Mostra “20 Anos de Takashi Miike”, de 17/08 a 28/08

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Começa hoje na cidade de São Paulo a mostra “20 Anos de Takashi Miike”, no Centro Cultural Banco do Brasil, com a exibição de 20 obras do cineasta.

Oportunidade perfeita para quem deseja ver ou rever os filmes deste excelente diretor em cópias de 35mm (com exceção do média metragem IMPRINT, que será exibido em Beta Digital), a preços módicos.

Acessem o site da mostra e vejam a programação, não percam esta oportunidade de conferir os delírios visuais de Miike com a melhor imagem possível! Veja o site da mostra AQUI.

OBS: Dia 27 de Agosto ocorrerá a pré-estréia nacional do mais novo filme do cineasta, ICHIMEI, com exibição em 3D no Cinemark do Shopping Metrô Santa Cruz (somente esta sessão terá cobrança de ingresso convencional com a tabela de preços do local). Após a sessão, ocorrerá uma vídeo conferência via Skype com Miike.

I DRINK YOUR BLOOD (David E. Durston – 1970)

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Mais uma pedrada que o Batata coloca aqui no blog! A década de 70 foi realmente uma maravilha!

I DRINK YOUR BLOOD é um horror exploitation daqueles que nos deixa felizes pelos anos 70 terem existido. Sangue, satanismo, sexo, drogas, sadismo, tudo bem explícito e da maneira mais chocante que os responsáveis conseguiram exibir na época.

Sem piadinhas ou humor negro, I DRINK YOUR BLOOD foi planejado pra chocar e incomodar, principalmente na época em que foi feito, com temas que incomodavam muitos americanos.

Lançado em 1970, o filme mostra uma caravana de hippies satanistas, cujo líder se autoproclamava filho do Demo. Eles chegam nas proximidades da pequena cidade de Valley Hills, com apenas 40 habitantes e, durante um de seus cultos, são observados por uma garota local. Quando se dão conta da presença da menina, ela é perseguida, espancada e violentada (apesar de não falarem diretamente em estupro, fica claro que foi isso que ocorreu).

Quando o grupo chega à cidade, ocupam uma das muitas casas abandonadas. Em uma cidade quase abandonada, claro que um grupo de pessoas de fora chama atenção, principalmente por seu comportamento incomum. O avô da garota atacada vai tirar satisfações com o bando, e os encontra torturando um de seus membros. O velho é subjugado e dopado com LSD, e seu neto de 10 anos observa tudo.

O filme já prende a atenção desde o começo, mas a partir desse ponto que ele realmente começa. Decidido a se vingar, o garoto injeta sangue de um cão raivoso que ele matou em tortas de carne da padaria local. Ele vende as tortas para o grupo de hippies, e começa uma epidemia incontrolável.

Não são zumbis, são pessoas com o vírus da raiva. Nervos descontrolados, ataques de violência, boca espumante e hidrofobia. Essa doença age de formas e intensidades distintas em cada um do grupo. A raiva é praticamente incurável, com um pequeno número de casos resolvidos. O infectado se torna cada vez mais hostil, mas está consciente de todo o processo. Ao aparecer a hidrofobia, medo intenso de líquidos (e uma das principais armas contra os infectados no filme), a morte é praticamente certa. A raiva mata em cerca de 04 dias.

Claro que o filme tenta explorar a doença da forma mais exagerada possível. Mas é uma ótima desculpa para jogar de forma intensa na tela variadas formas de violência e sadismo. A música que é repetida em vários momentos do filme contribui também para o clima perturbador e enlouquecedor.

O filme foi dirigido por David Edward Durston, e foi seu filme de maior expressão. Ele também atua no filme em participação não creditada, como Dr. Oakes. Não conheço praticamente nenhum trabalho do resto do elenco, mas o grande destaque vai para o líder hippie satanista Horace Bones, interpretado pelo ator indiano Bhaskar Roy Chowdhury, que faleceu em agosto de 2003.

I DRINK YOUR BLOOD se tornou um sucesso em sessões Grindhouse, principalmente ao lado do filme I EAT YOUR SKIN (do diretor Del Tenney), filme de 1964 lançado apenas em 1970. O distribuidor Jerry Gross juntou os dois filmes e deu o nome de I EAT YOUR SKIN ao segundo, que originalmente se chamava apenas ZOMBIES, e também já chegou a ter títulos como ZOMBIE BLOODBATH e VOODOO BLOOD BATH.

I DRINK YOUR BLOOD é um filme para aqueles que gostam da boa e velha ultraviolência dos anos 70, aquela violência que não é apenas tripas e gore (apesar de ter muito disso também), mas é algo feito pra incomodar e mostrar o tanto que o cinema pode ser cruel e divertido.

OBS: apesar de o trailer abaixo citar I EAT YOUR SKIN, ele contém apenas cenas de I DRINK YOUR BLOOD.

Escrito por Renato Ramos Batarce.

Cinema de Bordas – 3ª edição

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Começa hoje a 3ª edição da mostra Cinema de Bordas no Itaú Cultural, uma ótima oportunidade para os cinéfilos paulistas prestigiarem o trabalho de realizadores independentes brasileiros. Este ano teremos a exibição de 18 obras, entre curtas e médias, contando tanto com filmes recentes quanto com alguns mais antigos.

Na noite de abertura da mostra será apresentada uma prévia de A NOITE DO CHUPACABRAS, o tão aguardado novo filme de Rodrigo Aragão, diretor do já clássico MANGUE NEGRO (apresentado na 1ª edição da mostra, em 2009) e os novos curtas de Joel Caetano e Coffin Souza, ESTRANHA e A PAIXÃO DOS MORTOS, respectivamente; este último estrelado pela nova musa do underground nacional, Gisele Ferran.

Serão exibidos também EXTREMA UNÇÃO, novo curta de Felipe M. Guerra, e o mais recente  filme de Petter Baiestorf , O DOCE AVANÇO DA FACA. Como já é de costume, haverá palestra com os curadores Bernadette Lyra, Gelson Santana e Laura Cánepa no primeiro dia do evento, e também bate-papos com alguns dos diretores ao longo da mostra.

Destaco também na seleção os filmes ROQUÍ – O BOXEADOR DA AMAZÔNIA, de Renato Dib, estrelando Aldenir Coti, mais conhecido como “Rambo da Amazônia”, astro da série de filmes RAMBÚ, e os mais antigos MUSEU DE CERA, de Pedro Daldegan e O LOBISOMEM DA PEDRA BRANCA, de José Denísio Pereira, ambos da década de 80, que parecem muito interessantes.

Enfim, diversão garantida para quem gosta de fugir do lugar comum e aprecia o ótimo cinema independente brasileiro.

O Itaú Cultural fica situado na Av. Paulista, 149 (próximo à estação Brigadeiro do metrô). Entrada franca. Vejam a programação completa AQUI.

Mostra “Mojica 24 horas – Zé do Caixão”, Virada Cultural 2011

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O grande mestre do horror nacional, José Mojica Marins, será homenageado na Virada Cultural 2011 (que acontece em São Paulo nos dias 16 e 17/04), com a exibição ininterrupta de algumas de suas principais obras ao longo de 24 horas no Cine Windsor, situado na Av. Ipiranga, 9740.

É uma boa oportunidade de ver na telona a trilogia formada por À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA, ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER e finalizada por sua produção mais recente, ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO. Além da trilogia, serão exibidos 03 curtas na primeira sessão (ainda não obtive informação de quais serão as obras, quando confirmar adicionarei ao post), assim como os clássicos absolutos O DESPERTAR DA BESTA (RITUAL DOS SÁDICOS), O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO e DELÍRIOS DE UM ANORMAL.

Serão exibidas 14 obras no total, e além dos trabalhos realizados pelo diretor, haverá a exibição de O PROFETA DA FOME, dirigido por Maurice Capovilla e protagonizado por Mojica, no qual ele vive o papel de Ali Khan, personagem inspirado no faquir Silk, seu amigo na vida real e A ESTRANHA HOSPEDARIA DOS PRAZERES, que apesar de ter sido dirigido por Mojica, foi inicialmente creditado a Marcelo Motta, um de seus alunos na escola de cinema e interpretação, como forma de tentar alavancar a carreira cinematográfica de seu discípulo, segundo o próprio.

Claramente, a mostra não se limita a exibir filmes somente com o personagem do coveiro Zé do Caixão, mas como já ocorreu tantas outras vezes, o nome da criação mais famosa de José Mojica Marins foi usado para garantir a presença do público, que por vezes confunde criatura com criador, evidenciando a força deste mítico personagem que já faz parte da cultura popular brasileira.

Meu primeiro encontro com o Mestre!

Segue a programação da mostra:

Mojica 24 Horas – Mostra Zé do Caixão:

18h – Sessão de curtas (03 Filmes)

20h – A SINA DO AVENTUREIRO

22h – O DESPERTAR DA BESTA (RITUAL DOS SÁDICOS)

00h – À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA

02h – ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER

04h – O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO

06h – FINIS HOMINIS

08h – DELÍRIOS DE UM ANORMAL

10h – ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO

14h – INFERNO CARNAL

16h – A ESTRANHA HOSPEDARIA DOS PRAZERES

(16/04/2011: Os curtas que integram a primeira sessão são O UNIVERSO DE MOJICA MARINS, documentário de Ivan Cardoso filmado em 1978, A LASANHA ASSASSINA de Ale McHaddo, 2002 e PESADELO MACABRO, dirigido por Mojica em 1968, um dos episódios do longa TRILOGIA DE TERROR, que também conta com Ozualdo Candeias e Luís Sérgio Person na direção.)

UZUMAKI (Higuchinsky – 2000)

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Imaginem uma cidade que começa a ser assombrada por espirais. Isso mesmo, espirais. Pois foi essa idéia louca que surgiu da cabeça de Junji Ito, criador do mangá Uzumaki, grande sucesso de vendas no Japão. Esta história insólita foi adaptada para a telona por Higuchinsky, pseudônimo do cineasta Akihiro Higuchi, nascido na Ucrânia.

A trama é simples: Kirie Goshima mora em Kurozu-cho, aparentemente uma pacata cidadezinha japonesa, e leva uma vida como a de qualquer adolescente. Ela possuí um amigo de infância chamado Shuichi Saito, pelo qual nutre uma silenciosa paixão. Em meio à calmaria em que os personagens vivem, algo inusitado começa a ocorrer. Shuichi repara que seu pai desenvolve um profundo fascínio por espirais, e que este fascínio logo vira obsessão.

O pai de Shuichi começa a colecionar qualquer objeto que tenha forma de espiral, ou que ao menos tenha uma espiral desenhada, e até larga seu emprego para passar todo o seu tempo em casa observando os objetos, em transe. A loucura do pai de Shuichi é tanta que, ao ser questionado por sua mulher e filho sobre sua estranha conduta, torna-se violento, e passa cada vez mais tempo isolado com sua coleção, murmurando sobre como espirais são perfeitas.

Outros bizarros acontecimentos se desenrolam na cidade: alunos que passam a se mover cada vez mais lentamente, liberando uma éspécie de gosma através da pele; suícidios e mortes acidentais em locais que estão ligados à objetos circulares; nuvens que se comportam de forma não natural, formando padrões em espiral no céu e por aí vai…

O roteiro explora bem a loucura dos personagens e a atmosfera de suspense sobrenatural que permeia a história, mas fiquei com a sensação de que alguns pontos da trama não foram elucidados, o que infelizmente é bem comum quando falamos de uma adaptação de outras mídias para o cinema.

O mangá é ainda mais estranho...

Higuchinsky mostra competência técnica no que se refere aos aspectos visuais do filme; é notório o cuidado do diretor com a utilização das cores (o filme todo tem um aspecto frio, esverdeado) e é curioso o fato de que, em uma ou outra cena, existam espirais surgindo na tela, quase imperceptíveis, como pequenas mensagens subliminares. O andamento do longa me lembrou um pouco outras obras de horror japonês do mesmo período, como os conhecidos JU-ON (de Takashi Shimizu, 2002) e RINGU (de Hideo Nakata, 1998), embora este filme não seja calcado em sustos repentinos e atmosfera opressiva como estes outros dois.

Falando na atmosfera do filme, é interessante reparar que o diretor escolheu uma roupagem leve para a obra, contando com alguns momentos cômicos, focando nos jovens protagonistas.  Em alguns momentos chega a lembrar a dinâmica de um telefilme, talvez porque no mesmo ano em que trabalhava em UZUMAKI, Higuchinsky tenha dirigido LONG DREAM, um filme feito para a TV japonesa, que está entre a linha do média e do longa metragem, com apenas 58 minutos de duração (adaptação de outro mangá de Junji Ito).

Apesar do mangá Uzumaki ser considerado obra-prima por muitos, as opiniões costumam se dividir quando o assunto é o filme; há quem ache esta adaptação desprezível, assim como não é difícil ver boas críticas do longa por aí. Isso ocorre principalmente porque o final do filme é inconclusivo e difere do desfecho da obra original, uma vez que o mangá ainda não havia sido finalizado pelo autor quando a história foi levada às telas.

Em resumo, UZUMAKI é um filme que agrada aos fãs de horror, embora seja um filme de suspense surreal, e as suas poucas deficiências são compensadas pelo visual caprichado e roteiro imprevisível. Vale a pena dar uma olhada com mais cuidado nesta obra.

PS: Para os que se interessaram, o mangá escrito por Junji Ito foi lançado no Brasil pela Conrad Editora em três volumes.

EL DIA DE LA BESTIA (Alex de La Iglesia – 1995)

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Desta vez nosso incansável colaborador resolveu escrever sobre EL DIA DE LA BESTIA, um filme que vi aproximadamente há 10 anos em VHS, e apesar de já ter baixado o mesmo faz um bom tempo, ainda não revi. Depois de ler a resenha e ver o trailer, certeza que vou assistir novamente ainda essa semana! Com a palavra, Batata:

O filme conta a história do padre Angel (Álex Angulo), um teólogo que através de cálculos matemáticos se convence de que encontrou o dia do nascimento do Anti-Cristo, e consequentemente, do Apocalipse, e é exatamente na noite anterior desse dia, numa véspera de Natal que toda a ação acontece. O padre Angel tenta se aproximar do demônio, ganhando sua confiança através de pecados como roubar mendigos, bater em pessoas, e ouvir músicas satânicas. Esse percurso o leva até a loja de discos de Heavy Metal de José Maria (Santiago Segura), que simpatiza pelo sacerdote e o convida para ficar na pensão de sua mãe. Tentando conhecer melhor o oculto, Angel entra em contato com o apresentador de TV Prof. Cavan (Armando de Razza), numa obsessiva perseguição ao demônio para poder salvar a humanidade.

Poster do filme

 

Apesar de, acreditar no padre ser uma leitura válida, ao que tudo indica sua jornada é completamente inútil. Sua obsessão o cega para todo o resto a não ser seu objetivo, como se se jogar nessa ilusão terrível (mas de certa forma heróica) fosse uma compensação de toda uma vida medíocre, sentimento esse que parece ser compartilhado de forma mais ingênua por José Maria, e posteriormente, de forma mais séria por Cavan. Tudo isso nos remete a outra obra criada também na Espanha, mas pela literatura, Don Quixote. Impossível não comparar.

Mas sim, o mal existe no filme, não da forma como Angel imagina (e algumas vezes alucina) combater. Alex de La Iglesia despeja críticas sociais através de violência policial, gangues intolerantes às minorias, e até em armas vendidas em lojas de brinquedos.

Outra força do filme são os personagens. Todos se mostram interessantes, e não apenas o trio principal. A mãe e (principalmente) o avô de José Maria; Mina, a ajudante da pensão; Susana, a amante de Cavan; o estressado produtor de TV; todos memoráveis.

Mas, apesar de tudo isso, o filme pode ser considerado extremamente trash. O sangue e gore são até bem contidos, mas todos os outros elementos estão lá: atuações exageradas e canastronas, ritmo frenético, muito humor, Chroma Key, e até o bodão da capa do filme dá as caras em efeitos que não chegam exatamente à perfeição. Confesso que realmente sinto vontade de agir como os personagens do filme; quem estiver no caminho leva uma porrada. Na verdade nem precisa estar no caminho, só estar lá.

O satanismo no filme? Extremamente infantil. Dessa forma o diretor demonstra o quão ridículo é acreditar em mitos de invocação satânica apresentados em livros de charlatões, ou que Heavy Metal (“Death Metal, é completamente diferente” José Maria) é música satânica de verdade. Talvez o único grande defeito do filme seja tentar nos fazer crer que um teólogo, mesmo um teólogo com a mente perturbada, realmente dê tanta importância a esses fatores para invocar o demônio.

O ator Álex Angulo, que interpreta o padre Angel, já é figurinha carimbada no cinema espanhol. Trabalhou com Alex de La Iglesia em seu longa-metragem de estréia, ACCION MUTANTE de 1993, com Pedro Almodóvar em CARNE TRÉMULA de 1997, e com Guillermo Del Toro em EL LABERINTO DEL FAUNO de 2006, apenas para citar os mais conhecidos. Já Santiago Segura, intérprete de José Maria se tornou um ícone do underground espanhol ao protagonizar a trilogia TORRENTE.

Alex de La Iglesia é um diretor espanhol conhecido pela galera do cinema fantástico também por outras obras como o já citado ACCION MUTANTE, e tem entre seus maiores sucessos PERDITA DURANGO (1997), LA COMUNIDAD (2000), 800 BALAS (2002) e CRIMEN FERPECTO (2004). Dirigiu em 2006 o filme LA HABITACIÓN DEL NIÑO, que faz parte da série de 06 filmes da TV espanhola chamada PELÍCULAS PARA NO DORMIR (que teve filmes dirigidos também por Jaume Balagueró, Paco Plaza, Mateo Gil, entre outros), além de também ter se aventurado pelo cinema americano dirigindo THE OXFORD MURDERS em 2008, com Elijah Wood e John Hurt.

Vale a pena assistir EL DIA DE LA BESTIA. Não é apenas cinema trash podreira, é cinema trash com qualidade (bom, pelo menos dentro do possível no gênero, hehehe).

                                       Escrito por Renato “Batata” Batarce.

La Bestia...

NINJAS (Dennison Ramalho – 2010)

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Novamente marcando presença no blog, nosso querido Renato “Batata” Batarce, falando sobre NINJAS, o mais novo curta do talentoso diretor tupiniquim Dennison Ramalho. Quanto a mim, empaquei em algumas resenhas (misto de bloqueio criativo e saco cheio de fim de ano…)

Poster do curta

Depois de um hiato de 08 anos, o diretor Dennison Ramalho (AMOR SÓ DE MÃE, NOCTURNU) volta com o curta NINJAS, um trabalho muito mais maduro, completo e perturbador.

NINJAS mostra a história do policial Jailton (Flávio Bauraqui), que durante uma perseguição na favela, acaba acidentalmente assassinando um garoto inocente. Religioso, apesar de não ser condenado pelos colegas, é tomado pela culpa, que logo depois é substituída pelo horror e desespero ao ser perseguido pelo fantasma do garoto.

Essa seqüencia inicial vai lembrar a muitos os filmes asiáticos de assombrações, ao estilo Takashi Shimizu, com o garoto fantasma perturbando o protagonista, e até uma sequência com uma água escura de sangue, algo muito usado por lá, água para causar terror. As cenas são bem feitas, mas realmente perturba a falta de expressão do garoto fantasma. Já não tinha que fazer muita coisa, pelo menos podia se esforçar um pouquinho na representação.

Mas na segunda parte do curta, a coisa muda de figura, e o fantasma não parece mais tão ameaçador. Aparentemente, boa parte da PM tem problemas com fantasmas de erros do passado, e seus colegas resolvem ensiná-lo a suportar os seus. Para isso, resolvem incluí-lo na milícia Ninjas, onde deverá se tornar tão cruel que nada vivo nem morto poderá mais abalá-lo.

A sequência que revela todo o sangue-frio dos Ninjas é intensa e forte, utilizando-se de torturas tanto físicas quanto psicológicas. Com todos esses elementos, Dennison consegue realizar um curta que une o suspense fantasmagórico asiático com o torture porn (e na minha opinião, um toque de nazi exploitation), mas ainda assim, a ambientação e os costumes brasileiros é que contribuem para deixar tudo ainda mais perturbador, pois realmente identificamos que aquilo tudo acontece em nossa terra. Não faltou também a cutucada no fanatismo religioso, também presente em AMOR SÓ DE MÃE.

Mas uma peça fundamental para o sucesso de tudo, com certeza foram as escolhas dos atores (com exceção do menino fantasma). Muitos filmes de horror afundam devido a atores canastrões e atuações caricatas, ao tentar contar uma história séria, acabam arrancando risos, e tudo isso contribui para o gênero ser ridicularizado pelo grande público, principalmente as produções nacionais. Felizmente não foi o caso de NINJAS, que contou com atuações inspiradas de grandes atores, que conseguiram expressar culpa, sadismo, medo e loucura de forma extremamente convincente. Flávio Bauraqui (MADAME SATÃ, SALVE GERAL, ZUZU ANGEL, QUINCAS BERRO D’ÁGUA) inclusive ganhou o Kikito de melhor ator no Festival de Gramado pela sua atuação no filme.

O filme foi baseado no conto Um Bom Policial de Marco de Castro, que já foi repórter policial; e conta com a melhor equipe técnica que há atualmente no Brasil para o gênero, como o próprio Dennison, José Roberto Eliezer, Paulo Sacramento (responsável pelo curta ganhar também o Kikito de melhor montagem), André Kapel Furman, todos também presentes em AMOR SÓ DE MÃE e A ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO, este último de José Mojica Marins. Destaque também pro pôster, que lembra muito a arte das capas de discos de Thrash Metal da zona de BH.

Sucesso de crítica nacional e internacional, além dos prêmios no Festival de Gramado, também ganhou como melhor curta pelo New York City Horror Film Festival, e atualmente Dennison está nos Estados Unidos em projeto com John Carpenter. É de deixar louco que, com tantas qualidades, não se ouve praticamente nada sobre o filme nos grandes veículos da mídia nacional. É torcer pra que no final os responsáveis sejam perturbados pelos fantasmas de grandes obras ignoradas.

Escrito por Renato “Batata” Batarce.

 

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