Considerações sobre o 3º Cinema de Bordas

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Ficamos sem atualizações aqui no blog devido à falta de tempo, e um dos motivos deste sumiço nas últimas semanas foi a 3ª edição da mostra Cinema de Bordas. De fato, este foi um evento memorável. O evento cresce a cada ano em qualidade e visibilidade, e os filmes exibidos estão cada vez melhores e mais interessantes.

A festa de abertura da mostra foi ótima, com a exibição de algumas cenas do tão aguardado A NOITE DO CHUPACABRAS do capixaba Rodrigo Aragão (tive a oportunidade de conhecer o diretor, que é um cara gente fina pra caramba, e de me redimir de ter baixado MANGUE NEGRO uns tempos atrás comprando o DVD original de suas mãos, recheado de extras), e a estréia do novo curta de Joel Caetano, ESTRANHA, que possuí uma história simples mas com uma ótima sacada, excelente maquiagem e atuações inspiradas de Mariana Zani,  Kika Oliveira e Walderrama dos Santos.

Os debates desta edição foram muito divertidos, com destaque aos bem humorados bate-papos com Seu Manoelzinho, que desta vez teve o impagável A GRIPE DO FRANGO exibido para o público, e a dobradinha de Felipe M. Guerra e Petter Baiestorf, que falaram muito sobre produção de filmes independentes no Brasil, internet, pirataria e contaram alguns “causos” que levaram a platéia ao riso em vários momentos.

Tivemos também a presença de uma das maiores “estrelas” das bordas: Aldenir Coti, o Rambú. Ele estava por lá para divulgar seu mais novo filme, ROQUÍ, juntamente com o diretor do curta, o figuraça Renato Dib.

Além dos filmes já citados aqui e no último post, destaco O TORMENTO DE MATHIAS, de Sandro Debiazzi, que conta com cenas gravadas em 1992 e que foi finalizado agora em 2011, contando com algumas pessoas do elenco original, o que torna a produção muito curiosa. Com uma história criativa e bom humor, este filme fechou muito bem a mostra deste ano.

Eu e o Batata fizemos a oficina “Produzindo com Recurso Zero”, com orientação de Joel Caetano e Mariana Zani, e além de termos feito novas amizades e nos divertido bastante, gravamos o curta que vocês podem conferir no fim do post.

(PS: continuaremos a falar exclusivamente de Takashi Miike nas resenhas agora em Maio. Existe o boato de que ele estará em Setembro aqui em SP, quando soubermos mais sobre a possível vinda do mestre ao Brasil, comentaremos aqui!)

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Cinema de Bordas – 3ª edição

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Começa hoje a 3ª edição da mostra Cinema de Bordas no Itaú Cultural, uma ótima oportunidade para os cinéfilos paulistas prestigiarem o trabalho de realizadores independentes brasileiros. Este ano teremos a exibição de 18 obras, entre curtas e médias, contando tanto com filmes recentes quanto com alguns mais antigos.

Na noite de abertura da mostra será apresentada uma prévia de A NOITE DO CHUPACABRAS, o tão aguardado novo filme de Rodrigo Aragão, diretor do já clássico MANGUE NEGRO (apresentado na 1ª edição da mostra, em 2009) e os novos curtas de Joel Caetano e Coffin Souza, ESTRANHA e A PAIXÃO DOS MORTOS, respectivamente; este último estrelado pela nova musa do underground nacional, Gisele Ferran.

Serão exibidos também EXTREMA UNÇÃO, novo curta de Felipe M. Guerra, e o mais recente  filme de Petter Baiestorf , O DOCE AVANÇO DA FACA. Como já é de costume, haverá palestra com os curadores Bernadette Lyra, Gelson Santana e Laura Cánepa no primeiro dia do evento, e também bate-papos com alguns dos diretores ao longo da mostra.

Destaco também na seleção os filmes ROQUÍ – O BOXEADOR DA AMAZÔNIA, de Renato Dib, estrelando Aldenir Coti, mais conhecido como “Rambo da Amazônia”, astro da série de filmes RAMBÚ, e os mais antigos MUSEU DE CERA, de Pedro Daldegan e O LOBISOMEM DA PEDRA BRANCA, de José Denísio Pereira, ambos da década de 80, que parecem muito interessantes.

Enfim, diversão garantida para quem gosta de fugir do lugar comum e aprecia o ótimo cinema independente brasileiro.

O Itaú Cultural fica situado na Av. Paulista, 149 (próximo à estação Brigadeiro do metrô). Entrada franca. Vejam a programação completa AQUI.

Entrevista com Petter Baiestorf

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É com grande prazer que publico agora no blog nossa primeira entrevista, feita neste fim de semana com o gênio do cinema trash/exploitation nacional, o catarinense Petter Baiestorf. Apesar de muitos de seus filmes terem se tornado verdadeiros clássicos do cinema underground ao longo de quase duas décadas de trabalho na Canibal Filmes, suas obras até hoje são produzidas e distribuídas de forma totalmente independente.

Para os que ainda não conhecem o diretor, recomendo a leitura do blog Canibuk, atualizado por Baiestorf e Leyla Buk constantemente, com notícias sobre seus novos projetos e uma tonelada de informações sobre os mais diversos assuntos ligados à arte, música, literatura e cinema. Leiam também uma ótima matéria sobre a história da Canibal Filmes AQUI, e claro, comprem seus filmes no site da Bulhorgia Produções!

Agora vamos à entrevista:

Como você definiria seu trabalho como diretor?

Baiestorf: Nunca paro prá pensar nisso na verdade. Faço vários estilos de filmes porque não gosto de ficar preso em um único gênero na verdade. Faço vídeo poesia, filmes surrealistas, projetos experimentais, trash-movies, gore movies e filmes mais eróticos, quando não misturo tudo isso numa mesma produção! Sempre acredito em evoluir no que tu quer dizer ao público, então se pegar meus filmes de 18 anos atrás, tu vai ver que continuo desenvolvendo uma temática anarquista. É uma espécie de cinema autoral sem levar à sério a palavra autoral, porque quando cara começa a se levar à sério é o começo do fim!

Quais são suas maiores influências cinematográficas?

Baiestorf: Comecei a fazer por causa do cinema vagabundo mundial que me foi bombardeado na infância, produções brasileiras, mexicanas, italianas, chinesas e americanas. Dois filmes foram diretamente responsáveis por eu querer começar a fazer filmes: “The Incredible Melting Man” e “Ultimo Mondo Cannibale”. Um diretor também foi responsável por eu querer fazer filmes, isso já lá pelos 14 anos de idade, 1988, quando tomei conhecimento das idéias de John Waters. Logo depois que comecei a fazer filmes no ano de 1992, na seqüência, comecei a tomar contato com diretores interessantes como George Kuchar, Koji Wakamatsu, Dusan Makavejev, Jodorowsky. Não faço filmes na linha deles, mas suas idéias de cinema tem muita influência quando realizo minhas produções caseiras com amigos. Acho que cinema/vídeo não podem ser apenas diversão, tem que ser diversão mas também trazer alguma pergunta (trazer perguntas, não respostas) e fazer o expectador pensar. Tenho consigo isso com minhas produções.

Qual, dentre os filmes que você já fez, é o seu preferido? Em qual deles você acha que se saiu melhor como diretor?

Baiestorf: Não tenho filme preferido, todos os meus filmes representam uma pequena parte da minha vida, são coisas que tinham que sair de dentro de mim, depois que saiu é do mundo, ficam rodando por tudo que é lugar que aceite exibi-los. E as vezes me surpreende filmes que fiz lá por 1996, sendo exibidos ainda em mostras junto de filmes recentes, acho que são filmes caseiros que permaneceram na mente das pessoas, talvez justamente por serem filmes que fazem as pessoas pensarem. Filmo rápido demais, são tantos projetos por ano que nem rola tempo de me apegar à um filme!

Você diz que não gosta de ZOMBIO, pois ele não tem sua “marca”, porém este é justamente um dos filmes de maior repercussão da Canibal Filmes. A que você atribui isso?

Baiestorf: Porque “Zombio” é um dos únicos filme que fiz que é sessão livre e mais adolescente, ele não ofende e é fácil de ser compreendido. Por isso que 13 anos após ter sido lançado continua sendo visto, continua “popular” entre o pessoal que gosta de filmes de baixo orçamento. Em 2007 eu re-lancei “Zombio” em alguns cinemas aqui do sul prá fazer Double feature com o recém lançado “Arrombada” e pessoal continua curtindo ele. É gratificante um filme continuar sendo assistido, mas acho ele tão bobinho!

Fale um pouco de seus projetos futuros. Como serão estas filmagens com o Felipe M. Guerra na Páscoa?

Baiestorf: O projeto “Páscoa Sarnenta” é o seguinte: Felipe Guerra me procurou querendo fazer um documentário sobre “como fazer um filme de baixo orçamento filmado em 3 dias” e aceitei no ato. Só que como sou um sem noção completo, resolvi aumentar o desafio e fazer 4 filmes em 3 noites e 2 dias de filmagens, enquanto ele documenta todo esse processo de filmagens alucinantes, vou fazer 3 curtas, “Pampa’Migo”, “O Monstro Espacial” e “Filme Político Número Um” e num ato de metalinguagem total, vou fazer um documentário do Felipe Guerra documentando tudo, Se eu falhar estará tudo registrado num documentário para todos aprenderem como Não Fazer um filme de baixo orçamento.

Você escreveu em seu blog que tem vontade de refilmar alguns de seus trabalhos antigos. Dentre os filmes que você mencionou, NINGUÉM DEVE MORRER é o mais recente. O que você sente que precisa ser mudado nele?

Baiestorf: Pretendo sim refilmar de maneira profissional o “Ninguém Deve Morrer”. Quando comecei a escrever este filme eu tinha uma idéia prá um filme de longa-metragem, desenvolvendo melhor as personagens todas, era muito mais insano e surreal do que aquilo apresentado na tela. Minha idéia é refazê-lo com um orçamento maior, equipe técnica profissional e várias outras mudanças. Primeiro que nas minhas pesquisas musicais para a trilha sonora deste filme, encontrei muitas músicas que eu gostaria de ter usado nele e não foi possível quando comecei a cortar idéias para adequá-lo nos 30 minutos que ele e quero comprar essas músicas que usei para não ter problemas de direitos autorais, só com grana minha é impossível isso. Muita idéia boa ficou de fora, várias personagens que eu queria desenvolver ficaram de fora. Todo um bordel com putas dançarinas ficou de fora. Sem contar que eu tinha apenas 6 mil reais de orçamento e apenas 5 dias para filmá-lo. Foi insano as filmagens, filmar uma média de 8 seqüências completas por dia é tarefa ingrata, precisava de mais tempo para filmar tudo como deveria ter sido filmado, para mim o “Ninguém Deve Morrer” que fiz em 2009 é um esboço de um projeto muito maior. Mas não tinha dinheiro para manter a equipe reunida por mais do que 5 dias, então, por enquanto, é este o filme que consegui fazer com o material que tinha nas mãos.

(Assistam ao filme NINGUÉM DEVE MORRER completo no Youtube – Partes 01, 02 e 03)

A meu ver, ARROMBADA – VOU MIJAR NA PORRA DO SEU TÚMULO!!!!, VADIAS DO SEXO SANGRENTO e O DOCE AVANÇO DA FACA formam a mais nova trilogia do cinema de gênero no Brasil. Pretende continuar nesta veia Sexploitation com suas novas produções?

Baiestorf: Sim, eu faço sexploitations alternados por filmes experimentais desde 1996 (meus projetos entre 1992 e 1995 foram filmes que pertencem mais ao universo trash das Sci-Fi americanas) e esses 3 títulos que tu mencionou são parte de uma série que vai ter mais de 20 filmes carregados de violência e sexo que pretendo desenvolver nesta próxima década. Acredite, vários outros filmes extremamente exagerados estão por vir, tenho uns 8 filmes já escritos prá essa série e a cada novo título a coisa vai ficar mais divertida e insana.

Li em seu blog que ZOMBIO deveria ter sido um filme totalmente diferente (ainda mais insano do que é), ainda pretende levar o roteiro original às telas?

Baiestorf: Porra, “Zombio” eu vou refilmar também qualquer dia desses prá filmar a idéia original que eu tinha na época das filmagens. Ele foi uma sucessão de problemas de orçamento e de dias para filmar. “Zombio” a gente filmou todo ele em 4 dias e com menos de mil reais. Eu dormia 2 horas por dia, re-escrevia todo material que ia filmar poucas horas antes de filmar. Tive que cortar todas as ações que se passariam numa aldeia de pescadores porque nosso orçamento não permitiu construir a aldeia. Rolou várias discussões entre pessoal da equipe-técnica por causa do stress e cansaço, as condições de filmagem não eram as ideais. O interessante do “Zombio” é que saíram inúmeras produções de temática zumbis aqui no Brasil nos últimos anos e ele foi exibido em todas as mostras que exibiam essas novas produções. Achei isso bem legal!

Sente vontade de filmar novamente com VHS?  Desconsiderando o preço absurdo, já teve vontade de filmar com película?

Baiestorf: Não prá duas perguntas. Filmei em VHS porque quando comecei era o que tinha. E filmar em película não é viável para produtores independentes, não há essa necessidade.

O que você acha da censura em alguns de seus filmes para exibição em mostras e festivais?

Baiestorf: Quanto a censura, vejo que não preciso de ditadura militar prá ser censurado em quase tudo que é lugar. Nem quero falar sobre isso, mas ser censurado, ter cenas cortadas dos filmes para que possam ser exibidos em alguns lugares é algo deprimente. Acho que o público adulto deve escolher o que quer ver e que os filmes passem inteiros, sem cortes. Se o filme é uma merda o espectador abandona a sala de exibição, não precisa de censura!

Eu particularmente gosto muito de média-metragens. Qual o formato que você acredita que funciona melhor para seus filmes e para produções independentes/experimentais em geral?

Baiestorf: Acho que cada filme, cada produção, cada projeto acaba definindo seu tamanho. Gosto bastante de fazer curta-metragens e média-metragens (apesar de já ter feito 13 longas). Para a Canibal Filmes o formato que melhor funciona são os médias, filmes entre 30 e 50 minutos. O último longa que fiz foi em 2006, estou querendo voltar ao formato longa-metragem com algum projeto mais profissional e com orçamento maior. Se essas tentativas de filmar mais profissionais darem em nada vou trazer de volta umas idéias antigas prá um longa-metragem existencial que eu ia fazer nos anos 90 e acabei deixando de lado. Este longa existencial vai ser em ritmo lento, mais haver com filmes que fiz nos anos 90 do que os filmes que estou fazendo agora.

Você aceitaria trabalhar com um grande estúdio, sem restrições no orçamento, porém sem exageros na violência, gore e nudez, para poder se adequar a uma classificação etária mais branda?

Baiestorf: Não vou responder isso. É uma pergunta hipotética demais. Sei que vou filmar uma série de sexploitations com grana do meu bolso e temáticas ofensivas e exageradas. Isso é fato!

Qual a posição que você acredita que a Canibal Filmes possui em relação ao cenário cinematográfico nacional? Você sente que tem o reconhecimento que merece?

Baiestorf: Nunca pensei nisso, qual seria a posição da Canibal Filmes no cenário cinematográfico brasileiro. Acho que isso apenas o tempo vai responder, ainda é cedo demais prá pensar nisso. Eu tento dar continuidade ao tipo de cinema ofensivo que era feito na Boca do Lixo paulista misturando os anos 60 do cinema Marginal com os anos 80 do cinema mais pornográfico sem limites que se fazia lá. Talvez o papel da Canibal Filmes seja influenciar o surgimento de jovens cineastas independentes e desses jovens cineastas independentes pode surgir várias cabeças com idéias realmente novas. Talvez minha maior contribuição ao cinema nacional foi de acabar com essa idéia que cineasta brasileiro é um ser especial, intocável. Fodam-se os mitos, qualquer imbecil com uma filmadora faz um filme e sou um exemplo perfeito disso!

Qual o conselho que você daria para quem começa agora a fazer cinema independente?

Baiestorf: Seguinte: Menos teoria e mais filmes. Menos ego e mais apoio-mútuo. E sejam agressivos, façam filmes sujos, filmes que tenham o que dizer, filmes suados que desagradem, que causem estranheza no espectador, não tenham medo de ofender.

Deixe uma mensagem para quem acompanha seus filmes:

Baiestorf: Estudem prá caralho, estudem tudo que vocês conseguirem colocar as mãos. Precisamos de uma nova geração menos preguiçosa. Não tenham preguiça de aprender. Exercitem a mente e duvidem de tudo, Não existem mestres, não existem deuses, você é capaz de fazer tudo que quiser. Persiga seus sonhos!!!

Assistam abaixo ao trailer de ZOMBIO, e ao documentário BAIESTORF: FILMES DE SANGUEIRA E MULHER PELADA de 2004, filmado em Porto Alegre por Christian Caselli, durante o festival CineEsquemaNovo:

IZO (Takashi Miike – 2004)

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Para os leitores do blog e fãs de Takashi Miike, segue um texto do Batata sobre um dos mais densos e impressionantes filmes do mestre, o belo e sanguinário IZO:

IZO é uma experiência cinematográfica totalmente surreal e experimental.

O protagonista é baseado no personagem histórico real Okada Izo, um samurai assassino do período do Bakumatsu. Já apareceu em várias outras obras de diferentes mídias, como por exemplo, o assassino Udo Jun-ei do mangá Rurouni Kenshin foi baseado em Okada Izo.

A história do filme começa com a morte de Izo. Ele é crucificado (no primeiro de vários simbolismos religiosos) após anos de assassinato sob as ordens de um senhor feudal. Como toda a vida de Izo foi baseada em morte e violência extrema, seu espírito não consegue entrar nem no inferno, nem tampouco no céu, então começa a vagar e matar quem estiver no seu caminho, perturbando a ordem da existência.

Enquanto Izo prossegue seu caminho de matança, existe um grupo de pessoas que sabe de cada um de seus passos e se preocupa com os danos que o espírito vem causando. Esse grupo é divido entre sacerdotes (Religião), e políticos (Estado). Durante toda a história, as pessoas têm seguido as regras ditadas por essas duas instituições e sido governadas por elas, por isso que, independente da época que Izo se encontra, eles sempre estão sabendo de suas ações, já que o poder deles é atemporal. O filme reflete sobre o poder exercido sobre o indíviduo, como por exemplo, na frase dita por crianças na escola: “nação é um delírio maléfico só existente nas mentes humanas; uma noção imaginária de falsidade que existe apenas para controlar e governar pessoas que instintivamente se aglomeram em bandos.”

Izo é a representação da violência e da marginalização, por isso não segue nenhuma das regras políticas, religiosas ou morais. Sendo assim, não importa se são sacerdotes, polícia, gangues, assassinos, inocentes ou crianças, todos são abatidos sem piedade. Como espírito, Izo é aquilo que se tornou e nada mais, é a representação de tudo que conheceu em suas experiências em vida. Izo é o espírito do caos, contra qualquer tipo de ordem. Seu caminho é nada mais nada menos que violência cíclica e sem fim, mas em determinado momento ele se opõe até mesmo a isso, se negando a aceitar seu carma.

Os atos de crueldade de um indivíduo causam grandes deformações ao espírito, então quanto mais destruição é causada por Izo, mais seu corpo se modifica, até que ele se transforma em uma figura praticamente demoníaca.

Cada cena possui reflexões próprias, com frases existencialistas, filosóficas, políticas e poéticas muito inspiradas, ditas pelos diversos personagens. Além dos adversários, um espírito feminino acompanha Izo em parte de sua jornada, mas quem causa mais impacto é o homem com violão que de repente surge em muitas cenas, cantando poesias belíssimas, cheias de sentimento, metendo a mão no instrumento. Miike valoriza essas performances do músico Kazuki Tomokawa (também conhecido como “O Filósofo Gritante”), reservando para ele momentos algumas vezes bem longos até, para que o mesmo se expresse, aumentando o impacto emocional do filme.

Além do músico, o elenco de Izo ainda conta com o artista plástico Kazuya Nakayama como o personagem título, Kaori Momoi (de SUKIYAKI WESTERN DJANGO), o sensacional Takeshi Kitano (ZATOICHI, BATTLE ROYALE 1 e 2 e JHONNY MNEMONIC, só pra citar alguns), e a participação especial do lutador Bob Sapp (tomando um coro, como sempre).

Takashi Miike produz um filme pesado, de difícil absorção ao grande público devido à sua trama sem linearidade, e matança atrás de matança em seus 128 minutos. O diretor mostra grande habilidade ao conduzir essa trama de forma ágil, mesclando também várias imagens de arquivo sobre violência e guerra durante a história. Como uma trama surreal, o principal não é encontrar sentido, mas deixar-se levar pelos pensamentos e sentimentos que as frases, sons e imagens causam a cada um.

Diz a lenda, que esse projeto surgiu da frustração de Miike perante a baixa aceitação de Gozu por público e crítica. Sendo isso verdade ou não, esse filme é praticamente uma poesia em movimento, e deve ser visto por quem acha que Takashi Miike não passa de um diretor maluco que apenas produz filmes de ultraviolência estilizada (como Robert Rodriguez). Mesmo grandes fãs do diretor podem se surpreender, eu me surpreendi.

Escrito por Renato Batarce.

ZEBRAMAN (Takashi Miike – 2004)

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Vocês se lembram das séries de super-heróis vindas do Japão que passavam na TV alguns anos atrás? Ultraman, Jaspion, Changeman, Flashman, Jiraiya e tantos outros… Pois é, quem está perto da casa dos 30 anos com certeza se lembra. Estas séries fizeram a alegria da molecada no final da década de 80 e início da de 90, tendo sido exibidas à exaustão pela extinta TV Manchete, e posteriormente espalhando-se por outras emissoras.  Estes seriados, e uma porção de filmes também, são conhecidos como Tokusatsu, nome criado a partir da junção das duas palavras do termo japonês “tokushu satsuei”, que significa algo como “filmes de efeitos especiais”.

O gênero Tokusatsu é muito popular no Japão, e embora os primórdios deste tipo de produção apontem para os filmes de monstros gigantes (Kaiju Eiga, ou Daikaiju Eiga), como Godzilla, Mothra e Gamera, destinados ao público adulto em geral, hoje em dia o termo é largamente utilizado para se referir apenas às séries de super-heróis exibidas semanalmente no Japão, direcionadas estritamente ao público infantil e infanto-juvenil. Como todo bom gênero cinematográfico ou televisivo, o Tokusatsu possui alguns subgêneros: o de esquadrões de heróis multicoloridos que possuem um robô gigante (Super Sentai), guerreiros com armaduras metálicas (Metal Heroes), heróis gigantes intergalácticos (Kyodai Heroes) e aqueles que “apenas” sofrem algum tipo de mutação ou metamorfose e caem na porrada com os mais diferentes tipos de malfeitores (Henshin Heroes). Este nicho se mostrou muito rentável, e as duas maiores produtoras japonesas deste tipo de seriado, a Toei Company e a Tsuburaya Productions, responsáveis pela criação das franquias Kamen Rider e Ultraman, respectivamente, conseguiram consolidar seus personagens e produtos na cultura pop do país ao longo dos últimos 45 anos, tornando-os verdadeiros ícones da produção audiovisual nipônica.

ZEBRAMAN, realizado por Takashi Miike em 2004, é uma homenagem ao gênero Tokusatsu, e de certa forma, uma bem humorada paródia.

Sho Aikawa (excelente ator, e protagonista de diversos filmes de Miike) é Shinichi Ichikawa, um professor de escola primária que leva uma vida patética: não é respeitado por sua família nem por seus alunos, e como forma de escapar da realidade, vive assistindo séries de tokusatsu na TV. Seu herói preferido é Zebraman, que estrelou uma série que acabou sendo cancelada após 13 episódios, quando Ichikawa era jovem.

Como se não bastasse, o professor possui um estranho hobby: confecciona roupas idênticas ao figurino do herói, e passa horas em seu quarto fantasiado, treinando golpes e reproduzindo falas e trejeitos de seu ídolo. Paralelamente, a polícia japonesa começa a investigar a possível presença de alienígenas na terra, e tem também que se preocupar com uma onda de ataques a mulheres, efetuados por um louco que usa um capacete em formato de caranguejo (?).

Em meio a esse bizarro cenário, um aluno novo é transferido para a escola onde Ichikawa leciona, e após descobrir que o garoto conhece Zebraman através dos relatos de seu falecido pai, um vínculo forte começa a se formar entre os dois. Ichikawa também se aproxima da mãe de Asano, o novo aluno, e começa a sentir uma certa atração por ela.

Cada vez mais absorto em seu mundo imaginário, e contagiado pela empolgação do pequeno Asano que idolatra Zebraman, Ichikawa começa a sair na rua trajando sua fantasia, e é justamente em um desses passeios noturnos que ele se encontra com o maníaco que anda atacando mulheres na cidade. Como todo bom herói, o protagonista impede que mais um crime aconteça, mas um confronto entre os dois é inevitável. E é a partir daí que o filme começa a ficar cada vez melhor.

Ichikawa é um homem franzino, desajeitado e de meia-idade, e quando se vê frente a frente com um criminoso real não consegue esconder de si mesmo o fato de que não deveria estar nas ruas, fantasiado, procurando confusão. Mas para sua própria surpresa, o professor consegue desviar dos ataques do maníaco de forma espetacular, com reflexos sobre humanos e acrobacias incríveis. Ichikawa não só consegue se proteger como também revidar com um violento super golpe. Fica claro que o protagonista acreditou tanto em seus devaneios que os poderes e habilidades de Zebraman passaram a se manifestar em nosso mundo. Caberá a ele agora garantir a segurança dos cidadãos de sua cidade, em meio à crescente onda de violência e aos estanhos acontecimentos relacionados à invasão alienígena.

A produção é muito caprichada, e um fato interessante é que o herói aparece com três diferentes roupas durante o filme: a tosca fantasia feita pelo protagonista, a vestimenta original que o herói trajava na série exibida na TV e uma outra versão, já nos moldes atuais, quando o herói está no auge de sua força. Esta última, muito parecida com uma espécie de armadura, evolui sozinha a partir da versão antiga, numa cena muito interessante.

Para quem gosta de tokusatsu, o filme é diversão garantida. Já havia mencionado aqui que a obra é uma espécie de homenagem de Miike ao gênero, e isso pode ser visto com clareza na cena em que o professor descobre que seu novo aluno conhece Zebraman. Com uma narração em off do garoto, vemos o que seria a sequência de abertura da antiga série do personagem, gravada por Miike nos moldes das produções setentistas, com alguns “defeitos” especiais e uma música tema idêntica às que tocavam nestas produções. O ator escolhido para encarnar Zebraman na série de TV é o veterano Hiroshi Watari, protagonista de Sharivan e Spielvan, duas séries de muito sucesso no Japão, e é considerado por muitos um dos melhores atores de tokusatsu de todos os tempos.

Embora este não seja um trabalho “convencional” de Takashi Miike, muitas de suas características cinematográficas estão presentes: edição ágil, trilha sonora barulhenta, cenas violentas e temática absurda. Um presente para aqueles que assistiram este tipo de série na infância, mas também não deixa de ser um ótimo filme para quem procura por um pouco de ação e humor descompromissados.

SUKIYAKI WESTERN DJANGO (Takashi Miike – 2007)

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Para dar o chute inicial no “Mês Takashi Miike” aqui no blog, o Batata escreveu sobre SUKIYAKI WESTERN DJANGO, um western bem diferente, feito pelo diretor em 2007, traçando um paralelo com outras duas obras, verdadeiros clássicos do cinema:

Quer gostem ou não, Takashi Miike é um ícone cult. Apesar de alguns o considerarem um diretor de filmes de Yakuza, outros um diretor de cinema de horror, quem conhece melhor sua obra sabe que é impossível defini-lo em apenas um gênero (afinal, até pelo infantil ele se aventurou), apesar de sempre ter aquele toque de exagero surpreendente com classe, que acabou se tornando sua marca.

No quesito violência, podemos dizer que, pelo menos no Ocidente, esse exagero foi fundamental para formar sua legião de fãs, entre eles, nomes bem conhecidos como Quentin Tarantino, Benicio Del Toro, Eli Roth, e todo o resto do Splat Pack.

Como todos sabem, esses cineastas são bem unidos, e sempre acabam firmando uma amizade entre si, trocando idéias e formando parcerias. Pra quem não lembra, Takashi Miike fez uma participação relâmpago em O ALBERGUE (HOSTEL, 2005), escrito e dirigido por Eli Roth e apadrinhado por Tarantino.

Em SUKIYAKI WESTERN DJANGO, percebemos uma grande influência dessas parcerias. Sim, é um bom filme, e Takashi Miike fez um grande trabalho em vários aspectos, mas acabou tornando-se um dos seus filmes com a linguagem mais pop, e em alguns momentos tentando se forçar a parecer cult. Notam-se também um ou outro diálogo um pouco longo e insólito demais, que parece soar mais como algo escrito por Tarantino, que inclusive participa do filme.

Bom, mas vamos à história, SUKIYAKI WESTERN DJANGO é um trocadilho com os filmes de faroeste italianos (Spaghetti Western), junto com o nome do famoso personagem Django, inclusive utilizando a mesma música do filme (composta por Luis Enríquez Bacalov, letra por Franco Migliacci), só que em uma versão cantada em japonês.

Após uma breve introdução (com a atuação de Tarantino), começa a história do pistoleiro solitário e sem nome (Hideaki Ito), que chega em um vilarejo dominado por duas gangues rivais, os Brancos e os Vermelhos. Após uma breve demonstração de suas habilidades, os dois grupos se interessam por ter o pistoleiro do seu lado, porém, após ouvir da senhora Ruriko (Kaori Momoi) a história de como o vilarejo foi tomado e como famílias foram destruídas, o solitário viajante decide ao mesmo tempo satisfazer seus interesses, e libertar o vilarejo do domínio das duas gangues.  Isso tudo usando principalmente de inteligência e astúcia.

Takashi Miike cria um western bem peculiar, com um clima épico, que engrena a partir da sua segunda metade que é mais dinâmica, e consegue mesclar momentos de drama, violência, ação e comédia. Aliás, não deixa de ser hilário alguns atores pronunciando suas falas com um sotaque extremamente canastrão, já que são atores japoneses, e o filme é todo falado em inglês.

O clima é bem menos sério que em westerns convencionais, além disso, tanto atuações, quanto figurino (e certas vezes cenário) são levados mais para o lado teatral. A verossimilhança não é o forte do filme, e pela maneira como o diretor o conduz, ele acertadamente deixa claro que nem deveria ser. Apesar disso, muitas vezes ficamos com a impressão de que, certas coisas que acontecem, não tem outra razão de ser, além de parecer “cool”.

O elenco é ótimo, Hideaki Ito já atuou em 30 filmes, entre eles, ONMYOJI partes  1 e 2. Yusuke Iseya, o líder dos brancos, foi o protagonista em CASSHERN (de Kazuaki Kiriya, 2004), e foi o primeiro cego no filme ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (Fernando Meirelles, de 2008). Masanobu Ando de BATTLE ROYALE (de Kinji Fukasaku, 2000) também faz uma participação pequena, mas importante na história. Mas o grande destaque fica por parte da multipremiada atriz veterana Kaori Momoi (sim, ela rouba a cena do filme), que atuou em mais de 70 filmes, entre eles IZO (também de Takashi Miike, 2004), MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA (de Rob Marshall, 2005) e KAGEMUSHA, A SOMBRA DE UM SAMURAI (de Akira Kurosawa, 1980).

Apesar de um ou outro momento incomodar um pouco, gostei do filme. Mas a influência externa é clara, e não estou falando apenas dos diretores citados anteriormente. A história do viajante sem nome não é novidade, e apesar de nesse filme o revólver e a espada dividirem o status de arma principal, no passado elas se apresentaram separadamente em duas outras grandes produções.

YOJIMBO (Akira Kurosawa – 1961)

Nesse filme, o viajante sem nome (sim, sem nome, porque fica claro no filme que o nome com que ele se apresenta foi inventado na hora) é um ronin, um samurai errante, interpretado pelo lendário ator Toshiro Mifune. Sua filmografia é extensa e invejável; só para citar dois exemplos, atuou em OS SETE SAMURAIS (1954), e TRONO MANCHADO DE SANGUE (1957), ambos também de Kurosawa.

Apesar de se passar no Japão feudal do século 19, Kurosawa consegue criar no filme (propositalmente), um clima Western inspirado nos filmes de John Ford, e consegue mostrar a burguesia da época de forma bem satírica, contrastando com a situação desesperadora das classes mais baixas.

Mas o grande destaque da direção está no posicionamento das câmeras. Kurosawa e o diretor de fotografia Kazuo Miyagawa conseguem criar enquadramentos belos e eficientes, conseguindo mostrar tudo que precisava ser visto na cena de uma vez, sem se tornar confuso. Todas essas qualidades, aliadas ao figurino (que concorreu ao Oscar) e à trilha sonora composta por Masaru Sato, transformam esse filme num grande clássico.

No final, discípulo se torna mestre, e Yojimbo acaba por mudar o estilo de se fazer Western, como comprova sua refilmagem feita por Sergio Leone. Vale lembrar que assim como SUKIYAKI, essa refilmagem também não é oficial.

A FISTFUL OF DOLLARS (Sergio Leone – 1964)

Provavelmente o mais famoso entre os três, possui novamente um protagonista marcante, interpretado por Clint Eastwood em seu auge no gênero.

Além da grande atuação do ator, como um pistoleiro mal encarado, inteligente e de olhar assustador (não mexam com sua mula), outra característica marcante da produção é a música composta pelo gênio Ennio Morricone, responsável por incontáveis trilhas sonoras marcantes. Recebeu inclusive das mãos do próprio Clint, um Oscar honorário em 2007 pela importância do seu trabalho. Merecido, pois a introdução do filme (com uma música que iria se repetir em versões diferentes nas duas continuações posteriores do filme) é emocionante.

Com todos esses elementos, e com uma direção que sabe muito bem carregar na tensão, Sergio Leone populariza o gênero Spaghetti Western, muito mais dramático e humano do que o Western americano na época. O filme gerou mais duas continuações, POR UNS DÓLARES A MAIS (FOR A FEW DOLLARS MORE, 1965), e TRÊS HOMENS EM CONFLITO (THE GOOD, THE BAD, AND THE UGLY, 1966), formando a Trilogia dos Dólares, ou a Trilogia do Homem Sem Nome.

Apesar de a figura de Clint nesses filmes ser icônica, antes de lhe oferecer o papel, Sergio Leone já havia cotado Henry Fonda, e depois Charles Bronson, mas ambos recusaram o papel.

Muito mais parecido com YOJIMBO do que o filme de Miike, nessa produção conseguimos identificar facilmente os personagens do filme de Kurosawa em sua versão italiana. Interessante notarmos a ordem dos acontecimentos, uma mesma história que começou no Japão e foi até a Itália, volta ao Japão de um modo totalmente diferente, sem contar que, de alguma forma, todas essas produções foram influenciadas também pelos Estados Unidos. Sendo assim, acho interessante que os três filmes sejam assistidos, pois além de serem ótimos isoladamente, todos tem seu próprio estilo de contarem praticamente a mesma história.

Escrito por Renato Batarce.

 

Overdose de Takashi Miike durante o mês de Abril!

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Decidimos homenagear alguns grandes cineastas aqui no blog, e achamos que a melhor forma de fazer isso é dedicar (quase exclusivamente) um mês inteiro de resenhas para cada um deles.

Pensamos inicialmente em abordar a obra de José Mojica Marins, mas como muitos de seus filmes são raros e difíceis de encontrar, decidimos pesquisar um pouco mais para não ficarmos limitados a falar somente sobre os trabalhos mais vistos do pai do horror nacional.

Portanto, achamos melhor começar o mês de Abril por algum outro nome de nossa lista de diretores preferidos (que inclui gente do calibre de Jess Franco, Alejandro Jodorowsky, Ivan Cardoso, John Waters, Shinya Tsukamoto, Dario Argento e muitos outros…), falando sobre o mais prolífico realizador japonês da atualidade, o controverso Takashi Miike.

TAKASHI MIIKE

Takashi Miike nasceu em 24 de Agosto de 1960 em Yao, no Japão. Aos 18 anos de idade se inscreveu no Institute of Cinema and Television em Yokohama, fundado pelo renomado diretor Shohei Imamura. Mesmo não sendo um aluno assíduo, foi indicado pelo instituto para um trabalho de assistente de produção não remunerado em um estúdio de TV local, e passou a próxima década executando diferentes trabalhos para a televisão, até se tornar assistente de direção em estúdios cinematográficos, tendo trabalhado inclusive com o próprio Shohei Imamura. Com a explosão do chamado V-Cinema (produções lançadas diretamente em vídeo) no início da década de 90, Miike teve sua chance de começar a dirigir seus próprios filmes, contando sempre com orçamento reduzido e trabalhando majoritariamente em filmes de ação, visando retorno financeiro rápido para as novas produtoras que contratavam diretores estreantes. O primeiro de seus filmes a ser exibido em cinemas no Japão foi SHINJUKU TRIAD SOCIETY, de 1995, e o primeiro filme a garantir reconhecimento e exposição internacional ao diretor foi AUDITION, de 1999.

Mais conhecido por abordar temas violentos e explícitos em seu trabalho, Miike por muitas vezes surpreende seus fãs, realizando obras de aventura infantil, filmes voltados para o público infanto-juvenil e até mesmo dramas. Para quem se interessar por sua sempre crescente filmografia, sugiro dar uma olhada na lista de seus mais de 80 filmes AQUI, produzidos ao longo dos últimos 20 anos.

Em tempo: nosso primeiro post foi justamente sobre uma das melhores obras de Miike, o transgressor e experimental VISITOR Q, de 2001.