Capinando na net nesta madrugada, achei um texto que escrevi no início de 2003, para um blog que desisti de atualizar por falta de paciência para escrever. Nem me lembro o nome que esse blog tinha, creio que só teve mesmo este post… Encontrei esta resenha no campo de comentários de um antigo fotolog do Batata (vai saber o que eu queria colocando uma resenha inteira em uma área destinada a comentários de fotos…)

Não alterei o texto, e algumas opiniões mudaram ao longo dos anos; o que não muda é o fato de que o filme BRAINDEAD de Peter Jackson continua sendo um dos melhores e mais carniceiros filmes de zumbis já feitos, e é sem dúvida o que conseguiu o melhor resultado misturando comédia, horror e mortos-vivos.

Segue a resenha feita em 2003. Vejam o filme e divirtam-se:

Sou suspeito pra falar deste filme, pois na minha opinião é o melhor filme de horror já feito. Claro que, você que já conhece o filme, pode discordar se este é ou não é um autêntico filme de horror, pois ao longo da produção se multiplicam as situações mais ridículas e imprevisíveis, tornando o mesmo hilário.

Classificações à parte, este é um filme que tem roteiro muito cativante e direção habilidosa, a cargo do genial Peter Jackson (mais conhecido agora por seus últimos e milionários filmes, a trilogia O SENHOR DOS ANÉIS) que no início de carreira tinha muita criatividade para driblar a falta de orçamento em suas produções.

A história começa na Ilha da Caveira, sudoeste de Sumatra, no final dos anos cinquenta, com dois idiotas capturando uma criatura conhecida como Macaco Roedor, que tem sua origem rodeada por lendas e superstições dos nativos. Os dois homens pretendem levar o animal a um zoológico neozelandês, sem ter a menor idéia do que acabariam causando com isso.

Logo nos primeiros minutos do filme, já temos cenas gore muito bem feitas, dando uma pequena idéia do ritmo insano de mutilações e desmembramentos que seguem no decorrer da produção.

Sem nenhum conhecimento deste fato, em uma pequena cidade da Nova Zelândia, vive Lionel (Timothy Balme) um nerd dominado pela mãe autoritária e superprotetora (Elizabeth Moody). Num pequeno armazém perto da casa de Lionel, trabalha Paquita (Diana Peñalver) uma jovem de origem latina que espera encontrar o amor de sua vida.

Lionel e Paquita se apaixonam, e quando as coisas parecem estar muito bem para os dois, durante um calmo passeio pelo zoológico, surge a mãe de Lionel, que segue os dois compulsivamente, por discordar da relação de seu filho com a jovem.

É nesse ponto do filme que começa a ação, quando a mãe de Lionel recebe uma mordida do tal Macaco Roedor, e da noite para o dia começa a se transformar em um horrendo zumbi.

A partir daí o filme toma um rumo incessante de bizarrices, com a mãe de Lionel fixando um pedaço do próprio rosto com supercola, comendo a própria orelha em um jantar e até engolindo um pastor-alemão inteiro.

O filme conta com efeitos especiais muito competentes (mérito de Richard Taylor) que inclui até um filhote de zumbi, que aparece correndo pra lá e pra cá, em tomadas que lembram o saudoso Chuck da franquia BRINQUEDO ASSASSINO.

O próprio Peter Jackson faz uma ponta no filme, como um esdrúxulo auxiliar de enfermagem, na cena em que a mãe de Lionel quase explode ao ser embalsamada. Como vemos em seu primeiro filme, BAD TASTE, o diretor até que convence como ator, sendo suas interpretações no mínimo engraçadas. Em BRAINDEAD, outra coisa que chama a atenção é a ótima atuação do elenco, coisa rara em filmes gore ou trash, mas que, juntamente com o enredo, fazem do filme um clássico do gênero.

O que realmente faz diferença neste filme são os últimos vinte minutos da produção, simplesmente a maior carnificina gore já filmada, com mais de cem zumbis sendo destroçados, mutilados, esfolados, desmembrados e até queimados. A cena em que Lionel entra pela porta da frente de sua casa empunhando um cortador de grama como se fosse uma serra elétrica, pronto para acabar com todos os mortos-vivos que vê pela frente, é uma das melhores cenas já filmadas. É inacreditável a quantidade de sangue usada nas cenas: no final do filme, tanto os personagens quanto a mobília e as paredes da casa de Lionel não possuem nenhuma cor senão vermelho.

Existem muitas outras cenas memoráveis neste filme, que conta com mais alguns personagens pitorescos, como o padre que luta Kung Fu e os zumbis rockabilly, mas nada melhor do que assisti-lo. Não é muito difícil de achá-lo nas locadoras que possuem VHS mais antigos, pois o mesmo teve lançamento nacional pela Alpha Filmes com o título de FOME ANIMAL, e até ganhou certa notoriedade após ter sido exibido repetidas vezes no extinto Cine Trash, programa com apresentação de Zé do Caixão que passava todas as tardes de segunda à sexta-feira na TV Bandeirantes, na década de 90.

Este filme também é conhecido como DEAD ALIVE nos países de língua inglesa, e é curioso o fato de que muitas das imagens usadas na divulgação do mesmo nos anos 90, seja em cartazes, pôsteres ou em capas de VHS (que época boa…) eram um tanto quanto enganosas, com fotos ou ilustrações que não tinham relação direta com a trama…