Hiato, curta-metragem e FUNKY FOREST!

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Caros leitores do PELÍCULA RAIVOSA, como vocês já puderam reparar, estamos atualizando cada vez menos o blog, e decidi oficializar nosso hiato (por tempo indeterminado) através deste post, em consideração àqueles que possam ter o hábito de acessar este espaço de tempos em tempos.

Estamos dando uma pausa nas atividades, pois ultimamente não temos tido tempo para escrever as resenhas; mas não estamos abandonando o blog, apenas nos dedicando a outros projetos que no momento ocupam completamente nosso tempo livre.

Nesse meio tempo ocorreram muitas mostras e sessões de cinema em que estivemos presentes, mas que infelizmente não pudemos comentar ou divulgar por aqui, muitas delas realizadas por amigos que tivemos o prazer de conhecer justamente por causa deste nosso espaço virtual.

Tenho também que deixar registrado aqui que nosso incansável colaborador, o Batata, resolveu botar a mão na massa e dirigir seus próprios filmes, de forma totalmente independente. Aproximadamente dois meses atrás gravamos um curta-metragem, ainda sem título definido, que agora está em fase de pós-produção, no qual eu tive o prazer de dividir a tela com nosso amigo Magnum Borini (que por sua vez apresenta o NA FILA DO SHOW, micro programa veiculado pelo Youtube, assistam!). Infelizmente ainda não há um trailer ou teaser do curta pronto para ilustrar esta postagem, mas adianto a todos que sangue não falta na história!

Por fim, vou finalizar o post com alguns trechos de um filme ABSURDAMENTE SENSACIONAL, recomendação de Ivo Muniz e do próprio Batata, chamado FUNKY FOREST, dirigido por Katsuhito Ishii em 2005, com (o onipresente) Tadanobu Asano e Hideaki Anno no elenco. Mais WTF do que isso, estou para ver!

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ABRAÇOS A TODOS!

Mostra “20 Anos de Takashi Miike”, de 17/08 a 28/08

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Começa hoje na cidade de São Paulo a mostra “20 Anos de Takashi Miike”, no Centro Cultural Banco do Brasil, com a exibição de 20 obras do cineasta.

Oportunidade perfeita para quem deseja ver ou rever os filmes deste excelente diretor em cópias de 35mm (com exceção do média metragem IMPRINT, que será exibido em Beta Digital), a preços módicos.

Acessem o site da mostra e vejam a programação, não percam esta oportunidade de conferir os delírios visuais de Miike com a melhor imagem possível! Veja o site da mostra AQUI.

OBS: Dia 27 de Agosto ocorrerá a pré-estréia nacional do mais novo filme do cineasta, ICHIMEI, com exibição em 3D no Cinemark do Shopping Metrô Santa Cruz (somente esta sessão terá cobrança de ingresso convencional com a tabela de preços do local). Após a sessão, ocorrerá uma vídeo conferência via Skype com Miike.

MEET THE FEEBLES (Peter Jackson – 1989)

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Achei que esse mês seria de férias aqui no blog, mas o Batata insistiu para postar essa resenha feita por ele esses dias. Este filme é da época em que Peter Jackson ainda trabalhava com orçamento baixo, confiram:

Sexo, drogas, gore, nudez, humor negro: são todos ingredientes para mais um belo exemplar do bom e velho cinema exploitation. Mas não contente com isso, em 1989 Peter Jackson (BAD TASTE, BRAIN DEAD, OS ESPÍRITOS, trilogia SENHOR DOS ANÉIS) resolveu juntar esses singelos ingredientes num formato ainda mais bizarro: bonecos.

Sabem os Muppets? Aqueles fantoches criados por Jim Henson que ficaram mais conhecidos no Brasil por sua versão animada Muppet Babies? Então, os bonecos de Peter Jackson são exatamente nesse mesmo estilo, ora apenas fantoches, ora pessoas vestindo grandes fantasias. Agora imaginem versões dos Muppets fazendo tudo que foi citado no início do texto, e você terá MEET THE FEEBLES. Inclusive, aparentemente a idéia original de Jackson era fazer um documentário sobre os bastidores do show dos Muppets, mas após a rejeição, resolveu criar seu próprio projeto que se tornou este filme.

No filme, MEET THE FEEBLES é um espetáculo musical comandado por Bletch (uma grande morsa azul), que é casado com Heidi (uma hipopótamo), a estrela do show. Heidi porém sofre de depressão e não consegue parar de comer. Como resultado, ficou obesa e Bletch começa a traí-la com Samantha (gata), que sonha em ser a estrela do espetáculo. Além disso, Bletch também tem um negócio de tráfico de drogas correndo por fora.

Para se juntar ao show, chega Robert (porco-espinho), que é o típico personagem “certinho”, talvez o único do filme. Ele fica amigo do diretor de cena Arthur (minhoca) e se apaixona por Lucille (cadela).  Logo que Robert chega no teatro, é abordado por uma repórter sensacionalista (mosca), que está sempre á procura de histórias podres, que segundo ela mesma, são muito comuns por lá.

E isso é a mais pura verdade, vejam o caso de outros personagens: o elefante Sid está sofrendo um processo de paternidade aberto por um antigo caso seu, Sandy, a galinha; Harry, o coelho, está sofrendo de uma forte doença decorrente de suas constantes orgias com suas colegas de palco; Trevor, o rato, faz filmes sadomasoquistas no porão do teatro estrelando a vaca Daisy e o tamanduá tarado Denis; o diretor de palco é a raposa Sebastian, que sonha em apresentar novamente seu número, não importa o que a aconteça; o sapo Wyniard é atirador de facas e tornou-se viciado em drogas após lutar no Vietnã . Tudo isso acaba tornando-se uma grande bomba relógio que explode no final avassalador.

Este filme, junto com o anterior BAD TASTE (no Brasil, TRASH – NÁUSEA TOTAL) e o posterior BRAIN DEAD (no Brasil, FOME ANIMAL), são os maiores expoentes do humor negro de baixo orçamento de Peter Jackson. No caso de MEET THE FEEBLES, o filme custou 750 mil dólares, e ainda por cima tomando todas as precauções de segurança, já que o produtor avisa nos créditos que nenhum fantoche foi ferido ou morto após a produção do filme (eu sei, essa piada atualmente já é velha e clichê).  Claro que sempre tem um ou outro macete de economia; se olharem bem, na platéia cheia há apenas alguns bonecos, o resto são papelões recortados com rostos de animais.

Aliás, é possível relacionar estes três filmes através de certas referências de um em outro. Por exemplo, em MEET THE FEEBLES, quando o show começa, é possível notar que na platéia existe uma pessoa usando a máscara do alienígena comedor de carne humana de BAD TASTE; e pouco antes da cena do embalsamento da mãe do protagonista em BRAIN DEAD, do lado de fora da igreja, é possível escutar a música Sodomy, que em FEEBLES é cantada pela raposa Sebastian.

Apesar de muitos dos novos fãs de Peter Jackson não conhecerem muitos de seus trabalhos anteriores, o diretor acabou atiçando a curiosidade de alguns quando recebeu o Oscar de melhor filme por SENHOR DOS ANÉIS – O RETORNO DO REI em 2004, quando agradeceu á Academia por não ter lhe concedido o troféu por seu trabalho em BAD TASTE ou MEET THE FEEBLES. Apesar dessa brincadeira, eu continuo achando muito mais carismáticos os marionetes depravados do filme de 89, do que o tão ovacionado gorila digitalizado da sua refilmagem de KING KONG.

Escrito por Renato Batarce.

STREET TRASH (J. Michael Muro – 1987)

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Mais uma resenha do Batata, que ficou meio cabreiro depois de assistir à um certo blockbusterzinho aí…

Parece uma contradição, mas mesmo amando cinema, está cada vez mais difícil eu conseguir me animar para sair de casa e assistir algo na tela grande. Afinal, onde estão os argumentos originais? Ás vezes parece que tudo que sai é adaptação de alguma outra mídia, uma sequência, uma refilmagem, ou uma desculpa para mostrar grandes efeitos digitais em 3D, quando não tudo isso misturado. Sim, ainda existem filmes bons, mas pra falar a verdade, nos raros momentos em que vou a alguma grande sala assistir um lançamento e acabo dizendo “olha, esse filme é bom”, no fundo eu estou pensando “é bom, pra um filme de grande estúdio”.

Felizmente, com a internet e com o relançamento de títulos em DVD, acabo descobrindo várias pérolas do passado. Muitas pessoas se empolgam muito com notícias do tipo “já vai sair o próximo filme do Harry Potter, que eu já li várias vezes e já sei o final de cor e salteado então vou reconhecer tudo que está na tela”. Vi uma vez um vídeo no YouTube, onde uma garota se empolgava muito vendo o trailer de ECLIPSE, e falava coisas do tipo “nem acredito em quantas pessoas eu reconheci só vendo o trailer”, ou algo assim.

Não posso dizer que sou contra adaptações, até gosto bastante das bem feitas, mas eu prefiro muito mais os argumentos absurdos, que ás vezes parecem até mentira de tão bizarros. Minha fé na criatividade humana chega ao limite quando ouço coisas do tipo “É um filme sobre Jesus matando vampiros assassinos de lésbicas com a ajuda de um lutador mexicano”, ou “É sobre Bruce Lee no inferno lutando contra James Bond, Popeye e um cara imitando Clint Eastwood”, e até mesmo “Elvis e um Kennedy negro estão num asilo e enfrentam uma múmia que suga a alma dos velhinhos pelo cu”! Deviam colocar isso em letras garrafais nos cartazes.

No caso dessa pérola de 1987, me passaram a idéia através da frase “É um filme sobre uma bebida que derrete mendigos”. Corri atrás e me surpreendi por ser muito melhor do que eu esperava.

O argumento é o seguinte, o dono de uma loja de bebidas encontra uma caixa esquecida em sua loja, de muitos anos, com várias garrafinhas de uma bebida chamada Viper. Como não sabia o que fazer com ela, pôs à venda em sua loja por $ 01,00 cada. Por esse preço, se tornou popular entre os mendigos (que nem assim deixavam de afanar uma garrafa ou outra). O problema é que quem bebe da Viper, explode ou derrete instantaneamente, se tornando uma meleca ácida.

Apesar desse argumento já ser legal demais, você acaba se esquecendo dele em boa parte do filme. Isso acontece porque todas as outras subtramas acabam prendendo a atenção, e as ações dos moradores de rua (bom, no caso, de ferro-velho) e suas personalidades acabam roubando a cena.

Existem personagens memoráveis no filme todo, além do mendigo principal e seu irmão mais novo, tem também o veterano de guerra psicopata, a mendiga doida pra se sentir desejada, o experiente que manja de roubar supermercados, e muitos loucos sujos e tarados.

Além deles, também se destacam o dono do ferro-velho, o dono da loja de bebidas, o policial que tenta entender as mortes misteriosas que acontecem por conta da Viper, o mafioso e seu empregado adolescente.

Mesmo com a bebida derretedora, muito do gore do filme é causado pelos próprios mendigos. Extremamente violentos, espancam, mutilam e matam, muitas vezes sem motivo algum, principalmente o veterano de guerra que se autoproclama líder.

J. Michael Muro dirigiu apenas esse filme, e alguns episódios do seriado Southland. Sua principal ocupação mesmo é na parte técnica, como por exemplo, sendo operador de câmera ou diretor de fotografia. A lista de filmes em que ele participa é imensa, basta consultar no IMDB para ver, pois é quase impossível citar apenas alguns destaques.  Mike Lacey, que interpreta o mendigo Fred, é também o responsável pelos efeitos de maquiagem do filme. Além desse filme, ele também fez os efeitos de I WAS A TEENAGE ZOMBIE, também de 1987.

Existe em DVD a versão STREET TRASH: SPECIAL TWO DISC MELTDOWN EDITION, com vários extras, incluindo um documentário de 02 horas chamado THE MELTDOWN MEMOIRS, e o curta em 16mm que deu origem ao longa, que também se chama STREET TRASH. Aliás, na capa deste DVD está escrito “ERASERHEAD encontra NIGHT OF THE LIVING DEAD no set de TEXAS CHAINSAW MASSACRE”; ignorem essa merda, quem escreveu isso não viu o filme.

OBS: Grande parte do começo do texto veio à minha mente quando percebi que, logo depois de assistir SUCKER PUNCH, fiquei com muita vontade de rever PINK FLAMINGOS.

Escrito por Renato Batarce.

I DRINK YOUR BLOOD (David E. Durston – 1970)

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Mais uma pedrada que o Batata coloca aqui no blog! A década de 70 foi realmente uma maravilha!

I DRINK YOUR BLOOD é um horror exploitation daqueles que nos deixa felizes pelos anos 70 terem existido. Sangue, satanismo, sexo, drogas, sadismo, tudo bem explícito e da maneira mais chocante que os responsáveis conseguiram exibir na época.

Sem piadinhas ou humor negro, I DRINK YOUR BLOOD foi planejado pra chocar e incomodar, principalmente na época em que foi feito, com temas que incomodavam muitos americanos.

Lançado em 1970, o filme mostra uma caravana de hippies satanistas, cujo líder se autoproclamava filho do Demo. Eles chegam nas proximidades da pequena cidade de Valley Hills, com apenas 40 habitantes e, durante um de seus cultos, são observados por uma garota local. Quando se dão conta da presença da menina, ela é perseguida, espancada e violentada (apesar de não falarem diretamente em estupro, fica claro que foi isso que ocorreu).

Quando o grupo chega à cidade, ocupam uma das muitas casas abandonadas. Em uma cidade quase abandonada, claro que um grupo de pessoas de fora chama atenção, principalmente por seu comportamento incomum. O avô da garota atacada vai tirar satisfações com o bando, e os encontra torturando um de seus membros. O velho é subjugado e dopado com LSD, e seu neto de 10 anos observa tudo.

O filme já prende a atenção desde o começo, mas a partir desse ponto que ele realmente começa. Decidido a se vingar, o garoto injeta sangue de um cão raivoso que ele matou em tortas de carne da padaria local. Ele vende as tortas para o grupo de hippies, e começa uma epidemia incontrolável.

Não são zumbis, são pessoas com o vírus da raiva. Nervos descontrolados, ataques de violência, boca espumante e hidrofobia. Essa doença age de formas e intensidades distintas em cada um do grupo. A raiva é praticamente incurável, com um pequeno número de casos resolvidos. O infectado se torna cada vez mais hostil, mas está consciente de todo o processo. Ao aparecer a hidrofobia, medo intenso de líquidos (e uma das principais armas contra os infectados no filme), a morte é praticamente certa. A raiva mata em cerca de 04 dias.

Claro que o filme tenta explorar a doença da forma mais exagerada possível. Mas é uma ótima desculpa para jogar de forma intensa na tela variadas formas de violência e sadismo. A música que é repetida em vários momentos do filme contribui também para o clima perturbador e enlouquecedor.

O filme foi dirigido por David Edward Durston, e foi seu filme de maior expressão. Ele também atua no filme em participação não creditada, como Dr. Oakes. Não conheço praticamente nenhum trabalho do resto do elenco, mas o grande destaque vai para o líder hippie satanista Horace Bones, interpretado pelo ator indiano Bhaskar Roy Chowdhury, que faleceu em agosto de 2003.

I DRINK YOUR BLOOD se tornou um sucesso em sessões Grindhouse, principalmente ao lado do filme I EAT YOUR SKIN (do diretor Del Tenney), filme de 1964 lançado apenas em 1970. O distribuidor Jerry Gross juntou os dois filmes e deu o nome de I EAT YOUR SKIN ao segundo, que originalmente se chamava apenas ZOMBIES, e também já chegou a ter títulos como ZOMBIE BLOODBATH e VOODOO BLOOD BATH.

I DRINK YOUR BLOOD é um filme para aqueles que gostam da boa e velha ultraviolência dos anos 70, aquela violência que não é apenas tripas e gore (apesar de ter muito disso também), mas é algo feito pra incomodar e mostrar o tanto que o cinema pode ser cruel e divertido.

OBS: apesar de o trailer abaixo citar I EAT YOUR SKIN, ele contém apenas cenas de I DRINK YOUR BLOOD.

Escrito por Renato Ramos Batarce.

CROWS ZERO (Takashi miike – 2007)

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Mais uma resenha do Batata:

CROWS ZERO é baseado no mangá Crows, escrito por Hiroshi Takahashi, mas na verdade o filme é um prequel da história.

A trama se passa na Escola Suzuran, onde estudam apenas rapazes arruaceiros e briguentos, que querem dominar a escola através dos punhos. O aluno com mais chances de chegar ao topo da liderança é Tamao Serizawa (Takayuki Yamada), do terceiro ano; mas eis que aparece um aluno transferido chamado Takiya Genji (Shun Oguri), disposto a superar Serizawa e dominar Suzuran. Genji acaba tendo a ajuda de um yakuza chamado Ken Katagiri (Kyosuke Yabe), que fica impressionado com suas habilidades e tem alguns problemas com Serizawa. Esse por sua vez, tem como maior aliado Tokio Tatsukawa (Kenta Kiritani), que era amigo de infância de Genji.

A própria escola acaba por se tornar um personagem da trama, e nela encontram-se várias subdivisões, cada uma com seu líder próprio, e Genji e Serizawa trabalham para recrutar esses pequenos grupos para que se tornem cada vez mais fortes para a luta final. Destaque para Hideto Bandou (Hiroshi Watanabe), do segundo ano, que lidera uma gangue de motociclistas; para o persistente Takashi Makise (Tsutomu Takahashi) e para o misterioso Rindaman.

O filme é cheio de lutas a todo o momento, mas não são lutas ao estilo filmes de Kung Fu: na verdade elas parecem mais brigas de rua bem coreografadas. O que pode faltar em técnica, sobra em brutalidade e hematomas nos personagens. Apesar disso, Genji tem que aprender novos métodos para recrutar alunos além da força bruta, ele tem que aprender a merecer lealdade. Cabe dizer que boa parte da vontade de Genji comandar Suzuran vem do fato de ele ser filho de um chefe da Yakuza.

Apesar da brutalidade, nota-se que Takashi Miike produziu um filme para adolescentes, sendo assim, tem aquele toque de romance chato e aquela música melosa obrigatória que faz você pensar “por que transformar o filme em um videoclipe?”. O clima anime e mangá também está presente a todo o momento, desde a caracterização e movimentos dos personagens, até aquela velha história daquele que apanha mas não desiste nunca. Pra vocês terem uma idéia, o filme tem até uma abertura, como se fosse um seriado!

Apesar de jovens, os atores são bastante experientes. Entre outros, Shun Oguri interpretou o personagem Akira em SUKIYAKI WESTERN DJANGO, Nachi em AZUMI, Ginkaku em AZUMI 2 e Kazuya em ALMAS REENCARNADAS. Takayuki Yamada interpreta Shinrouko em 13 ASSASSINS, também de Takashi Miike, e está na versão Live Action do mangá e anime Gantz.

O filme ainda rendeu uma continuação, CROWS ZERO II, com o mesmo elenco, também de Takashi Miike. Existe o anime Crows One, uma série spin-off chamada Worst, e também rumores de um possível CROWS ZERO III, que não deve ser difícil, considerando que o segundo filme ficou várias semanas nos Top 10 de mais vistos no Japão. Se por acaso o terceiro filme vier a ser feito, provavelmente o elenco não será mantido, já que os alunos se formaram em Suzuran no segundo filme.

Escrito por Renato Ramos Batarce.

DEADLY OUTLAW REKKA (Takashi Miike – 2002)

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Takashi Miike começou sua carreira como diretor filmando histórias sobre a Yakuza, a máfia japonesa. Com filmes de baixo orçamento, Miike fez sua fama no mercado japonês com produções lançadas diretamente para o vídeo, contando pequenas histórias sobre o cotidiano dos membros da organização criminosa: traição, vingança e brutalidade se misturam à visão singular de ética e companheirismo dos truculentos protagonistas destas obras.

Filmes sobre a vida destes fora-da-lei constituem um verdadeiro gênero na cinematografia nipônica, dentre estas obras podemos destacar clássicos de diretores renomados, como GRAVEYARD OF HONOR e a cine série THE YAKUZA PAPERS de Kinji Fukasaku, TOKYO DRIFTER e BRANDED TO KILL de Seijun Suzuki, e tantos outros…

Cada vez mais, Miike foi desenvolvendo um estilo próprio ao contar estas histórias, afastando-se do lugar comum destas produções, rompendo barreiras estéticas e narrativas.

Sou suspeito para falar destas qualidades em Miike, há quem ache suas inovações pura apelação, fogos de artifício para ludibriar uma suposta falta de conteúdo ou coerência em seus roteiros, e há aqueles que, como eu, enxergam verdadeiras obras de arte em seus devaneios cinematográficos.

O filme começa com a excelente trilha sonora da banda japonesa Flower Travelling Band, intercalando cenas de ação com takes em que o protagonista, um jovem mafioso chamado Kunisada (Riki Takeuchi, um dos atores mais utilizados por Miike em seus filmes), está sendo interrogado em uma delegacia. Nesta montagem inicial o líder do clã de Kunisada, Sanada, é morto em uma emboscada, e mesmo estando em locais diferentes , pupilo e mestre parecem partilhar de um forte vínculo psíquico, uma vez que Kunisada enlouquece ao sentir a morte de seu chefe, que considera como um pai.

Após ser liberado da delegacia, Kunisada reúne seus homens de confiança e planeja vingança contra quem matou seu chefe. É claro que se tratando de uma história sobre a Yakuza, ocorrerão reviravoltas até que se encontre o verdadeiro culpado pela morte de Sanada.

Destaco a atuação de Riki Takeuchi, que embora seja propositalmente over nesse filme (com caretas medonhas), sempre cai como uma luva nos papéis oferecidos por Miike em seus filmes. Takeuchi não é propriamente um estereótipo de cara durão: é meio bochechudo, vesgo e usa um topete que o faz parecer com um daqueles imitadores de Elvis que abundam no Japão. É até estranho que se saia bem atuando como hitman da Yakuza, mas a minha opinião é que ele sempre acaba sendo convincente na pele de um assassino frio e ensandecido. Outras duas figurinhas carimbadas das produções de Miike dão as caras em papéis de apoio: Kenichi Endo (protagonista de VISITOR Q), como melhor amigo de Kunisada e Renji Ishibashi, que mais uma vez interpreta um chefe veterano da organização criminosa. Sonny Chiba (o eterno Takuma Tsurugi da trilogia THE STREET FIGHTER) também faz uma ponta na produção. Em tempo: Sanada é interpretado por Yuya Uchida, veterano cantor e produtor musical, que já trabalhou com a banda responsável pela excelente trilha sonora do filme, a já citada Flower Travelling Band.

Em meio às investigações, Kunisada e seu melhor amigo se apaixonam por duas garotas coreanas, e passam a ser caçados por dois outros assassinos contratados pelas famílias rivais.

O filme não é tão violento quanto alguns trabalhos anteriores de Miike, como ICHI THE KILLER e o primeiro filme da trilogia DEAD OR ALIVE, nem tão surreal quanto FULL METAL YAKUZA ou GOZU, mas estamos falando de um diretor que não tem o menor pudor em colocar um lança mísseis nas mãos de um de seus personagens no centro comercial de Tokyo, como se essa fosse uma alternativa comum na hora de matar seus desafetos em público.

O embate final entre a dupla que busca vingança e os assassinos contratados para dar cabo deles é impressionante: a quantidade de tiros e a locação do duelo me fizeram lembrar imediatamente do final de ROBOCOP, de Paul Verhoeven, uma das influências confessas de Miike. Sem contar que um dos personagens empunha a metralhadora mais insana que já vi.

O desfecho é surpreendente, seguido de uma emocionante canção durante os créditos, enquanto o destino dos personagens é mostrado ao espectador, resultando na mais bela sequência do filme.

DEADLY OUTLAW REKKA não é uma das obras mais comentadas de Miike, mas com certeza é  uma de minhas preferidas.

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