Mais uma resenha do colaborador Renato Batarce, agora sobre o premiado filme espanhol LOS SIN NOMBRE de Jaume Balagueró. Este filme é relativamente fácil de achar nas locadoras, e com certeza vale a pena prestar atenção na filmografia do diretor. Divirtam-se:

Sinopse

O corpo mutilado de uma menina de seis anos é encontrado na água. A menina é identificada como a filha desparecida de Cláudia. Entretanto, somente duas evidências servem para identificá-la: um bracelete com seu nome perto da cena do crime, e o fato de seu pé direito ser três polegadas mais longo que seu pé esquerdo. Todos os métodos restantes de identificação se mostraram inúteis em seu corpo. Cinco anos mais tarde, Cláudia, agora uma viciada em tranqüilizantes, recebe uma chamada telefônica de alguém dizendo ser sua filha, pedindo sua ajuda para salvá-la antes que a matem. Outros indícios misteriosos indicam que a filha de Cláudia pode estar viva e correndo muito perigo. Cláudia e um repórter parapsicólogo unem os indícios para descobrir a verdade.

 

Poster do filme

Em 2007, os diretores Paco Plaza e Jaume Balagueró chamaram grande atenção do mundo com o filme REC, e posteriormente com sua continuação em 2009, REC 2. Coincidentemente, os dois filmes de estréia destes diretores são sobre o mesmo tema, e até mesmo os nomes são semelhantes. São esses: EL SEGUNDO NOMBRE (2002) de Paco Plaza, e o filme em questão LOS SIN NOMBRE por Jaume Balagueró.

O tema em comum entre as duas películas é o de seitas que utilizam crianças em seus rituais. EL SEGUNDO NOMBRE começa com o aparente fim da investigação do desaparecimento da menina de 06 anos Angela (Judith Tort aos 05 anos e Jessica Del Pozo aos 11), com a localização do seu corpo mutilado, apenas identificado por uma perna ser mais curta que a outra e uma pulseira que pertencia a ela. O corpo mutilado, a descrição do que o corpo sofreu ainda em vida pelo médico que fazia a autópsia e a reação dos pais ao reconhecerem a pulseira da filha nos remete a alguns momentos memoráveis de horrores com a família como tema, como O EXORCISTA, e O CEMITÉRIO MALDITO. Nesse quesito, a atriz principal especialmente (Emma Vilarasau) soa bem convincente em sua dor. Infelizmente, uma das falhas da película reside também no certo exagero com que cenas dramáticas gratuitas são apresentadas em certos momentos em que realmente estamos mais interessados nos rumos das investigações, mas no mais, a atriz está perfeita, conferindo personalidade à personagem através da fala e dos gestos mais simples.

Após o descobrimento do corpo, o filme dá um salto de 06 anos no tempo, onde após uma breve vista da nova rotina da mãe da menina, vemos ela receber uma ligação de socorro de alguém que diz ser sua filha. A partir daí, o filme torna-se um suspense eficiente de investigação, nada muito extremo nem gore, como podia-se ter a impressão no início. Mas ao final, as coisas se tornam bem mais extremas, nada que choque os espectadores veteranos do cinema de horror, mas como o filme foi todo carregado na tensão e no suspense, ver a violência apresentada no final (tanto física quanto psicológica), acaba chocando de certa forma.

O filme, como dito anteriormente, é conduzido de modo competente, mantendo o interesse e a atenção (que algumas vezes é quebrada por alguma cena melodramática fora de hora), o que é muito mais do que pode ser dito da maioria dos suspenses de hoje em dia. Sim, tem elementos de horror, mas nada extremo, é um filme de certa forma pesado, mas acessível ao grande público também. Outra coisa benéfica, é que o filme foge de alguns clichês que o cinema americano insiste em colocar, como por exemplo, um romance entre os protagonistas, que soaria muito forçado nesse filme.

Revelar mais sobre a trama de um suspense sempre tira o sabor de assisti-lo pela primeira vez, então apenas resumirei a base da trama na frase “O mal absoluto abre portas”. Fará sentido após o final (em aberto, permitindo diversas interpretações sobre o que pode ter acontecido).

O filme vale também aos fãs de REC, para verem como o diretor Jaume Balagueró conduz um filme em condições “normais”, ou seja, com música, câmeras devidamente posicionadas, montagem e edição convencionais e etc. Outros filmes de destaque do diretor são A SÉTIMA VÍTIMA (THE DARKNESS, 2002), e no roteiro MALDIÇÃO: REZE PARA NÃO VÊ-LA (THE NUN, 2005). Além disso, ao que parece ele tomou uma dose de bom senso e pulou fora de REC 3.

O filme foi lançado no Brasil com o nome de A SEITA, e foi baseado na obra original escrita por Ramsey Campbell. Apesar da pouca repercussão por aqui, lá fora teve boa repercussão, recebendo os prêmios abaixo:

FESTIVAL INT´L DE BRUXELAS – MELHOR FILME

BUTACA AWARDS – MELHOR ATRIZ E INDICADO A MELHOR FILME

CIRCULO DE CRITICOS DE CINE DE ESPANHA – INDICADO A MELHOR MONTAGEM

FANT-ASIA FILM FESTIVAL – MELHOR FILME ESTRANGEIRO

FANTAFESTIVAL – MELHOR FILME

FANTASPORTO – PRÊMIO DA CRÍTICA MELHOR FILME – MELHOR DIRETOR – INDICADO A MELHOR FILME

GÉRARDMER FILM FESTIVAL – MELHOR FILME COM PRÊMIOS CRÍTICA INTERNACIONAL (FIPRESCI), ESPECIAL DO JURI, PRÊMIO DO JURI JOVEM E PRÊMIO CINÉ-LIVE (GRAND PRIX)

PUCHON INT´L FANTASTIC FILM FESTIVAL – MELHOR FILME PREMIO ESPECIAL DO JURI

SITGES – FESTIVAL INT´L DA CATALUNIA – MELHOR FILME, ATRIZ, FOTOGRAFIA E PRÊMIOS GRAND PRIZE OF EUROPEAN FANTASY FILM IN GOLD E GRAND PRIZE OF EUROPEAN FANTASY

FILM IN SILVER – INDICADO A MELHOR FILME

É a Espanha provando que é dos maiores berços do cinema de horror da atualidade na Europa, que está vivendo uma época bem fraca no estilo.

                                                                    Escrito por Renato Batarce.