MEET THE FEEBLES (Peter Jackson – 1989)

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Achei que esse mês seria de férias aqui no blog, mas o Batata insistiu para postar essa resenha feita por ele esses dias. Este filme é da época em que Peter Jackson ainda trabalhava com orçamento baixo, confiram:

Sexo, drogas, gore, nudez, humor negro: são todos ingredientes para mais um belo exemplar do bom e velho cinema exploitation. Mas não contente com isso, em 1989 Peter Jackson (BAD TASTE, BRAIN DEAD, OS ESPÍRITOS, trilogia SENHOR DOS ANÉIS) resolveu juntar esses singelos ingredientes num formato ainda mais bizarro: bonecos.

Sabem os Muppets? Aqueles fantoches criados por Jim Henson que ficaram mais conhecidos no Brasil por sua versão animada Muppet Babies? Então, os bonecos de Peter Jackson são exatamente nesse mesmo estilo, ora apenas fantoches, ora pessoas vestindo grandes fantasias. Agora imaginem versões dos Muppets fazendo tudo que foi citado no início do texto, e você terá MEET THE FEEBLES. Inclusive, aparentemente a idéia original de Jackson era fazer um documentário sobre os bastidores do show dos Muppets, mas após a rejeição, resolveu criar seu próprio projeto que se tornou este filme.

No filme, MEET THE FEEBLES é um espetáculo musical comandado por Bletch (uma grande morsa azul), que é casado com Heidi (uma hipopótamo), a estrela do show. Heidi porém sofre de depressão e não consegue parar de comer. Como resultado, ficou obesa e Bletch começa a traí-la com Samantha (gata), que sonha em ser a estrela do espetáculo. Além disso, Bletch também tem um negócio de tráfico de drogas correndo por fora.

Para se juntar ao show, chega Robert (porco-espinho), que é o típico personagem “certinho”, talvez o único do filme. Ele fica amigo do diretor de cena Arthur (minhoca) e se apaixona por Lucille (cadela).  Logo que Robert chega no teatro, é abordado por uma repórter sensacionalista (mosca), que está sempre á procura de histórias podres, que segundo ela mesma, são muito comuns por lá.

E isso é a mais pura verdade, vejam o caso de outros personagens: o elefante Sid está sofrendo um processo de paternidade aberto por um antigo caso seu, Sandy, a galinha; Harry, o coelho, está sofrendo de uma forte doença decorrente de suas constantes orgias com suas colegas de palco; Trevor, o rato, faz filmes sadomasoquistas no porão do teatro estrelando a vaca Daisy e o tamanduá tarado Denis; o diretor de palco é a raposa Sebastian, que sonha em apresentar novamente seu número, não importa o que a aconteça; o sapo Wyniard é atirador de facas e tornou-se viciado em drogas após lutar no Vietnã . Tudo isso acaba tornando-se uma grande bomba relógio que explode no final avassalador.

Este filme, junto com o anterior BAD TASTE (no Brasil, TRASH – NÁUSEA TOTAL) e o posterior BRAIN DEAD (no Brasil, FOME ANIMAL), são os maiores expoentes do humor negro de baixo orçamento de Peter Jackson. No caso de MEET THE FEEBLES, o filme custou 750 mil dólares, e ainda por cima tomando todas as precauções de segurança, já que o produtor avisa nos créditos que nenhum fantoche foi ferido ou morto após a produção do filme (eu sei, essa piada atualmente já é velha e clichê).  Claro que sempre tem um ou outro macete de economia; se olharem bem, na platéia cheia há apenas alguns bonecos, o resto são papelões recortados com rostos de animais.

Aliás, é possível relacionar estes três filmes através de certas referências de um em outro. Por exemplo, em MEET THE FEEBLES, quando o show começa, é possível notar que na platéia existe uma pessoa usando a máscara do alienígena comedor de carne humana de BAD TASTE; e pouco antes da cena do embalsamento da mãe do protagonista em BRAIN DEAD, do lado de fora da igreja, é possível escutar a música Sodomy, que em FEEBLES é cantada pela raposa Sebastian.

Apesar de muitos dos novos fãs de Peter Jackson não conhecerem muitos de seus trabalhos anteriores, o diretor acabou atiçando a curiosidade de alguns quando recebeu o Oscar de melhor filme por SENHOR DOS ANÉIS – O RETORNO DO REI em 2004, quando agradeceu á Academia por não ter lhe concedido o troféu por seu trabalho em BAD TASTE ou MEET THE FEEBLES. Apesar dessa brincadeira, eu continuo achando muito mais carismáticos os marionetes depravados do filme de 89, do que o tão ovacionado gorila digitalizado da sua refilmagem de KING KONG.

Escrito por Renato Batarce.

BRAINDEAD (Peter Jackson – 1992)

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Capinando na net nesta madrugada, achei um texto que escrevi no início de 2003, para um blog que desisti de atualizar por falta de paciência para escrever. Nem me lembro o nome que esse blog tinha, creio que só teve mesmo este post… Encontrei esta resenha no campo de comentários de um antigo fotolog do Batata (vai saber o que eu queria colocando uma resenha inteira em uma área destinada a comentários de fotos…)

Não alterei o texto, e algumas opiniões mudaram ao longo dos anos; o que não muda é o fato de que o filme BRAINDEAD de Peter Jackson continua sendo um dos melhores e mais carniceiros filmes de zumbis já feitos, e é sem dúvida o que conseguiu o melhor resultado misturando comédia, horror e mortos-vivos.

Segue a resenha feita em 2003. Vejam o filme e divirtam-se:

Sou suspeito pra falar deste filme, pois na minha opinião é o melhor filme de horror já feito. Claro que, você que já conhece o filme, pode discordar se este é ou não é um autêntico filme de horror, pois ao longo da produção se multiplicam as situações mais ridículas e imprevisíveis, tornando o mesmo hilário.

Classificações à parte, este é um filme que tem roteiro muito cativante e direção habilidosa, a cargo do genial Peter Jackson (mais conhecido agora por seus últimos e milionários filmes, a trilogia O SENHOR DOS ANÉIS) que no início de carreira tinha muita criatividade para driblar a falta de orçamento em suas produções.

A história começa na Ilha da Caveira, sudoeste de Sumatra, no final dos anos cinquenta, com dois idiotas capturando uma criatura conhecida como Macaco Roedor, que tem sua origem rodeada por lendas e superstições dos nativos. Os dois homens pretendem levar o animal a um zoológico neozelandês, sem ter a menor idéia do que acabariam causando com isso.

Logo nos primeiros minutos do filme, já temos cenas gore muito bem feitas, dando uma pequena idéia do ritmo insano de mutilações e desmembramentos que seguem no decorrer da produção.

Sem nenhum conhecimento deste fato, em uma pequena cidade da Nova Zelândia, vive Lionel (Timothy Balme) um nerd dominado pela mãe autoritária e superprotetora (Elizabeth Moody). Num pequeno armazém perto da casa de Lionel, trabalha Paquita (Diana Peñalver) uma jovem de origem latina que espera encontrar o amor de sua vida.

Lionel e Paquita se apaixonam, e quando as coisas parecem estar muito bem para os dois, durante um calmo passeio pelo zoológico, surge a mãe de Lionel, que segue os dois compulsivamente, por discordar da relação de seu filho com a jovem.

É nesse ponto do filme que começa a ação, quando a mãe de Lionel recebe uma mordida do tal Macaco Roedor, e da noite para o dia começa a se transformar em um horrendo zumbi.

A partir daí o filme toma um rumo incessante de bizarrices, com a mãe de Lionel fixando um pedaço do próprio rosto com supercola, comendo a própria orelha em um jantar e até engolindo um pastor-alemão inteiro.

O filme conta com efeitos especiais muito competentes (mérito de Richard Taylor) que inclui até um filhote de zumbi, que aparece correndo pra lá e pra cá, em tomadas que lembram o saudoso Chuck da franquia BRINQUEDO ASSASSINO.

O próprio Peter Jackson faz uma ponta no filme, como um esdrúxulo auxiliar de enfermagem, na cena em que a mãe de Lionel quase explode ao ser embalsamada. Como vemos em seu primeiro filme, BAD TASTE, o diretor até que convence como ator, sendo suas interpretações no mínimo engraçadas. Em BRAINDEAD, outra coisa que chama a atenção é a ótima atuação do elenco, coisa rara em filmes gore ou trash, mas que, juntamente com o enredo, fazem do filme um clássico do gênero.

O que realmente faz diferença neste filme são os últimos vinte minutos da produção, simplesmente a maior carnificina gore já filmada, com mais de cem zumbis sendo destroçados, mutilados, esfolados, desmembrados e até queimados. A cena em que Lionel entra pela porta da frente de sua casa empunhando um cortador de grama como se fosse uma serra elétrica, pronto para acabar com todos os mortos-vivos que vê pela frente, é uma das melhores cenas já filmadas. É inacreditável a quantidade de sangue usada nas cenas: no final do filme, tanto os personagens quanto a mobília e as paredes da casa de Lionel não possuem nenhuma cor senão vermelho.

Existem muitas outras cenas memoráveis neste filme, que conta com mais alguns personagens pitorescos, como o padre que luta Kung Fu e os zumbis rockabilly, mas nada melhor do que assisti-lo. Não é muito difícil de achá-lo nas locadoras que possuem VHS mais antigos, pois o mesmo teve lançamento nacional pela Alpha Filmes com o título de FOME ANIMAL, e até ganhou certa notoriedade após ter sido exibido repetidas vezes no extinto Cine Trash, programa com apresentação de Zé do Caixão que passava todas as tardes de segunda à sexta-feira na TV Bandeirantes, na década de 90.

Este filme também é conhecido como DEAD ALIVE nos países de língua inglesa, e é curioso o fato de que muitas das imagens usadas na divulgação do mesmo nos anos 90, seja em cartazes, pôsteres ou em capas de VHS (que época boa…) eram um tanto quanto enganosas, com fotos ou ilustrações que não tinham relação direta com a trama…