Já há algum tempo tenho lido algumas resenhas bem favoráveis a este filme, e como tenho uma queda pela cinematografia da Terra do Sol Nascente, não demorei muito para conferir o longa de Yoshihiro Nishimura.

Pelo trailer, me pareceu se tratar de um filme altamente movimentado, com todo tipo de bizarrices que povoam as mentes dos diretores japoneses da nova geração: litros de sangue, porradaria incessante, aberrações mutantes e tudo o mais que se espera de um filme com um título desses… Mas me deparei com um filme bem fraco, carente de boas atuações, com roteiro e personagens bem superficiais.

Basicamente, a história se passa no Japão em um futuro próximo, onde a polícia se tornou um órgão privatizado e ultra-violento. A protagonista é uma policial chamada Ruka (Eihi Shiina, do infinitamente melhor AUDITION de Takashi Miike), que trabalha em um batalhão especializado em caçar mutantes assassinos apelidados de “engenheiros”, capazes de fazer brotar armas letais de ferimentos em seus corpos. Até aí, tudo bem… Você deve estar se perguntando: “Como um filme desses pode ser ruim?” Nem eu sei bem a resposta.

Poster do filme

O ritmo é muito lento, os atores inexpressivos, e os (muitos) personagens bizarros são mal aproveitados na trama, ou seja, é uma coleção de pequenos erros que cansam o espectador no decorrer do filme.

Mas o filme tem lá suas qualidades… Não é sempre que se vê por aí uma policial sanguinária com uma katana em mãos, desmembrando mutantes a torto e a direito, ou despedaçando tarados no metrô; um insano chefe de polícia vestido de samurai acompanhado por policiais igualmente fantasiados, empunhando armamentos absurdamente devastadores, aparentemente adorando seu trabalho; ou assassinos que se regeneram quase que instantâneamente após terem seus braços, pernas, troncos e até cabeças decepados durante uma luta, criando gigantescos canhões, metralhadoras, serras-elétricas e sei lá mais o que no lugar das feridas.

Sem esquecer também do novo modismo dos filmes extremos: armas que são acopladas a membros amputados de mulheres! Assim como já foi visto em PLANETA TERROR de Robert Rodriguez e THE MACHINE GIRL de Noboru Iguchi, temos aqui também um exemplar de mulher-com-arma-no-cotoco, mas nesse caso o diretor pega pesado e nos presenteia com um ser que não possui braços nem pernas, mas que na hora oportuna ganha quatro lâminas em cada toquinho! Podreira absoluta pra nenhum fã de filme trash botar defeito!

O melhor do filme fica mesmo por conta dos absurdos comerciais institucionais que passam a toda hora na TV e em telões nas ruas de Tokyo, nos quais são mostradas aos cidadãos ações recentes da polícia (normalmente execuções de presidiários condenados, esquartejamento de meliantes na base do chumbo grosso e afins…), terminando sempre com a equipe reunida depois da chacina, sorrindo e levantando os polegares, enquanto o lema da nova polícia aparece na tela.

Muitos disseram por aí que este é um filme que precisa ser visto… Talvez sim, porque não só de pérolas vive o undergroud cinematográfico mundial, e nota-se claramente que o próprio diretor do filme não o levou muito a sério, talvez quisesse mesmo era chutar o balde e fazer um filme estúpidamente exagerado.

Não deixa de ser um bom filme trash, daqueles que são bem mais divertidos quando se assiste com amigos tomando cerveja e dando risada, porque assisti-lo sozinho pode dar sono.