Mostra “20 Anos de Takashi Miike”, de 17/08 a 28/08

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Começa hoje na cidade de São Paulo a mostra “20 Anos de Takashi Miike”, no Centro Cultural Banco do Brasil, com a exibição de 20 obras do cineasta.

Oportunidade perfeita para quem deseja ver ou rever os filmes deste excelente diretor em cópias de 35mm (com exceção do média metragem IMPRINT, que será exibido em Beta Digital), a preços módicos.

Acessem o site da mostra e vejam a programação, não percam esta oportunidade de conferir os delírios visuais de Miike com a melhor imagem possível! Veja o site da mostra AQUI.

OBS: Dia 27 de Agosto ocorrerá a pré-estréia nacional do mais novo filme do cineasta, ICHIMEI, com exibição em 3D no Cinemark do Shopping Metrô Santa Cruz (somente esta sessão terá cobrança de ingresso convencional com a tabela de preços do local). Após a sessão, ocorrerá uma vídeo conferência via Skype com Miike.

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FULL METAL YAKUZA (Takashi Miike – 1997)

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Voltamos a postar no blog, infelizmente nos encontramos no último dia do mês, e não conseguimos levar à frente a homenagem à Takashi Miike da forma como idealizamos, simplesmente não tivemos tempo para nos dedicar às resenhas, e ficamos devendo nossa opinião em uma porção de filmes. Fechamos então estes dois meses de postagens com apenas 08 resenhas novas sobre as obras do cineasta. Porém, como já foi citado anteriormente, há um forte boato de que teremos aqui em São Paulo uma mostra dedicada ao mestre, provavelmente em Setembro, e nesta ocasião falaremos mais sobre seus filmes.

Seguimos então com dois posts do Batata, sobre os filmes FULL METAL YAKUZA e CROWS ZERO, e um de minha autoria, sobre DEADLY OUTLAW REKKA. Confiram:

Se em ZEBRAMAN Takashi Miike fez uma comédia utilizando tokusatsus e um fã bitolado, em FULL METAL YAKUZA ele cria o perfeito tokusatsu para adultos.

FULL METAL YAKUZA mostra a história de Kensuke Hagane (Tsuyoshi Ujiki), um aspirante à Yakuza que não se mostra um capanga muito bom. Ele tem grande admiração por Tosa (Takeshi Caesar), um dos chefes da gangue. Tosa é preso por matar um chefe rival, e após sua saída da prisão, é morto por seus companheiros junto com Kensuke.

Mas de repente, Kensuke acorda no laboratório do cientista Genpaku Hiraga (Tomorowo Taguchi), que fundiu seu corpo ao de Tosa, complementando com partes cibernéticas. Kensuke agora é um ciborgue superpoderoso e quer buscar vingança contra seus antigos companheiros, apesar dos desejos de seu salvador, que queria que Kensuke se tornasse um super-herói defensor da justiça.

O filme é sensacional, feito com baixo orçamento, muito sangue, crueldade, depravação, e cenas de tortura com mulheres, que, apesar de não serem tão extremas quanto em IMPRINT, tinham um clima que chegava a me lembrar alguns momentos mais sádicos de BODYGUARD KIBA. Além disso, tanto os efeitos especiais quanto o corpo ciborgue de Kensuke são os grandes responsáveis pelo charme tokusatsu do filme, que citei anteriormente.

Apesar de tudo isso, o clima ainda tem momentos muito engraçados, como por exemplo o treinamento de Kensuke em seu novo corpo ciborgue, a maneira curiosa de ele se alimentar, e todas as piadas envolvendo o “instrumento” que ele herdou de Tosa.

O filme foi originalmente concebido para o mercado de V-Cinema, que é o nome dado às produções japonesas que são lançadas direto em vídeo; mas por sua história bizarra, e pela reputação crescente do diretor Takashi Miike, FULL METAL YAKUZA foi ganhando cada vez mais renome.

O ator Tsuyoshi Ujiki participou também dos filmes CURE, também de 1997, ROBOKON de 2003, e participou do seriado SUZURAN. Takeshi Caesar atuou em KAMIKASE TAXI de 1995 e FUDOH de Takashi Miike em 1996. Mas o ator mais clássico do elenco com certeza é Tomorowo Taguchi; só pra citar alguns filmes que ele participou: GUINEA PIG 5 – ANDROID OF NOTRE DAME, TETSUO 1 e 2, BULLET BALLET, TOKYO FIST (sendo os quatro últimos dirigidos por Shinya Tsukamoto), KAMIKASE TAXI, GAMERA 2, KAMEN RIDER – THE NEXT, GANTZ, DEAD OR ALIVE 1 e 2, e ANDROMEDIA, sendo os três últimos de Takashi Miike.

FULL METAL YAKUZA já pode ser considerado um clássico da filmografia de Miike, e contém todos os elementos que podem ser considerados marcas registradas do diretor: yakuzas, sangueira, humor negro, bizarrices e torturas.

Escrito por Renato Ramos Batarce.

Cinema de Bordas – 3ª edição

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Começa hoje a 3ª edição da mostra Cinema de Bordas no Itaú Cultural, uma ótima oportunidade para os cinéfilos paulistas prestigiarem o trabalho de realizadores independentes brasileiros. Este ano teremos a exibição de 18 obras, entre curtas e médias, contando tanto com filmes recentes quanto com alguns mais antigos.

Na noite de abertura da mostra será apresentada uma prévia de A NOITE DO CHUPACABRAS, o tão aguardado novo filme de Rodrigo Aragão, diretor do já clássico MANGUE NEGRO (apresentado na 1ª edição da mostra, em 2009) e os novos curtas de Joel Caetano e Coffin Souza, ESTRANHA e A PAIXÃO DOS MORTOS, respectivamente; este último estrelado pela nova musa do underground nacional, Gisele Ferran.

Serão exibidos também EXTREMA UNÇÃO, novo curta de Felipe M. Guerra, e o mais recente  filme de Petter Baiestorf , O DOCE AVANÇO DA FACA. Como já é de costume, haverá palestra com os curadores Bernadette Lyra, Gelson Santana e Laura Cánepa no primeiro dia do evento, e também bate-papos com alguns dos diretores ao longo da mostra.

Destaco também na seleção os filmes ROQUÍ – O BOXEADOR DA AMAZÔNIA, de Renato Dib, estrelando Aldenir Coti, mais conhecido como “Rambo da Amazônia”, astro da série de filmes RAMBÚ, e os mais antigos MUSEU DE CERA, de Pedro Daldegan e O LOBISOMEM DA PEDRA BRANCA, de José Denísio Pereira, ambos da década de 80, que parecem muito interessantes.

Enfim, diversão garantida para quem gosta de fugir do lugar comum e aprecia o ótimo cinema independente brasileiro.

O Itaú Cultural fica situado na Av. Paulista, 149 (próximo à estação Brigadeiro do metrô). Entrada franca. Vejam a programação completa AQUI.

ENDHIRAN (S. Shankar – 2010)

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Aproximadamente um mês atrás, o Batata, que escreve aqui no blog também, mandou pelo Facebook o link de um vídeo de cenas do filme que está sendo chamado por muitos de INDIAN TERMINATOR. Bom, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que um filme trash indiano que se propõe a copiar O EXTERMINADOR DO FUTURO deveria ser no mínimo interessante. Qual não foi minha surpresa ao ver que os efeitos especiais do longa são bem caprichados, e que não se trata de um filme de orçamento baixo, e sim de uma superprodução.

Mas minha alegria durou pouco. Corri para baixar o filme, e depois de assisti-lo, posso dizer que não chega nem perto de ser aquilo que o apelido dado pelos entusiastas da internet promete.

Antes de tratar sobre o enredo do filme, existem alguns detalhes relevantes sobre a produção: até o presente momento, este é o filme mais caro já feito na Índia, contando também com o maior salário já pago a uma atriz indiana, a bela protagonista Aishwarya Rai; algumas cenas de song-and-dance do longa foram filmadas aqui no Brasil, assim como no Peru, Estados Unidos, Goa e até no Vietnã (quem já assistiu a filmes indianos se lembra das famosas pausas para que o elenco cante músicas inteiras entre as cenas, geralmente reunindo dezenas de pessoas em coreografias estranhas e figurinos espalhafatosos); o filme é uma produção de Kollywood, ou seja, foi realizado pelos estúdios do estado de Tamil Nadu e é falado em idioma tamil, diferentemente dos filmes produzidos na gigantesca Bollywood, no estado de Maharashtra, onde é falado o idioma hindi (mais informações sobre a prolífica indústria e pólos cinematográficos indianos podem ser vistas AQUI).

Dito isso, vamos ao filme. O protagonista, o cientista Dr. Vaseegaran, acaba de concluir um projeto que lhe custou muitos anos de trabalho, um robô dotado de inteligência e habilidades extraordinárias, o mais avançado até então (ENDHIRAN significa robô, em tamil). Já nesta cena inicial o espectador é presenteado com as toscas atuações dos dois ajudantes do Dr. Vaseegaran, que parecem ter saído de um filme dos Trapalhões. Os últimos ajustes são feitos no robô, e assim que ele é acionado pela primeira vez, faz uma pequena demonstração de suas impressionantes habilidades motoras: o robô se põe a dançar balé. É nesse ponto que o espectador começa a suspeitar que foi enganado (ao menos neste lado do globo… Na Índia o público deve ter adorado).

O robô é construído com aparência idêntica ao seu criador, e coube ao astro indiano Rajnikanth fazer o papel duplo no longa, tanto como Dr. Vaseegaran quanto Chitti, nome pelo qual o robô passa a ser chamado por todos. A escolha de Rajnikanth como protagonista pode ser analisada de duas formas diferentes: boa estratégia de marketing ou tiro no pé. Digo isso porque Rajnikanth é um astro na Índia, sendo assim uma ótima opção para formar par romântico com Aishwarya Rai, garantindo uma gorda bilheteria para o filme; porém ele não convence as platéias fora de seu país nas cenas de ação, com seu porte nada atlético, pose de canastrão, barriga protuberante e cara de cachaceiro (vamos dar um desconto, pois Rajnikanth tem 61 anos de idade, e já estrelou muitos filmes de ação nas décadas de 70,80 e 90).

Em contrapartida, temos como vilão do filme o ambicioso Dr. Bohra, que tenta a todo custo descobrir quais as propriedades do “Neural Scheme” de Chitti, uma espécie de programa que comanda todas as ações e capacidades cognitivas do super robô. Conseguindo se apossar dos segredos do programa, nada poderá impedi-lo de construir uma legião de robôs igualmente poderosos para serem usados na indústria bélica, conseguindo assim fortuna, poder e influência sem precedentes.

Mas como estamos falando de um filme indiano, não poderia faltar romance na história. Sana, a noiva do Dr. Vaseegaran, é constantemente negligenciada pelo cientista, que vive imerso em sua pesquisa, e quando o mesmo tem a “brilhante” idéia de criar e instalar um chip capaz de emular sentimentos humanos em Chitti, a coisa toda se complica. É óbvio que o robô vai se apaixonar pela carente e frágil personalidade de Sana, e começará a disputar a atenção da moça com seu criador. Daí para frente a trama fica um pouco mais movimentada e interessante, mas sofre com o excesso de clichês e idéias mirabolantes.

Apenas para citar duas façanhas esdrúxulas de Chitti: após aprender sobre o ciclo de reprodução humano, ele acaba fazendo as vezes de parteira em um hospital, quando todas as esperanças de salvar um bebê já haviam desaparecido, com direito a exibição do parto ao vivo em uma rede de TV; em outra ocasião, persegue um pernilongo pela cidade, para obrigá-lo a se desculpar (?) por ter picado Sana, com direito a um inacreditável diálogo entre o robô e o mosquito…

Outra característica marcante dos filmes indianos é a presença de várias cenas de song-and-dance, que funcionam como videoclipes das músicas da trilha sonora do filme. A dinâmica é diferente dos musicais tradicionais, em que os personagens começam a cantar e dançar durante a cena, muitas vezes travando diálogos ou contando histórias. Estas intervenções musicais são feitas entre uma cena e outra, por vezes apresentando os personagens em diferentes locações e trajando outros figurinos, com letras que geralmente expressam as emoções que estão sentindo naquele momento da trama. Como tudo por lá tende a ser exagerado, muitas vezes estas cenas são verdadeiras superproduções, como a que foi gravada em Machu Picchu, presente em ENDHIRAN. Para quem não está acostumado, estas pausas são um balde de água fria no ritmo da história.

E o filme vai se arrastando em meio aos tropeços do roteiro, que não consegue em momento algum seguir uma mesma linha, deixando-o extremamente cansativo e repetitivo. Para se ter uma idéia, as situações vividas pelos personagens são uma mistura indigesta de cenas de ação, comédia pastelão, romance, momentos de tensão e os já citados números musicais. Quando você pensa que o ciclo chegou ao fim, começa tudo outra vez. Ou seja, é difícil aguentar as quase 03 horas do filme sem desistir no meio da jornada.

Mas para àqueles que se dispuserem a enfrentar tamanho suplício, o final do filme é uma grande recompensa. Os últimos 30 minutos do longa são repletos de ação, e tem uma sequência inacreditável de cenas de perseguição e destruição, protagonizadas por um exército de robôs ensandecidos. Vocês entenderão melhor minha empolgação quando assistirem ao vídeo no fim do post, editado com as melhores cenas de ação da produção.

Resumindo: embora eu não tenha gostado de ENDHIRAN, eu não cometeria a injustiça de rotulá-lo como um filme ruim, pois ele possui todas as peculiaridades cinematográficas que seu público alvo admira, e as executa com maestria. Creio que este é apenas um filme feito para um público específico, sem pretensão alguma de se tornar um produto de exportação, ou de ser compreendido fora de seu país. Quem gosta, ótimo. Quem não gosta, que faça seu próprio cinema.

Mostra “Satoshi Kon – O Mestre dos Sonhos”, de 25/01 a 30/01

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Satoshi Kon

Em 24 de Agosto de 2010 o mundo perdeu um dos maiores artistas da indústria de animação japonesa contemporânea, Satoshi Kon, vítima de um câncer no pâncreas aos 46 anos de idade. O visionário diretor deixou uma obra pequena em quantidade, mas imensa no que se refere à qualidade, competência e relevância artística.

Tendo dirigido apenas 04 longas e uma série de TV com 13 episódios ao longo dos últimos 12 anos, Satoshi Kon conseguiu atrair a atenção do público e da crítica, ao criar belas histórias que se valiam de tramas muito bem engendradas e inteligentes, tendo predileção por roteiros de apelo fantástico e onírico, contendo críticas à sociedade japonesa atual, com personagens complexos, dotados de fraquezas e defeitos.

Começa a partir de amanhã no Centro Cultural São Paulo a Mostra “Satoshi Kon – O Mestre dos Sonhos”, que conta com a exibição de todos os filmes do diretor e a série Paranoia Agent na íntegra, assim como o média metragem MAGNETIC ROSE, escrito por Satoshi Kon em conjunto com Katsuhiro Otomo (o gênio por trás da obra-prima AKIRA) e ROUJIN Z, no qual ele foi responsável pela animação.

Não percam a oportunidade de prestar homenagem à memória do mestre Satoshi Kon, assistindo na telona obras máximas como PAPRIKA e TOKYO GODFATHERS!

Segue abaixo a relação de filmes e suas sinopses, a programação no site do Centro Cultural São Paulo pode ser vista AQUI. Recado dado!

Mestre Satoshi (1963 - 2010)

 

PERFECT BLUE

(Pafekuto Buru, Japão, 1998, 80min)
direção: Satoshi Kon
Mimi deixou sua carreira de cantora para se tornar atriz, mas seus fervorosos fãs não gostam da mudança. Estressada e em dúvida, ela começa a ter lapsos de memória e, além disso, seus amigos começam a ser assassinados.

Perfect Blue

MILLENIUM ACTRESS

(Sennen Joyu, Japão, 2001, 87min)
direção: Satoshi Kon
Vida e carreira da atriz Chiyoko Fujiwara. O filme revela a partir de flashbacks dos filmes que estrelou o verdadeiro motivo que levou a artista a seguir carreira nos cinemas.

Millenium Actress

TOKYO GODFATHERS

(idem, Japão, 2003, 92min)
direção: Satoshi Kon
As vidas de três mendigos são transformadas para sempre quando eles encontram um bebê abandonado no lixo na véspera de Natal em Tóquio. Com o Ano Novo se aproximando, os três se unem para desvendar o mistério.

 

PAPRIKA

(Papurika, Japão, 2006, 90min)
direção: Satoshi Kon
Num futuro próximo, Dr. Tokita inventa um poderoso aparelho chamado DC-Mini, que torna possível o acesso aos sonhos das pessoas. Antes de seu uso ser sancionado pelo governo, o aparelho é roubado.

Paprika

MAGNETIC ROSE

(idem, Japão, 1995, 45min)
direção: Koji Morimoto
Curta-metragem escrito por Satoshi Kon que faz parte do longa-metragem MEMORIES. Na animação, três astronautas vão parar em uma nave abandonada no espaço que contém um mundo inteiro dentro dela, criado pelas memórias de uma mulher.

 

ROUJIN Z

(Rojin Zetto, Japão, 1991, 80min)
direção: Hiroyuki Kitakubo
A população do Japão está envelhecendo rapidamente e o governo propõe uma solução para diminuir os gastos com saúde: uma cama eletrônica que forneça ao paciente o mesmo que uma enfermeira de verdade possa oferecer. O senhor Takazawa é escolhido como cobaia, mas uma enfermeira, ao perceber seu sofrimento, tenta salvá-lo. Escrito por Katsuhiro Otomo. Satoshi Kon foi responsável pela animação.

 

PARANOIA AGENT

(idem, Japão, 2004, 120min)
direção: Satoshi Kon
Série de 13 capítulos, criada pelo diretor Satoshi Kon. Produzido pelo famoso estúdio de animação japonesa MadHouse, a série é centrada num assassino serial e no fenômeno social causado pela agressividade de seus ataques. Casa episódio é centrado em personagens diferentes e em como esses eventos influem em suas vidas.