MEET THE FEEBLES (Peter Jackson – 1989)

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Achei que esse mês seria de férias aqui no blog, mas o Batata insistiu para postar essa resenha feita por ele esses dias. Este filme é da época em que Peter Jackson ainda trabalhava com orçamento baixo, confiram:

Sexo, drogas, gore, nudez, humor negro: são todos ingredientes para mais um belo exemplar do bom e velho cinema exploitation. Mas não contente com isso, em 1989 Peter Jackson (BAD TASTE, BRAIN DEAD, OS ESPÍRITOS, trilogia SENHOR DOS ANÉIS) resolveu juntar esses singelos ingredientes num formato ainda mais bizarro: bonecos.

Sabem os Muppets? Aqueles fantoches criados por Jim Henson que ficaram mais conhecidos no Brasil por sua versão animada Muppet Babies? Então, os bonecos de Peter Jackson são exatamente nesse mesmo estilo, ora apenas fantoches, ora pessoas vestindo grandes fantasias. Agora imaginem versões dos Muppets fazendo tudo que foi citado no início do texto, e você terá MEET THE FEEBLES. Inclusive, aparentemente a idéia original de Jackson era fazer um documentário sobre os bastidores do show dos Muppets, mas após a rejeição, resolveu criar seu próprio projeto que se tornou este filme.

No filme, MEET THE FEEBLES é um espetáculo musical comandado por Bletch (uma grande morsa azul), que é casado com Heidi (uma hipopótamo), a estrela do show. Heidi porém sofre de depressão e não consegue parar de comer. Como resultado, ficou obesa e Bletch começa a traí-la com Samantha (gata), que sonha em ser a estrela do espetáculo. Além disso, Bletch também tem um negócio de tráfico de drogas correndo por fora.

Para se juntar ao show, chega Robert (porco-espinho), que é o típico personagem “certinho”, talvez o único do filme. Ele fica amigo do diretor de cena Arthur (minhoca) e se apaixona por Lucille (cadela).  Logo que Robert chega no teatro, é abordado por uma repórter sensacionalista (mosca), que está sempre á procura de histórias podres, que segundo ela mesma, são muito comuns por lá.

E isso é a mais pura verdade, vejam o caso de outros personagens: o elefante Sid está sofrendo um processo de paternidade aberto por um antigo caso seu, Sandy, a galinha; Harry, o coelho, está sofrendo de uma forte doença decorrente de suas constantes orgias com suas colegas de palco; Trevor, o rato, faz filmes sadomasoquistas no porão do teatro estrelando a vaca Daisy e o tamanduá tarado Denis; o diretor de palco é a raposa Sebastian, que sonha em apresentar novamente seu número, não importa o que a aconteça; o sapo Wyniard é atirador de facas e tornou-se viciado em drogas após lutar no Vietnã . Tudo isso acaba tornando-se uma grande bomba relógio que explode no final avassalador.

Este filme, junto com o anterior BAD TASTE (no Brasil, TRASH – NÁUSEA TOTAL) e o posterior BRAIN DEAD (no Brasil, FOME ANIMAL), são os maiores expoentes do humor negro de baixo orçamento de Peter Jackson. No caso de MEET THE FEEBLES, o filme custou 750 mil dólares, e ainda por cima tomando todas as precauções de segurança, já que o produtor avisa nos créditos que nenhum fantoche foi ferido ou morto após a produção do filme (eu sei, essa piada atualmente já é velha e clichê).  Claro que sempre tem um ou outro macete de economia; se olharem bem, na platéia cheia há apenas alguns bonecos, o resto são papelões recortados com rostos de animais.

Aliás, é possível relacionar estes três filmes através de certas referências de um em outro. Por exemplo, em MEET THE FEEBLES, quando o show começa, é possível notar que na platéia existe uma pessoa usando a máscara do alienígena comedor de carne humana de BAD TASTE; e pouco antes da cena do embalsamento da mãe do protagonista em BRAIN DEAD, do lado de fora da igreja, é possível escutar a música Sodomy, que em FEEBLES é cantada pela raposa Sebastian.

Apesar de muitos dos novos fãs de Peter Jackson não conhecerem muitos de seus trabalhos anteriores, o diretor acabou atiçando a curiosidade de alguns quando recebeu o Oscar de melhor filme por SENHOR DOS ANÉIS – O RETORNO DO REI em 2004, quando agradeceu á Academia por não ter lhe concedido o troféu por seu trabalho em BAD TASTE ou MEET THE FEEBLES. Apesar dessa brincadeira, eu continuo achando muito mais carismáticos os marionetes depravados do filme de 89, do que o tão ovacionado gorila digitalizado da sua refilmagem de KING KONG.

Escrito por Renato Batarce.

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CROWS ZERO (Takashi miike – 2007)

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Mais uma resenha do Batata:

CROWS ZERO é baseado no mangá Crows, escrito por Hiroshi Takahashi, mas na verdade o filme é um prequel da história.

A trama se passa na Escola Suzuran, onde estudam apenas rapazes arruaceiros e briguentos, que querem dominar a escola através dos punhos. O aluno com mais chances de chegar ao topo da liderança é Tamao Serizawa (Takayuki Yamada), do terceiro ano; mas eis que aparece um aluno transferido chamado Takiya Genji (Shun Oguri), disposto a superar Serizawa e dominar Suzuran. Genji acaba tendo a ajuda de um yakuza chamado Ken Katagiri (Kyosuke Yabe), que fica impressionado com suas habilidades e tem alguns problemas com Serizawa. Esse por sua vez, tem como maior aliado Tokio Tatsukawa (Kenta Kiritani), que era amigo de infância de Genji.

A própria escola acaba por se tornar um personagem da trama, e nela encontram-se várias subdivisões, cada uma com seu líder próprio, e Genji e Serizawa trabalham para recrutar esses pequenos grupos para que se tornem cada vez mais fortes para a luta final. Destaque para Hideto Bandou (Hiroshi Watanabe), do segundo ano, que lidera uma gangue de motociclistas; para o persistente Takashi Makise (Tsutomu Takahashi) e para o misterioso Rindaman.

O filme é cheio de lutas a todo o momento, mas não são lutas ao estilo filmes de Kung Fu: na verdade elas parecem mais brigas de rua bem coreografadas. O que pode faltar em técnica, sobra em brutalidade e hematomas nos personagens. Apesar disso, Genji tem que aprender novos métodos para recrutar alunos além da força bruta, ele tem que aprender a merecer lealdade. Cabe dizer que boa parte da vontade de Genji comandar Suzuran vem do fato de ele ser filho de um chefe da Yakuza.

Apesar da brutalidade, nota-se que Takashi Miike produziu um filme para adolescentes, sendo assim, tem aquele toque de romance chato e aquela música melosa obrigatória que faz você pensar “por que transformar o filme em um videoclipe?”. O clima anime e mangá também está presente a todo o momento, desde a caracterização e movimentos dos personagens, até aquela velha história daquele que apanha mas não desiste nunca. Pra vocês terem uma idéia, o filme tem até uma abertura, como se fosse um seriado!

Apesar de jovens, os atores são bastante experientes. Entre outros, Shun Oguri interpretou o personagem Akira em SUKIYAKI WESTERN DJANGO, Nachi em AZUMI, Ginkaku em AZUMI 2 e Kazuya em ALMAS REENCARNADAS. Takayuki Yamada interpreta Shinrouko em 13 ASSASSINS, também de Takashi Miike, e está na versão Live Action do mangá e anime Gantz.

O filme ainda rendeu uma continuação, CROWS ZERO II, com o mesmo elenco, também de Takashi Miike. Existe o anime Crows One, uma série spin-off chamada Worst, e também rumores de um possível CROWS ZERO III, que não deve ser difícil, considerando que o segundo filme ficou várias semanas nos Top 10 de mais vistos no Japão. Se por acaso o terceiro filme vier a ser feito, provavelmente o elenco não será mantido, já que os alunos se formaram em Suzuran no segundo filme.

Escrito por Renato Ramos Batarce.

DEADLY OUTLAW REKKA (Takashi Miike – 2002)

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Takashi Miike começou sua carreira como diretor filmando histórias sobre a Yakuza, a máfia japonesa. Com filmes de baixo orçamento, Miike fez sua fama no mercado japonês com produções lançadas diretamente para o vídeo, contando pequenas histórias sobre o cotidiano dos membros da organização criminosa: traição, vingança e brutalidade se misturam à visão singular de ética e companheirismo dos truculentos protagonistas destas obras.

Filmes sobre a vida destes fora-da-lei constituem um verdadeiro gênero na cinematografia nipônica, dentre estas obras podemos destacar clássicos de diretores renomados, como GRAVEYARD OF HONOR e a cine série THE YAKUZA PAPERS de Kinji Fukasaku, TOKYO DRIFTER e BRANDED TO KILL de Seijun Suzuki, e tantos outros…

Cada vez mais, Miike foi desenvolvendo um estilo próprio ao contar estas histórias, afastando-se do lugar comum destas produções, rompendo barreiras estéticas e narrativas.

Sou suspeito para falar destas qualidades em Miike, há quem ache suas inovações pura apelação, fogos de artifício para ludibriar uma suposta falta de conteúdo ou coerência em seus roteiros, e há aqueles que, como eu, enxergam verdadeiras obras de arte em seus devaneios cinematográficos.

O filme começa com a excelente trilha sonora da banda japonesa Flower Travelling Band, intercalando cenas de ação com takes em que o protagonista, um jovem mafioso chamado Kunisada (Riki Takeuchi, um dos atores mais utilizados por Miike em seus filmes), está sendo interrogado em uma delegacia. Nesta montagem inicial o líder do clã de Kunisada, Sanada, é morto em uma emboscada, e mesmo estando em locais diferentes , pupilo e mestre parecem partilhar de um forte vínculo psíquico, uma vez que Kunisada enlouquece ao sentir a morte de seu chefe, que considera como um pai.

Após ser liberado da delegacia, Kunisada reúne seus homens de confiança e planeja vingança contra quem matou seu chefe. É claro que se tratando de uma história sobre a Yakuza, ocorrerão reviravoltas até que se encontre o verdadeiro culpado pela morte de Sanada.

Destaco a atuação de Riki Takeuchi, que embora seja propositalmente over nesse filme (com caretas medonhas), sempre cai como uma luva nos papéis oferecidos por Miike em seus filmes. Takeuchi não é propriamente um estereótipo de cara durão: é meio bochechudo, vesgo e usa um topete que o faz parecer com um daqueles imitadores de Elvis que abundam no Japão. É até estranho que se saia bem atuando como hitman da Yakuza, mas a minha opinião é que ele sempre acaba sendo convincente na pele de um assassino frio e ensandecido. Outras duas figurinhas carimbadas das produções de Miike dão as caras em papéis de apoio: Kenichi Endo (protagonista de VISITOR Q), como melhor amigo de Kunisada e Renji Ishibashi, que mais uma vez interpreta um chefe veterano da organização criminosa. Sonny Chiba (o eterno Takuma Tsurugi da trilogia THE STREET FIGHTER) também faz uma ponta na produção. Em tempo: Sanada é interpretado por Yuya Uchida, veterano cantor e produtor musical, que já trabalhou com a banda responsável pela excelente trilha sonora do filme, a já citada Flower Travelling Band.

Em meio às investigações, Kunisada e seu melhor amigo se apaixonam por duas garotas coreanas, e passam a ser caçados por dois outros assassinos contratados pelas famílias rivais.

O filme não é tão violento quanto alguns trabalhos anteriores de Miike, como ICHI THE KILLER e o primeiro filme da trilogia DEAD OR ALIVE, nem tão surreal quanto FULL METAL YAKUZA ou GOZU, mas estamos falando de um diretor que não tem o menor pudor em colocar um lança mísseis nas mãos de um de seus personagens no centro comercial de Tokyo, como se essa fosse uma alternativa comum na hora de matar seus desafetos em público.

O embate final entre a dupla que busca vingança e os assassinos contratados para dar cabo deles é impressionante: a quantidade de tiros e a locação do duelo me fizeram lembrar imediatamente do final de ROBOCOP, de Paul Verhoeven, uma das influências confessas de Miike. Sem contar que um dos personagens empunha a metralhadora mais insana que já vi.

O desfecho é surpreendente, seguido de uma emocionante canção durante os créditos, enquanto o destino dos personagens é mostrado ao espectador, resultando na mais bela sequência do filme.

DEADLY OUTLAW REKKA não é uma das obras mais comentadas de Miike, mas com certeza é  uma de minhas preferidas.

FULL METAL YAKUZA (Takashi Miike – 1997)

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Voltamos a postar no blog, infelizmente nos encontramos no último dia do mês, e não conseguimos levar à frente a homenagem à Takashi Miike da forma como idealizamos, simplesmente não tivemos tempo para nos dedicar às resenhas, e ficamos devendo nossa opinião em uma porção de filmes. Fechamos então estes dois meses de postagens com apenas 08 resenhas novas sobre as obras do cineasta. Porém, como já foi citado anteriormente, há um forte boato de que teremos aqui em São Paulo uma mostra dedicada ao mestre, provavelmente em Setembro, e nesta ocasião falaremos mais sobre seus filmes.

Seguimos então com dois posts do Batata, sobre os filmes FULL METAL YAKUZA e CROWS ZERO, e um de minha autoria, sobre DEADLY OUTLAW REKKA. Confiram:

Se em ZEBRAMAN Takashi Miike fez uma comédia utilizando tokusatsus e um fã bitolado, em FULL METAL YAKUZA ele cria o perfeito tokusatsu para adultos.

FULL METAL YAKUZA mostra a história de Kensuke Hagane (Tsuyoshi Ujiki), um aspirante à Yakuza que não se mostra um capanga muito bom. Ele tem grande admiração por Tosa (Takeshi Caesar), um dos chefes da gangue. Tosa é preso por matar um chefe rival, e após sua saída da prisão, é morto por seus companheiros junto com Kensuke.

Mas de repente, Kensuke acorda no laboratório do cientista Genpaku Hiraga (Tomorowo Taguchi), que fundiu seu corpo ao de Tosa, complementando com partes cibernéticas. Kensuke agora é um ciborgue superpoderoso e quer buscar vingança contra seus antigos companheiros, apesar dos desejos de seu salvador, que queria que Kensuke se tornasse um super-herói defensor da justiça.

O filme é sensacional, feito com baixo orçamento, muito sangue, crueldade, depravação, e cenas de tortura com mulheres, que, apesar de não serem tão extremas quanto em IMPRINT, tinham um clima que chegava a me lembrar alguns momentos mais sádicos de BODYGUARD KIBA. Além disso, tanto os efeitos especiais quanto o corpo ciborgue de Kensuke são os grandes responsáveis pelo charme tokusatsu do filme, que citei anteriormente.

Apesar de tudo isso, o clima ainda tem momentos muito engraçados, como por exemplo o treinamento de Kensuke em seu novo corpo ciborgue, a maneira curiosa de ele se alimentar, e todas as piadas envolvendo o “instrumento” que ele herdou de Tosa.

O filme foi originalmente concebido para o mercado de V-Cinema, que é o nome dado às produções japonesas que são lançadas direto em vídeo; mas por sua história bizarra, e pela reputação crescente do diretor Takashi Miike, FULL METAL YAKUZA foi ganhando cada vez mais renome.

O ator Tsuyoshi Ujiki participou também dos filmes CURE, também de 1997, ROBOKON de 2003, e participou do seriado SUZURAN. Takeshi Caesar atuou em KAMIKASE TAXI de 1995 e FUDOH de Takashi Miike em 1996. Mas o ator mais clássico do elenco com certeza é Tomorowo Taguchi; só pra citar alguns filmes que ele participou: GUINEA PIG 5 – ANDROID OF NOTRE DAME, TETSUO 1 e 2, BULLET BALLET, TOKYO FIST (sendo os quatro últimos dirigidos por Shinya Tsukamoto), KAMIKASE TAXI, GAMERA 2, KAMEN RIDER – THE NEXT, GANTZ, DEAD OR ALIVE 1 e 2, e ANDROMEDIA, sendo os três últimos de Takashi Miike.

FULL METAL YAKUZA já pode ser considerado um clássico da filmografia de Miike, e contém todos os elementos que podem ser considerados marcas registradas do diretor: yakuzas, sangueira, humor negro, bizarrices e torturas.

Escrito por Renato Ramos Batarce.

THE CITY OF LOST SOULS (Takashi Miike – 2000)

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E o Batata abre o mês de Maio dando continuidade à nossa homenagem ao cineasta Takashi Miike, com uma resenha sobre THE CITY OF LOST SOULS:

Em SUKIYAKI WESTERN DJANGO, Miike optou por fazer um filme com atores japoneses todo falado em inglês, em um sotaque muito evidente. Em THE CITY OF LOST SOULS é a vez dos brasileiros experimentarem o sotaque oriental falando nossa língua oficial.

THE CITY OF LOST SOULS é um filme de ação, que conta a história do brasileiro Mário (Teah), e da chinesa Kei (Michelle Reis), que vivem no Japão. Com toda essa mistura, quase metade do filme é falado em português, metade falado em japonês, e um pouquinho de chinês (isso sem contar o personagem russo), o que torna a obra uma celebração à convivência de culturas e à miscigenação.

O caso é que o português falado por atores estrangeiros (posso estar enganado, mas ao que parece são apenas dois brasileiros de verdade no filme) é realmente muito ruim, tanto que precisei assistir aos diálogos com legendas. Se isso é um problema ou não, depende mais da pessoa que está assistindo, mas se dermos uma boa olhada no histórico de Takashi Miike, é de se presumir que esse defeito tenha sido proposital. Ironicamente, a atriz chinesa Michelle Reis, que nasceu em Macau, uma colônia portuguesa, tem pai português e mãe chinesa, não diz uma palavra em português no filme.

Algumas pessoas podem não gostar da visão do bairro brasileiro de Miike, podem achar estereotipado, com o povo sambando, bebendo e chamando as mulheres de gostosas (além de em certo momento ter uma cena de luta com capoeira), mas sejamos francos, existem diretores brasileiros que exibem cenas como essa de forma bem mais evidente. Vejamos o lado bom, pelo menos os brasileiros no filme não falam espanhol.

O início do filme é bombástico. Em nenhum momento Miike se preocupa em mostrar como o casal de protagonistas se conheceu, ou algo do seu passado; ele preferiu começar do meio da história, com Mário resgatando Kei de ser deportada do Japão, em uma cena de ação energética e exagerada, bem ao estilo John Woo. Após o resgate, o casal é encontrado por Ko, um gangster chinês apaixonado por Kei, que tem negócios no Japão envolvendo drogas. A trama toma seu rumo quando Mário, Kei, Carlos (Atsushi Okuno) e Ricardo (Sebastian DeVicente) resolvem se intrometer nesses negócios.

A trama é bem básica, mas é conduzida de forma energética, e possui personagens interessantes que vão sendo introduzidos calmamente e se encaixando na história. O filme pode estar no meio e ainda não foram apresentados todos os principais personagens. Além disso, o filme conta com vários toques “Miikeanos”, que dão aquele toque especial, como cabeças em chamas, personagens que saltam de enormes alturas sem se ferir, e a famosa briga de galos porcamente computadorizados à la MATRIX.

Hora de dar nome aos bois: o brasileiro Mário é interpretado pelo ator japonês Teah (que foi abrasileirado no filme, ficando com pele morena e cabelos encaracolados e mullets), e participou dos filmes IZO, DEAD OR ALIVE 2: TOBOSHA, e também do prequel de ICHI THE KILLER, o filme 1 ICHI. Michelle Reis começou a carreira como modelo, mas depois se tornou uma atriz famosa na China, atuando em filmes como SWORDMAN 2 (1991), DRUNKEN MASTER 3 (1994) e FALLEN ANGELS (1995). O elenco conta também com o ator chinês Terence Yin, famoso por diversos filmes como BLACK MASK 2: CITY OF MASKS (2002), DEAD OR ALIVE: FINAL (2002) e NEW POLICE STORY (2004). Os atores brasileiros são Sebastian DeVicente, que interpreta Ricardo, e Márcio Rosario (que já fez diversos trabalhos em séries, novelas e filmes, tanto nacionais quanto internacionais), que interpreta Sanchez, o apresentador da TV Piranha. Por último, Lúcia, a prostituta e ex-caso amoroso de Mário é interpretada pela atriz mexicana Patrícia Manterola.

Ah, não deixem de assistir às cenas que passam durante os créditos do filme, pois elas mostram o destino de dois personagens coadjuvantes.

Escrito por Renato Batarce.

Cinema de Bordas – 3ª edição

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Começa hoje a 3ª edição da mostra Cinema de Bordas no Itaú Cultural, uma ótima oportunidade para os cinéfilos paulistas prestigiarem o trabalho de realizadores independentes brasileiros. Este ano teremos a exibição de 18 obras, entre curtas e médias, contando tanto com filmes recentes quanto com alguns mais antigos.

Na noite de abertura da mostra será apresentada uma prévia de A NOITE DO CHUPACABRAS, o tão aguardado novo filme de Rodrigo Aragão, diretor do já clássico MANGUE NEGRO (apresentado na 1ª edição da mostra, em 2009) e os novos curtas de Joel Caetano e Coffin Souza, ESTRANHA e A PAIXÃO DOS MORTOS, respectivamente; este último estrelado pela nova musa do underground nacional, Gisele Ferran.

Serão exibidos também EXTREMA UNÇÃO, novo curta de Felipe M. Guerra, e o mais recente  filme de Petter Baiestorf , O DOCE AVANÇO DA FACA. Como já é de costume, haverá palestra com os curadores Bernadette Lyra, Gelson Santana e Laura Cánepa no primeiro dia do evento, e também bate-papos com alguns dos diretores ao longo da mostra.

Destaco também na seleção os filmes ROQUÍ – O BOXEADOR DA AMAZÔNIA, de Renato Dib, estrelando Aldenir Coti, mais conhecido como “Rambo da Amazônia”, astro da série de filmes RAMBÚ, e os mais antigos MUSEU DE CERA, de Pedro Daldegan e O LOBISOMEM DA PEDRA BRANCA, de José Denísio Pereira, ambos da década de 80, que parecem muito interessantes.

Enfim, diversão garantida para quem gosta de fugir do lugar comum e aprecia o ótimo cinema independente brasileiro.

O Itaú Cultural fica situado na Av. Paulista, 149 (próximo à estação Brigadeiro do metrô). Entrada franca. Vejam a programação completa AQUI.

JESUS CHRIST VAMPIRE HUNTER (Lee Demarbre – 2001)

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Para amenizar um pouco o clima das produções comentadas aqui no blog, nada melhor do que um ótimo filme trash cheio de idéias insanas, humor anárquico, porrada e vampiros.  Com a palavra, Batata:

Existem certas produções que nos deixam surpresos com até onde a imaginação e a ousadia humana podem chegar. Muitas vezes nos decepcionamos com idéias originais mal executadas, ou filmes pretensiosos que acham que podem se tornar cult apenas por serem bizarros. Felizmente não é o que acontece aqui.

JESUS CHRIST VAMPIRE HUNTER é daqueles filmes que funcionam tão bem numa tarde solitária, quanto numa noite com os amigos. É diversão certa pra quem não se importar com as (muitas vezes inspiradas) piadas religiosas, e preferir rir com elas. Um crítico da Variety observou que “o filme é muito bobo para ser ofensivo”.

A história é um delicioso absurdo. Aparentemente Jesus sempre esteve entre nós, morando em uma praia. Quando as lésbicas do mundo começam a desaparecer, alguns padres que conhecem seu segredo (entre eles um punk) resolvem pedir sua ajuda. Fica claro que as moças estão sendo vítimas de um grupo de vampiros, mas Jesus está pronto pra briga, utilizando suas habilidades em artes marciais, em criar estacas de madeira (afinal ele era carpinteiro), e inclusive sua onipresença.

E não para por aí. Para ficar mais com a cara do mundo atual, ele resolve aderir a uma imagem mais moderna (sem barba ou cabelo). Durante sua saga, ele vai enfrentar a descrença com dança e música, vai se confrontar com os ateus, receber conselhos dos seus pais (nas formas mais inusitadas), vai comer no Hooters, entre muitas outras bizarrices.

O filme é empolgante, engraçado, e Jesus se mostra um herói bastante carismático. A própria produção barata provoca risos, sem que isso a ridicularize a ponto de desmerecê-la. Não é um superfilmão épico nem nada, mas cenas e frases acabam grudando na memória (“se eu não voltar em 5 minutos, chame o Papa”).

Filme canadense de 2001, até hoje ele é o maior sucesso da Odessa Filmworks, uma pequena produtora de Ottawa, fundada por Lee Demarbre, o diretor do filme. Apesar disso, o grande símbolo da produtora é o personagem Harry Knuckles, com 04 filmes na produtora entre curtas e longas. O personagem é interpretado por Phil Caracas, o mesmo que encarna Jesus no filme.

Mas o filho de Deus não está sozinho no longa. Ele recebe ajuda da garota Mary Magnum (Maria Moulton), e do lutador mexicano El Santo.

Peraí, El Santo voltou dos mortos?

Na verdade, trata-se do ator Jeff Moffet, que assim como o ator turco Yavuz Selekman em 3 DEV ADAM (filme turco de 1973, onde El Santo e Capitão América enfrentam o criminoso Homem-Aranha), faz uma versão não autorizada do luchador como homenagem.

Pra quem não conhece, El Santo foi um lutador mexicano mascarado, que se tornou ícone. Além de lutador, já teve sua série de histórias em quadrinhos, atuou em 52 filmes, e em toda a sua carreira só mostrou seu rosto uma única vez na TV mexicana após sua aposentadoria. Seu nome era Rodolfo Guzmán Huerta, e faleceu em 1984 aos 66 anos. Um de seus filhos, Jorge Guzmán Rodríguez seguiu os passos do pai, utilizando o nome El Hijo del Santo. Em 2004, o Cartoon Network latino realizou uma série de 05 animações curtas em homenagem a El Santo.

Essa não foi a única vez que Jeff Moffet encarnou esse personagem. O El Santo canadense também pode ser encontrado nos filmes HARRY KNUCKLES AND THE TREASURE OF THE AZTEC MUMMY (1999), e HARRY KNUCKLES AND THE PEARL NECKLACE (2004), ambos, claro, da Odessa Filmworks.

Enfim, assistam ao filme com a mente aberta, e terão uma grande diversão. Sim, os efeitos são toscos, as atuações são ás vezes risíveis, ás vezes canastronas, e ás vezes até mesmo inexpressivas, mas na verdade, a própria tosquice contribui para o triunfo do filme. Estou certo de que há a possibilidade de que muitos não concordem com isso, e detestem o filme, mas oras bolas, isso acontece com praticamente todas as obras existentes (nem Jesus conseguiu agradar a todos, hahaha).

Por incrível que pareça, se pesquisarmos iremos encontrar produções muito mais bizarras que utilizam a figura de Jesus. Essa o transformou em um herói, um herói moderno, e se repararem, com idéias bem modernas sobre o cristianismo. Assistam, talvez esse filme faça com que você cresça espiritualmente, e sua alma pare de se atormentar com dúvidas como “haverá limonada o suficiente?”

Escrito por Renato Batarce.

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