Mais uma resenha do Batata, dessa vez, um filme tailandês muito criativo, conhecido por vários nomes… Assistam!

Imagine que, você foi demitido; seu colega mau caráter foi promovido; você é sozinho; seu carro foi guinchado; está devendo ao banco, e, de repente sua mãe liga dizendo que está precisando muito de dinheiro. Infelizmente nos dias de hoje pode não ser algo incomum de acontecer, e o fato é, que muitas pessoas acabam com a própria vida por menos que isso; mas e se tudo isso pudesse mudar com um telefonema?

Foi o que aconteceu com Pusit (Krissada Terrence), protagonista de 13 BELOVED, também conhecido como 13 GAME SAYAWNG, e lançado no Brasil com o nome de 13 DESAFIOS pela Alpha Filmes.

Poster do filme

No filme, Pusit passa por todas as situações citadas anteriormente. Totalmente deprimido, recebe uma ligação onde é informado que foi selecionado para um game show, onde deverá cumprir 13 desafios, um mais difícil que o outro, sendo recompensado com quantias cada vez maiores de dinheiro ao cumprimento de cada uma. Após cumprir o primeiro desafio, que é simplesmente matar uma mosca, Pusit recebe imediatamente uma mensagem no celular, onde é informado que houve um depósito em sua conta.

A partir daí o protagonista entra definitivamente no jogo, que, segundo é informado, está sendo assistido por milhares de pessoas. Para permanecer competindo deve seguir 03 regras: Se desistir, perde tudo; se contar a alguém, perde tudo; e se tentar descobrir quem são os responsáveis pelo jogo; perde tudo.

Os desafios não se tornam apenas difíceis, mas são cada vez mais cruéis e em certas ocasiões humilhantes, levando o protagonista ao limite. O interessante, é que nunca deixamos de torcer pelo seu sucesso, mesmo nos desafios mais extremos, sabemos que se trata de um homem desesperado, que está agarrando sua última chance na vida de obter não apenas segurança financeira, mas também a chance de se sentir um vencedor a qualquer preço. São provas extremas, mas muitas vezes nos perguntamos, será que faríamos diferente na mesma situação? Afinal, refletindo bem, existem pessoas que poderiam fazer pior por menos.

O filme é ágil, com uma cena de ação bem dirigida, que se passa dentro de um ônibus, e uma trilha sonora que consegue passar uma carga emocional densa nos momentos mais extremos. O final é excelente, surpreendente, com uma pitada de crítica antiamericana (tipo, “pelo menos não somos tão frios quanto vocês”), o que torna irônico o fato de que uma refilmagem do filme já foi anunciada pela Weinstein Company. Surpreendentemente, acho que a grande falha do filme, se deu em um desafio que, além de ter sido cumprido sem querer, ainda por cima teve um final excessivamente forçado e gore, que destoou do resto do filme, e ainda por cima conta com um efeito computadorizado de doer os olhos de tão mal feito.

Mas Krissada Terrence carrega o filme nas costas. Ao decorrer do filme conseguimos captar tudo em sua expressão, a determinação, o desgaste, o conflito moral, e principalmente o desespero do personagem.

Pusit

Já a atriz Achita Wuthinounsurasit, que interpreta Tawng, única amiga de Pusit, acaba dando nos nervos, como a garota que tem a intenção de fazer o herói abrir os olhos para a realidade, mas acaba se tornando uma enxerida que não compreende a situação e só piora as coisas. Além desse filme, a atriz teve uma participação não creditada em SHUTTER (no Brasil ESPÍRITOS – A MORTE ESTÁ AO SEU LADO, de 2004).

Também conta com um grupo de personagens secundários (ou até mesmo terciários) interessantes, como a ex-namorada de Pusit, o novo namorado dela, o velho louco do ponto de ônibus, a gangue do ônibus, a velhinha da cadeira de rodas, e até mesmo um policial à la Steven Seagal.

Além de uma crítica à sociedade em geral e à ganância do indivíduo, o filme cutuca também nos espectadores voyeurs, desde reality shows até snuff vídeos, que sentem obsessão não apenas em observar as vidas alheias, mas de ver os donos dessas vidas sujeitos a situações cada vez mais extremas e humilhantes. A humanidade não é uma coisa linda?

Chukiat Sakveerakul, o diretor do filme, também foi o responsável pelo roteiro, que foi baseado num mangá escrito por Eakasit Thairatana. Além disso, também roteirizou e dirigiu 12 BEGIN, que se passa antes de 13 BELOVED, e a continuação ainda não lançada, 14 BEYOND.

Recomendadíssimo, e, não se sinta mal se ficar em dúvida sobre o que faria na mesma situação. Afinal, não passamos de imperfeitos humanos.

Escrito por Renato Batarce.