenção é a cor do sangue usado nas cenas de mutilação ao longo do filme, que é de um vermelho-tinto muito vivo; embora eu não ficasse surpreso se descobrisse que foi usado sangue de porco na produção, uma vez que boa parte do filme se passa no açougue do restaurante de Wong Chi Hang, e aparentemente as tripas usadas durante a evisceração de uma das vítimas sejam realmente miúdos de porco.

A figura do protagonista é perturbadora nas cenas de assassinato, estupro e chacina que permeiam a história. A violência vem em doses cavalares, e é sadicamente criativa: olhos perfurados, mãos queimadas em água fervente, decapitações, garrafadas, automutilação, agulhadas, penetração com chopsticks e tortura psicológica.

Uma das cenas mais tensas envolve algumas crianças pequenas, e do jeito que a molecada chora, deviam estar acreditando que iam realmente virar picadinho… Anthony Wong até esbofeteia um dos moleques (esse tipo de sacanagem parece que era meio comum no cinema italiano e asiático da década de 70 e 80, vide FEIOS, SUJOS E MALVADOS e O IMPÉRIO DOS SENTIDOS).

Notáveis também são as seqüências que se passam na prisão, em que um grupo de presos surra e tortura repetidamente Wong Chi Hang. Quem está acostumado com os filmes de ação asiáticos, especialmente os de Hong Kong (desde as comédias de Kung Fu que marcaram o início da carreira de Jackie Chan até os truculentos filmes policiais dirigidos por John Woo na década de 80 e 90), sabe que em matéria de pancadaria eles são insuperáveis. Os dublês não economizam esforços para passar a idéia de que realmente estão moendo o infeliz na base da porrada.

Enfim, THE UNTOLD STORY é um filme que agrada em cheio aos fãs de bizarrices asiáticas, com sua inusitada mistura de comédia, perseguição policial e filme gore. Talvez seja mais indicado aos iniciados em cinema extremo, pois não é um filme que poupa o espectador ao mostrar as atrocidades praticadas pelo protagonista. Como diria um amigo meu: “Este é um dos maiores filhos da puta que o cinema teve o trabalho de retratar”.

Infelizmente, o filme é baseado em crimes reais que ocorreram em Macau em 1985, e na medida do possível, os fatos parecem ter sido retratados de forma bem fiel ao que realmente aconteceu, tendo sido mantido até mesmo o nome do assassino real, Wong Chi Hang. Talvez por isso o filme tenha recebido uma classificação etária equivalente ao nosso “Não recomendado para menores de 18 anos” ao ser exibido nos cinemas da China, e tanto o VHS distribuído em Hong Kong quanto o Laser Disc lançado no Japão, foram censurados em várias seqüências (para maiores detalhes da censura, dêem uma olhada AQUI). No entanto, o DVD disponível do filme possui a obra na íntegra, sem cortes.

PS: Os bolinhos chineses de carne de porco são chamados nos países de língua inglesa de pork chop buns, e um dos nomes pelo qual o filme é conhecido é HUMAN PORK CHOP. Acho que dá para imaginar o que tinha no recheio dos saborosos bolinhos…

13 BELOVED (Chukiat Sakveerakul – 2006)

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Mais uma resenha do Batata, dessa vez, um filme tailandês muito criativo, conhecido por vários nomes… Assistam!

Imagine que, você foi demitido; seu colega mau caráter foi promovido; você é sozinho; seu carro foi guinchado; está devendo ao banco, e, de repente sua mãe liga dizendo que está precisando muito de dinheiro. Infelizmente nos dias de hoje pode não ser algo incomum de acontecer, e o fato é, que muitas pessoas acabam com a própria vida por menos que isso; mas e se tudo isso pudesse mudar com um telefonema?

Foi o que aconteceu com Pusit (Krissada Terrence), protagonista de 13 BELOVED, também conhecido como 13 GAME SAYAWNG, e lançado no Brasil com o nome de 13 DESAFIOS pela Alpha Filmes.

Poster do filme

No filme, Pusit passa por todas as situações citadas anteriormente. Totalmente deprimido, recebe uma ligação onde é informado que foi selecionado para um game show, onde deverá cumprir 13 desafios, um mais difícil que o outro, sendo recompensado com quantias cada vez maiores de dinheiro ao cumprimento de cada uma. Após cumprir o primeiro desafio, que é simplesmente matar uma mosca, Pusit recebe imediatamente uma mensagem no celular, onde é informado que houve um depósito em sua conta.

A partir daí o protagonista entra definitivamente no jogo, que, segundo é informado, está sendo assistido por milhares de pessoas. Para permanecer competindo deve seguir 03 regras: Se desistir, perde tudo; se contar a alguém, perde tudo; e se tentar descobrir quem são os responsáveis pelo jogo; perde tudo.

Os desafios não se tornam apenas difíceis, mas são cada vez mais cruéis e em certas ocasiões humilhantes, levando o protagonista ao limite. O interessante, é que nunca deixamos de torcer pelo seu sucesso, mesmo nos desafios mais extremos, sabemos que se trata de um homem desesperado, que está agarrando sua última chance na vida de obter não apenas segurança financeira, mas também a chance de se sentir um vencedor a qualquer preço. São provas extremas, mas muitas vezes nos perguntamos, será que faríamos diferente na mesma situação? Afinal, refletindo bem, existem pessoas que poderiam fazer pior por menos.

O filme é ágil, com uma cena de ação bem dirigida, que se passa dentro de um ônibus, e uma trilha sonora que consegue passar uma carga emocional densa nos momentos mais extremos. O final é excelente, surpreendente, com uma pitada de crítica antiamericana (tipo, “pelo menos não somos tão frios quanto vocês”), o que torna irônico o fato de que uma refilmagem do filme já foi anunciada pela Weinstein Company. Surpreendentemente, acho que a grande falha do filme, se deu em um desafio que, além de ter sido cumprido sem querer, ainda por cima teve um final excessivamente forçado e gore, que destoou do resto do filme, e ainda por cima conta com um efeito computadorizado de doer os olhos de tão mal feito.

Mas Krissada Terrence carrega o filme nas costas. Ao decorrer do filme conseguimos captar tudo em sua expressão, a determinação, o desgaste, o conflito moral, e principalmente o desespero do personagem.

Pusit

Já a atriz Achita Wuthinounsurasit, que interpreta Tawng, única amiga de Pusit, acaba dando nos nervos, como a garota que tem a intenção de fazer o herói abrir os olhos para a realidade, mas acaba se tornando uma enxerida que não compreende a situação e só piora as coisas. Além desse filme, a atriz teve uma participação não creditada em SHUTTER (no Brasil ESPÍRITOS – A MORTE ESTÁ AO SEU LADO, de 2004).

Também conta com um grupo de personagens secundários (ou até mesmo terciários) interessantes, como a ex-namorada de Pusit, o novo namorado dela, o velho louco do ponto de ônibus, a gangue do ônibus, a velhinha da cadeira de rodas, e até mesmo um policial à la Steven Seagal.

Além de uma crítica à sociedade em geral e à ganância do indivíduo, o filme cutuca também nos espectadores voyeurs, desde reality shows até snuff vídeos, que sentem obsessão não apenas em observar as vidas alheias, mas de ver os donos dessas vidas sujeitos a situações cada vez mais extremas e humilhantes. A humanidade não é uma coisa linda?

Chukiat Sakveerakul, o diretor do filme, também foi o responsável pelo roteiro, que foi baseado num mangá escrito por Eakasit Thairatana. Além disso, também roteirizou e dirigiu 12 BEGIN, que se passa antes de 13 BELOVED, e a continuação ainda não lançada, 14 BEYOND.

Recomendadíssimo, e, não se sinta mal se ficar em dúvida sobre o que faria na mesma situação. Afinal, não passamos de imperfeitos humanos.

Escrito por Renato Batarce.

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