COLIN (Marc Price – 2008)

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Acho que todos concordam que a grande maioria dos filmes de zumbis caiu na mesmice já faz muito tempo… Os roteiros são os mais previsíveis do mundo, e me parece que a única diferença entre eles é se os zumbis vão ser inteligentes ou não, se vão correr ou tropeçar por aí, se comem apenas o cérebro ou o corpo todo das suas vítimas e mais um punhado de clichês que já encheu o saco até do fã mais carniceiro, ávido por tripas cenográficas e sangue de xarope de milho…

Mas vira e mexe aparece um filme inusitado, com um pouco mais de originalidade, provando que basta criatividade para salvar um filão tão explorado como o dos filmes de zumbis. Foi assim com a ótima comédia inglesa SHAUN OF THE DEAD de Edgar Wright (conhecido por aqui com o título ridículo e oportunista TODO MUNDO QUASE MORTO), um filme feito para homenagear o gênero, justamente debochando de todos os absurdos clichês destas produções, mas sem perder o ritmo ou errar a mão na palhaçada, mantendo sempre um bom nível de matança e diversão inteligente. Mais do que recomendado para os fãs de mortos-vivos.

Poster do filme

Mas o assunto aqui é outro, e tem nome: COLIN. Este filme teve muita repercussão na mídia ano passado, graças ao seu baixíssimo orçamento, algo em torno de $ 70,00 (£ 45,00), e também por ter sido selecionado para exibição no Festival de Cannes. Barulho feito, o filme vem sendo exibido em vários festivais pelo mundo, sempre com uma boa cobertura da imprensa, que não cansa de alardear sobre o orçamento do mesmo.

E eis que COLIN e seu diretor, Marc Price, aportaram aqui no Brasil, para uma exibição seguida de bate-papo, integrando a mostra não-competitiva de longas do 4º CineFantasy – Festival Curta Fantástico, ocorrido em novembro de 2009. Eu estava por lá para conferir, e posso dizer que o filme é realmente muito bom, inovador e interessante, e que Marc Price é um cara legal, que parece ainda não reconhecer o valor de sua obra, seja por humildade ou simplesmente porque caiu de pára-quedas na rota da indústria cinematográfica e dos festivais.

Ele mesmo endossa essa opinião, pois falou para todos os presentes na sessão que nunca teve a pretensão de ser cineasta, e que fez o filme por diversão, de forma totalmente independente e amadora. Se bem me lembro, Marc Price disse ser formado em artes plásticas, e gravou o filme ao longo de mais de dois anos, apenas nos fins de semana, com pessoas que se inscreveram como voluntários para o projeto através do Facebook e Myspace. Alguém perguntou a ele qual câmera havia utilizado para fazer o filme, e o mesmo confirmou o que se pode ler em alguns sites por aí, uma Panasonic mini-dv camcorder antiga, tendo usado o Adobe Premiere em um PC comum para a edição, durante todo o processo.

A história é bem simples: o protagonista, um jovem chamado Colin, está em desesperada luta pela vida durante uma infestação de zumbis. Já ferido e tentando se refugiar na casa de um amigo, acaba sendo mordido logo nos primeiros minutos da trama. É aí que está a grande sacada do filme. Depois de passar mal e desmaiar, Colin já “acorda” como um zumbi, e a partir daí o personagem vaga pelas ruas destruídas de um subúrbio da Inglaterra…

Acompanhando seus passos à procura de comida, o diretor capta nuances de sentimentos nas expressões de Colin; é realmente muito interessante ver que o morto-vivo sente medo e fome, e por vezes tem dificuldade para estabelecer relação entre seus semelhantes, até mesmo por ser um indivíduo novo no “grupo”, e é hostilizado por aqueles que são mais vorazes e violentos. Assim como no reino animal, onde é preciso confiar nos instintos para sobreviver, Colin vai aprendendo a se aproveitar de certas situações para poder se alimentar, e aos poucos vai se tornando mais persistente e selvagem.

O ritmo do filme é um pouco lento, principalmente na primeira metade da história, mas não chega a comprometer o resultado. Por ser filmado com equipamento amador, muitas vezes com a câmera à mão, o longa acaba passando uma sensação de proximidade com o espectador, e muito do que é mostrado na tela vem à nós pela ótica do protagonista. Nas cenas de ação, lembra muito os registros de reportagens policiais, durante manifestações turbulentas ou quando irrompe um tiroteio durante a matéria… Um verdadeiro pandemônio.

Duas cenas merecem destaque: uma delas é extremamente claustrofóbica, se passa numa casa lotada de zumbis, onde poucas pessoas tentam desesperadamente se defender do ataque deles. Outra é no fim de uma grande e sangrenta batalha, em que um grupo de pessoas que caçam os mortos-vivos faz o balanço da carnificina, e basta dizer que não há possibilidade de feridos voltarem para casa.

Este filme merece ser visto por quem gosta de cinema independente, filmes de horror e por todos aqueles que apreciam cinema não só como entretenimento escapista,  mas também como forma de expressão artística. É muito bom ver até onde um cineasta pode chegar com um orçamento tão limitado, mas com muita vontade de inovar. Fica a torcida para que Marc Price resolva nos presentear com mais um grande filme em breve; incentivo da mídia e dos fãs ao redor do mundo é o que não vai faltar.

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THE MACHINE GIRL (Noboru Iguchi – 2008)

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O mercado cinematográfico japonês é bastante prolífico. Todo ano são produzidos filmes de diversos gêneros, e parece que existe grande empatia do público nipônico com o cinema trash. Não é difícil procurar por cinema japonês tosco na net, normalmente ouve-se falar mais destes filmes do que sobre as produções mais convencionais do país.

Parece que por lá existe uma grande admiração por produções baratas, tanto para cinema quanto para a televisão, e em matéria de produção simplória, THE MACHINE GIRL está bem cotado.

Capa do DVD

O filme tem violência em níveis absurdos, cenas deliberadamente engraçadas e outras que de tão ruins, acabam transformando várias partes da obra em comédia involuntária. Temos também várias atuações picaretas e algumas cenas clichês permeando o longa, mas toda essa porcaria aqui mencionada não acaba com a diversão do espectador ao assisti-lo. Pelo contrário, creio que todos estes fatores aumentam muito o prazer de ver essa bomba cinematográfica. Talvez porque o filme não seja pretensioso, como tantos outros por aí.

A história gira em torno de Ami, uma jovem garota que perde o irmão tragicamente, vítima de valentões na escola. Ela promete se vingar dos responsáveis pela morte do irmão, e sai ao encalço deles. Após um bizarro incidente na casa de um dos garotos, a fúria assassina da protagonista vem à tona, e a partir daí o filme é um verdadeiro banho de sangue.

Decapitações, desmembramento, porrada e sangue ralo (que mais parece groselha com água espirrando na cara dos atores, de tão líquido que é o negócio), se misturam à diálogos absurdos, atuações patéticas e erros de continuidade. E a coisa só melhora, pois a garota descobre que o líder da gangue que espancava seu irmão, é filho de um chefão da Yakuza, e o garoto coloca diversos capangas na cola dela.

Em uma tentativa frustrada de matar o garoto, Ami acaba sendo capturada e torturada pelos pais dele e seus subordinados, e numa cena que só pode ser classificada como ridícula, perde seu braço esquerdo. Mas como este é um filme trash por excelência, não é difícil imaginar que Ami escapa (ignorando o fato de ter ficado acorrentada apanhando durante horas, e tendo um de seus braços decepados por uma katana a sangue frio).

E tudo isso que foi dito aqui não é spoiler não, já dá pra sacar vendo o trailer que circula na net. E convenhamos, não precisa ser gênio pra saber o que vai acontecer daqui pra frente no filme. A garota pede ajuda aos pais de um amigo de seu irmão, que foi morto no mesmo incidente, e por obra do destino os pais dele são mecânicos e ex-membros de uma gangue de motoqueiros.

Na cabeça do diretor, ser mecânico os habilita também a criar uma enorme metralhadora rotatória que se encaixa perfeitamente no cotoco que sobrou do braço esquerdo da menina, e sabe-se lá como aquilo é acionado na hora de disparar (além do fato de que eles são ótimos cirurgiões, pois não só salvam a vida de Ami como dão um jeito em seu braço amputado, apenas com agulha e linha). Agora, devidamente armada, treinada e furiosa, é hora de voltar para a carnificina!

Abro um parêntese aqui para falar dos efeitos especiais da produção, pois faz tempo que não vejo moldes tão toscos quanto os que andam sendo usados nos filmes da nova safra nipônica… Parecem até massa de bolo! E não pensem que eu prefiro computação gráfica no lugar de moldes, animatronics, matte paintings ou qualquer outra técnica mais artesanal, pelo contrário, acho muito melhor quando são utilizados estes recursos mais tradicionais, especialmente em filmes de horror, ação ou ficção científica, pois acredito que agregam mais valor artístico às obras (até hoje, acho imbatível a cena de transformação presente em UM LOBISOMEN AMERICANO EM LONDRES de John Landis, cortesia do talentosíssimo Rick Baker, o melhor artista de efeitos especiais que conheço – e isso em 1981). De qualquer forma, a empresa responsável pelos efeitos especiais é a Nishimura Motion Picture Model Makers Group, empresa japonesa de Yoshihiro Nishimura, que embora apresente moldes um tanto quanto molengas e disformes, parece ter uma carreira consistente, visto a quantidade de produções que utilizam seus serviços de efeitos especiais (e para os que reparam nesses detalhes, a empresa tem deixado todos os filmes trash japoneses com a mesma cara, é só dar uma olhada em VAMPIRE GIRL vs. FRANKENSTEIN GIRL, MEATBALL MACHINE, SAMURAI PRINCESS entre outros…)

No meio disso tudo, tem até espaço para o diretor homenagear um filmaço das antigas, o clássico do Kung Fu exploitation O MESTRE DA GUILHOTINA VOADORA de Jimmy Wang Yu, que dizem por aí ser um dos filmes ao qual Quentin Tarantino se refere como sendo um de seus preferidos. Reparem que o chefão da Yakuza utiliza uma Guilhotina Voadora para tentar matar Ami, como se essa fosse a arma mais convencional do mundo.

A Guilhotina Voadora...

 
 

Em suma, THE MACHINE GIRL é um filme menor, mas que por ser completamente descompromissado com a realidade, e até com a verossimilhança dentro do próprio roteiro, tem um resultado bem mais agradável do que filmes que sofrem por se levar à sério demais como TOKYO GORE POLICE do já citado Yoshihiro Nishimura.

PS: Falando em filme com mulheres que se vingam promovendo uma grande matança, me pego pensando como eu gostaria que Quentin Tarantino houvesse escalado qualquer outra pessoa para o papel da noiva em KILL BILL VOLUME 1 & 2… Assistindo THE MACHINE GIRL, dá para se ter uma idéia de como os filmes seriam imensamente melhores se não tivéssemos que nos acostumar com a idéia de que a enorme e desengonçada Uma Thurman é “a mulher mais mortífera do mundo…” Custava ele ter dado o papel para aquela japa com cara de mal que luta com ela usando uma bola cheia de lâminas (Chiaki Kuriyama do insano BATTLE ROYALE de Kinji Fukasaku)? Ou até mesmo às melhores atrizes de ação de Hollywood, Linda Hamilton ou Sigourney Weaver? Pensando bem, serviria até a Hilary Swank ou Michelle Rodriguez, se não quisesse arriscar tanto a bilheteria da produção…

Morre Dino De Laurentiis (1919 – 2010)

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Morreu ontem em Los Angeles, aos 91 anos, o produtor Dino De Laurentiis.

Nascido na Itália, Dino começou sua carreira no início dos anos 40, e são atribuídas às suas empresas mais de 500 produções cinematográficas (embora no IMDB estejam creditados “apenas” 166 filmes… Além de ser uma tarefa inglória tentar desassociar o nome de Dino com o da filha Raffaella, que fundou uma produtora em 1987, e vários títulos de menor expressão são muito difíceis de verificar à qual dos dois seria correto creditar).

Dentre estas produções, temos verdadeiros clássicos do cinema, como NOITES DE CABÍRIA e A ESTRADA DA VIDA ambos de Federico Fellini; alguns blockbusters de suspense que é o caso de HANNIBAL e DRAGÃO VERMELHO; filmes épicos de ação/fantasia oitentista, na dobradinha truculenta  CONAN, O DESTRUIDOR e CONAN, O BÁRBARO e até espalhafatosas Space-Operas como visto em BARBARELLA e FLASH GORDON.

Como forma de homenagear este importante personagem da indústria cinematográfica, deixo aqui alguns trailers de obras máximas que foram produzidas por ele, e que combinam com o tema do blog. Divirtam-se:

(18/11/2010: Provando ser verdade o que eu havia comentado quando fiz este post, acabei cometendo um erro. Se vocês repararem bem, poderão ver nos créditos finais do trailer de CONAN, O DESTRUIDOR, que a produção ficou a cargo de Raffaella De Laurentiis…)

Mostra “Todos os corpos – Parte 1”, de 12/11 a 18/11

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Começa amanhã a mostra “Todos os corpos” na Galeria Olido, aqui no centrão de São Paulo, paralelamente ao 18º Festival MixBrasil de Cinema da Diversidade Sexual, que também começa a ser exibido no mesmo dia.

A mostra “Todos os corpos” tem por objetivo “fazer um panorama sobre os registros do cinema a respeito do corpo” segundo a equipe da Galeria Olido. Serão exibidos filmes que contém cenas de sexo simulado (softcore) e sexo explícito. Até aí tudo beleza, isso não é nenhuma novidade neste espaço cultural, pois o Festival MixBrasil de Cinema da Diversidade Sexual já vem trazendo este tipo de tema e abordagem cinematográfica à telona neste mesmo local faz algum tempo. 

Embora a mostra seja composta predominantemente por filmes de grande apelo erótico de renomados diretores, o que me chamou mais a atenção na seleção de filmes foi a escolha do polêmico SWEET MOVIE  para integrar a grade de exibições.

SWEET MOVIE é um filme de arte de 1974 do diretor Iugoslavo Dusan Makavejev, que causou grande rebuliço em sua estréia, por conter cenas bem gráficas de Coprofilia e Emetofilia, ou seja, cenas com pessoas que se excitam ao ter contato com as fezes e urina de outras, e também tem o singelo hábito de vomitar durante seus atos sexuais, respectivamente. Quem puder assistir verá que a certa altura a protagonista do filme se abriga em um enorme galpão com uma espécie de trupe teatral, e todos se juntam à mesa para um banquete animado; a partir daí só os espectadores de estômago forte continuam assistindo à cena sem se incomodar com a catarse escatológica que se segue.

Dando uma vasculhada pela net achei a informação de que algumas das cenas enxertadas na montagem (cenas em preto e branco que mostram cadáveres em decomposição ao ar livre) são imagens reais de vítimas de um triste evento conhecido na Polônia como Massacre da Floresta de Katyn, ocorrido na década de 40, e estas cenas enfureceram a opinião pública na época do lançamento da película. Por estas e outras o filme foi proibido em muitos países por muitos anos, e continua vetado em algumas localidades. Com o advento das mídias digitais e da facilidade da livre transferência de dados via web de hoje em dia (a boa e velha pirataria), o filme já não é mais tido como um filme raro, mas continua sendo controverso.

A história do filme é interessante, vale a pena dar uma espiada, o roteiro é recheado de alegorias sobre a sociedade moderna, tem belíssimas cenas, bela fotografia e boas atuações. A meu ver, a parte mais politicamente incorreta da obra está na sequência em que Anna Planeta, uma espécie de pirata revolucionária, recebe em seu barco algumas crianças, moleques com não mais do que 12 anos de idade, e os seduz com um strip-tease enquanto eles comem alguns doces (lembrando que são atores mirins, e que ela fica completamente nua a uns 10 centímetros da cara deles).

Bem, a conclusão desse falatório todo é que se pode ter acesso ao cinema de arte, underground, extremo ou o que quer que seja, não só pela net, mas também na telona, pagando a módica quantia de R$ 01,00. É ou não é motivo para se comemorar?

Abaixo, listo algumas sugestões de filmes que serão exibidos, acompanhadas de considerações pessoais para ajudar na escolha de quem puder comparecer à mostra (convenhamos, não é todo mundo que pode se dar ao luxo de ir ao cinema às 15:00 em dias de semana), e no fim do post o link para a programação no site da Galeria Olido:

IMPÉRIO DOS SENTIDOS
(Ai no corrida, Japão, 1976, 97 min). Dir.: Nagisa Oshima. Com Eiko Matsuda, Tatsuya Fuji, Aoi Nakajima e outros.
Dois amantes se reúnem para experimentar formas de prazer que ampliem as possibilidades de amor, sem se importar com fronteiras morais ou sociais.
(nota: Espetacular filme do mestre Nagisa Oshima, com fotografia impecável, ótimo roteiro e figurino, e com um final de certa forma surpreendente para um filme tido como pornográfico, mas que na verdade, se utiliza do sexo explícito e do erotismo como veículo para representar as emoções  dos protagonistas).

SALÓ
(Salò o Le 120 giornate di Sodoma, Itália, 1975, 117 min). Dir.: Pier Paolo Pasolini. Com Paolo Bonacelli, Giorgio Cataldi, Umberto Paolo Quintavalle e outros.
Adaptação de obra do Marques de Sade, o filme mostra quatro homens poderosos enclausurados em uma mansão para viver todo o tipo de orgias e torturas com garotos e garotas, embalados por histórias narradas por prostitutas.
(nota: Tenso e cruel. Para quem gosta de torturas e sevícias de todo o tipo. Não confundir com porcarias como a franquia JOGOS MORTAIS, Pasolini tem estilo).

O VOYEUR
(L’uomo che guarda, Itália, 1994, 100 min). Dir.: Tinto Brass. Com Franco Branciaroli, Francesco Casale, Katarina Vasilissa e outros.
História de homens e mulheres que olham e são olhados, como o jovem professor universitário, sua mulher bonita e infiel, seu pai libidinoso e uma desinibida empregada doméstica.
(nota: Esse é mesmo para quem é chegado numa safadeza. Não qualquer safadeza, mas sim com a marca de Tinto Brass na direção, o mesmo diretor do aclamado CALÍGULA de 1979, com Malcolm McDowell).

SWEET MOVIE
(França, 1974, 99 min). Dir.: Dusan Makavejev. Com Carole Laure, Pierre Clémenti, Anna Prucnal e outros.
Repleto de surrealismos e escatologias, o filme conta, paralelamente, as histórias de duas mulheres: uma que deixa o marido por não gostar de sexo e se envolve com um roqueiro, e a outra que comanda um barco onde discute sexo e política.

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/galeria_olido/cinema/index.php?p=6018

Mostra “Coreia, cinema explosivo”, de 05/11 a 14/11

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Começa hoje em Sampa a mostra “Coreia, cinema explosivo”, no Centro Cultural São Paulo.

Destaque para os longas PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO E… PRIMAVERA e CASA VAZIA de Kim Ki-Duk, O HOSPEDEIRO de Bong Joon-Ho e MR. VINGANÇA de Park Chan-Wook, primeira parte da trilogia do diretor sobre o tema vingança, que é seguida por OLDBOY e fechada com LADY VINGANÇA. Poderiam passar essa trilogia na íntegra…

Confiram abaixo as sinopses dos filmes que vão rolar, chupinhado do site do centro cultural no melhor estilo “ctrl+c”, para ver a programação, acessem o link no final do post:

“PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO… E PRIMAVERA”
(Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo, Coreia do Sul, 2003, 103min)
direção: Ki-Duk Kim – elenco: Oh Yeong-su, Ki-Duk Kim, Kim Yeong-min, Seo Jae-gyeong, Ha Yeo-jin
Um jovem vive em um templo flutuante e recebe orientação de um monge. Cada estação do ano acaba representando um estágio da vida do jovem. Porém, a chegada de uma garota e a paixão entre ambos acabam desviando o pupilo dos conselhos de seu mestre.

“O HOSPEDEIRO”
(Gwoemul, Coreia do Sul, 2006, 119min)
direção: Joon-ho Bong – elenco: Song Kang-ho, Byeon Hie-bong, Park Hae-il, Bae Du-na, Ko Ah-sung
A família de uma garota parte à sua procura depois que ela é raptada por um monstro.

“MR. VINGANÇA”
(Boksuneun naui geot, Coreia do Sul, 2002, 129min)
direção: Chan-wook Park – elenco: Kang-ho Song, Ha-kyun Shin, Doona Bae
A irmã de Ryu, um trabalhador surdo-mudo, precisa de um transplante de rim. Ele é demitido e conhece traficantes de órgãos, mas não tem dinheiro para pagar a cirurgia. Sua namorada o convence a sequestrar a filha de seu ex-patrão, mas acaba acontecendo uma tragédia que gera vingança.

“CASA VAZIA”
(Bin-jip, Coreia do Sul, 2004, 88min)
direção: Ki-Duk Kim – elenco: Lee Seung-yeon, Jae Hee Song, Gweon Hyeok-ho, Ju Jin-mo, Choi Jeong-ho
Sun-Hwa é um jovem que costuma invadir casas quando os donos estão fora. Durante a invasão acaba limpando e fazendo pequenos consertos nas residências. Tudo muda quando ele entra numa mansão sem saber que a proprietária estava lá.

“GREEN FISH”
(Chorok mulkogi, Coreia do Sul, 1997, 111min)
direção: Chang-dong Lee – elenco: Han Suk-kyu, Moon Sung-keun, Shim Hye-jin, Han Seong-kyu
Mak Dong é dispensado do exército e em seu caminho de volta para casa se envolve com uma mulher.

“VELHO AMIGO”
(Wonangsori, Coreia do Sul, 2008, cor, 78min)
direção: Chung-Ryoul Lee – elenco: Won-gyoon Choi, Sam-soon Lee
Um fazendeiro idoso vive seus últimos dias com sua esposa e um boi leal no interior da Coreia.

“SAKWA”
(Coreia do Sul, 2005, cor, 118min)
direção: Yi-kwan Kang – elenco: Jun-ho Han, Hyeok-hyeon Jeong, Ji-min
O primeiro namorado de Hyun-jung a deixou. Ela, então, decide se casar com Sang-hoon. Entretanto, após o casamento, duas visões conflitantes de amor se colidem.

“GRÃOS DE AREIA”
(Mang zhong, Coreia do Sul, 2005, cor, 109min)
direção: Lu Zhang – elenco: Lianji Liu, Bo Jin, Guangxuan Zhu
História de Cui, uma jovem mãe coreana que vive na periferia de uma cidade chinesa. Com o marido na prisão e um filho para sustentar, ela vende kimchi para trabalhadores na beira de uma estrada.

“OASIS”
(Coreia do Sul, 2002, 132min)
direção: Chang-dong Lee – elenco: Kyung-gu Sol, So-ri Moon, Nae-sang Ahn
Jong-du, um jovem recém-saído da prisão por homicídio, tenta entrar em contato com a família da vítima, mas eles não aceitam. Durante a visita, ele percebe que os familiares mantêm isolada uma jovem com paralisia cerebral e tentará se aproximar dela.

“PEPPERMINT CANDY”
(Bakha Satang, Coreia do Sul, 1999, 127min).
direção: Chang-dong Lee – elenco: Sol Kyung-gu, Moon So-ri, Kim Yeo-jin
O filme conta em flashback a história do suicida Kim Yong-ho e o que o levou a tomar essa decisão.

“O GRANDE CHEFE”
(Sik-gaek, Coreia do Sul, 2007, cor, 113min)
direção: Yun-su Jeon – elenco: Kang-woo Kim, Won-hie Lim, Ha-na Lee
Uma jovem chef abandona a profissão depois que sua participação em um concurso de um restaurante famoso termina em tragédia. Mas uma competição culinária nacional lhe oferece a chance de assumir o cargo de um ex-rival e ela embarca em uma jornada que mudará para sempre sua visão do mundo.

“SOL SECRETO”
(Miryang, Coreia do Sul, 2007, 142min)
direção: Chang-dong Lee – elenco: Do-yeon Jeon, Kang-ho Song, Yeong-jin Jo
Sin-ae muda-se com seu filho para a cidade natal de seu falecido marido. Enquanto ela tenta se estabelecer, outro acontecimento trágico muda sua vida.

“PUNHOS QUE CHORAM”
(Jumeogi Unda, Coreia do Sul, 2009, 103min)
direção: Ryoo Seung-wan – elenco: Choi Min-Sik, Ryoo Seung-Bum, Im Won-Hee, Cheon Ho-Jin
Dois homens fracassados têm a chance de se redimir por meio do esporte.

“SEM FÔLEGO”
(Ddongpari, Coreia do Sul, 2009, cor, 130min)
direção: Yang Ik-Joon – elenco: Yang Ik-Joon, Kot-bi Kim, Man-shik Jeong
O bandido Hong-Soon conhece a estudante Han Yeon-Heui, que finge ser de boa família, mas na verdade é vítima de seu pai e de seu irmão. Ambos têm problemas com o passado e com a violenta realidade do presente.

http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_cinema.asp#coreia

TOKYO GORE POLICE (Yoshihiro Nishimura – 2008)

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Já há algum tempo tenho lido algumas resenhas bem favoráveis a este filme, e como tenho uma queda pela cinematografia da Terra do Sol Nascente, não demorei muito para conferir o longa de Yoshihiro Nishimura.

Pelo trailer, me pareceu se tratar de um filme altamente movimentado, com todo tipo de bizarrices que povoam as mentes dos diretores japoneses da nova geração: litros de sangue, porradaria incessante, aberrações mutantes e tudo o mais que se espera de um filme com um título desses… Mas me deparei com um filme bem fraco, carente de boas atuações, com roteiro e personagens bem superficiais.

Basicamente, a história se passa no Japão em um futuro próximo, onde a polícia se tornou um órgão privatizado e ultra-violento. A protagonista é uma policial chamada Ruka (Eihi Shiina, do infinitamente melhor AUDITION de Takashi Miike), que trabalha em um batalhão especializado em caçar mutantes assassinos apelidados de “engenheiros”, capazes de fazer brotar armas letais de ferimentos em seus corpos. Até aí, tudo bem… Você deve estar se perguntando: “Como um filme desses pode ser ruim?” Nem eu sei bem a resposta.

Poster do filme

O ritmo é muito lento, os atores inexpressivos, e os (muitos) personagens bizarros são mal aproveitados na trama, ou seja, é uma coleção de pequenos erros que cansam o espectador no decorrer do filme.

Mas o filme tem lá suas qualidades… Não é sempre que se vê por aí uma policial sanguinária com uma katana em mãos, desmembrando mutantes a torto e a direito, ou despedaçando tarados no metrô; um insano chefe de polícia vestido de samurai acompanhado por policiais igualmente fantasiados, empunhando armamentos absurdamente devastadores, aparentemente adorando seu trabalho; ou assassinos que se regeneram quase que instantâneamente após terem seus braços, pernas, troncos e até cabeças decepados durante uma luta, criando gigantescos canhões, metralhadoras, serras-elétricas e sei lá mais o que no lugar das feridas.

Sem esquecer também do novo modismo dos filmes extremos: armas que são acopladas a membros amputados de mulheres! Assim como já foi visto em PLANETA TERROR de Robert Rodriguez e THE MACHINE GIRL de Noboru Iguchi, temos aqui também um exemplar de mulher-com-arma-no-cotoco, mas nesse caso o diretor pega pesado e nos presenteia com um ser que não possui braços nem pernas, mas que na hora oportuna ganha quatro lâminas em cada toquinho! Podreira absoluta pra nenhum fã de filme trash botar defeito!

O melhor do filme fica mesmo por conta dos absurdos comerciais institucionais que passam a toda hora na TV e em telões nas ruas de Tokyo, nos quais são mostradas aos cidadãos ações recentes da polícia (normalmente execuções de presidiários condenados, esquartejamento de meliantes na base do chumbo grosso e afins…), terminando sempre com a equipe reunida depois da chacina, sorrindo e levantando os polegares, enquanto o lema da nova polícia aparece na tela.

Muitos disseram por aí que este é um filme que precisa ser visto… Talvez sim, porque não só de pérolas vive o undergroud cinematográfico mundial, e nota-se claramente que o próprio diretor do filme não o levou muito a sério, talvez quisesse mesmo era chutar o balde e fazer um filme estúpidamente exagerado.

Não deixa de ser um bom filme trash, daqueles que são bem mais divertidos quando se assiste com amigos tomando cerveja e dando risada, porque assisti-lo sozinho pode dar sono.

TETSUO: THE IRON MAN (Shinya Tsukamoto – 1988)

3 Comentários

A primeira vez que assisti TETSUO foi em uma mostra chamada “Oriente Extremo – O cinema trangressor japonês”, em Junho de 2006 na Galeria Olido, aqui em São Paulo. Nesta ocasião tive a oportunidade de ver ótimos filmes, alguns inclusive estavam sendo exibidos pela primeira vez na telona por aqui.

TETSUO é um filme experimental, realizado inteiramente em 16 mm, com uma excelente fotografia em preto e branco e uma insana trilha sonora industrial. Isso é tudo que precisa ser dito sobre os aspectos técnicos da obra, não por falta do que analisar, mas porque a criatividade do diretor supera qualquer eventual amadorismo na feitura da película (este é o primeiro longa de Tsukamoto, após ter dirigido dois curtas coloridos em Super 8 entre 86/87).

Já na seqüencia inicial, em um ambiente que parece ser uma enorme funilaria, um homem introduz uma grande barra de ferro em um ferimento aberto em sua própria coxa. A partir daí é apresentado o protagonista, um salaryman psicótico que começa a ter devaneios bizarros nos quais é perseguido por uma mulher em uma estação de metrô, que aos poucos se transforma numa espécie de ciborgue ensandecida.

Capa do DVD pela Tartan Asia Extreme

O filme possui um clima onírico, com uma edição rápida que não preza muito pela cronologia das cenas dentro do roteiro ou diálogos esclarecedores da trama, e a realidade do protagonista se confunde com suas alucinações e lembranças.

As mesmas transformações que ocorrem no corpo do misterioso homem que aparece em flashes imerso em um amontoado de bugigangas de metal parecem ocorrer involuntariamente no corpo do protagonista, e rapidamente vão provocar uma radical metamorfose em sua anatomia. São célebres as cenas do pênis transformado numa broca gigante e da sodomização com o que parece ser uma mangueira de aspirador com vida própria.

Apesar de que possa parecer um filme tosco ou apelativo, TETSUO é uma pérola do cinema underground mundial, com uma linguagem ousada e urgente, tendo ganhado status de cult logo após as primeiras exibições na Terra do Sol Nascente. É com certeza um dos filmes mais cheios de estilo de sua década, e é freqüentemente citado como sendo o trabalho definitivo da estética cyberpunk no cinema oitentista.

Shinya Tsukamoto também atua no filme...

A meu ver as partes mais criativas e interessantes da obra são as seqüencias em stop motion com os próprios atores correndo pelas ruas de Tóquio e a afiadíssima trilha sonora, que tive a oportunidade de ouvir num som alto, quase abusivo, tornando esta sessão em especial uma das mais marcantes experiências cinematográficas que já tive.

Recentemente um amigo me passou o link para o trailer de um filme japonês chamado MEATBALL MACHINE, e algumas cenas me lembraram TETSUO, ainda não sei muito sobre este filme, vou capinar na net por uma cópia do mesmo, e vamos ver se ele fica a par da expectativa. Se for metade do que é este clássico, já está valendo!

Nota: Este post foi publicado originalmente em 30/12/2009 no antigo host http://www.pelicularaivosa.blogspot.com/ .

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